terça-feira, novembro 05, 2013

RINCÓN DE DARWIN



Penúltima das produções vistas no Cine Ceará que ainda estou devendo algumas palavras aqui no blog, o uruguaio RINCÓN DE DARWIN (2013), de Diego Fernández Pujol, é um desses filmes bem saborosos de se assistir, especialmente enquanto road movie. O início, quando são apresentados os três protagonistas que seguirão viagem juntos em uma caminhonete, é até um tanto descartável, mas é só os três pegarem estrada e o filme mostrar o seu trajeto e suas diferenças de personalidade que o enredo ou mesmo o destino acabam deixando de ser verdadeiramente importantes.

Durante a coletiva de imprensa do filme, estavam presentes o diretor e um dos atores, Carlos Frasca, que interpreta o personagem mais velho, Américo. Foi questionado se existe mesmo uma característica no cinema uruguaio que é o que chamaram de "minimalismo melancólico". O diretor não chegou a negar que haja mesmo esse ponto em comum entre os filmes uruguaios, dizendo que eles não são brasileiros, que não são eufóricos, mas que há, sim, uma diversidade de produções no país.

Em RINCÓN DE DARWIN, dos três protagonistas, Gastón é o mais jovem. É bastante conectado com as novas tecnologias, como o uso dos smartphones. O problema é que acaba a bateria e isso já serve para que o mais velho, Américo, condene esses novos bens de consumo, preferindo aquilo que é de seu tempo. O terceiro, Beto, é mais maduro que Gastón, e tem uma vida desligada de tudo. De família, de amigos, de uma atividade profissional fixa. Representa quase um velho hippie, inclusive no uso da maconha.

O título do filme se refere a uma região do Uruguai que foi visitada por Charles Darwin, quando o naturalista passou pela América do Sul, e é o caminho que será um dos pontos finais da viagem, que se prolonga por uma série de motivos, como o fato de o carro quebrar e precisar de um mecânico, por exemplo. No meio de tudo, há desavenças entre os três, conversas sobre as mulheres de suas vidas, e há também reconciliações depois de discussões. É um filme bem simples e bonito, que talvez seja esquecido com o tempo, mas enquanto dura é um agradável alimento para o espírito.

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