quarta-feira, novembro 13, 2013

PAI E FILHA (Banshun)



Fiquei tão encantado com PAI E FILHA (1949) que eu acho que com apenas dois filmes vistos já posso me considerar um fã de Yasujiro Ozu. Impressionante o cuidado visual que o diretor tem com cada enquadramento, com seu tradicional uso da câmera na altura do umbigo, como se em posição de humildade em relação aos personagens e ao próprio mundo. Há também uma economia de diálogos e de planos, embora seja um filme cuja história se construa muito em cima desses diálogos.

O que mais marca o início do filme é o sorriso encantador de Setsuko Hara, que interpreta Noriko, uma moça de 27 anos feliz da vida por ser solteira e cuidar com muito amor de seu pai viúvo. Mas a sociedade cobra dela um casamento. Com essa idade, ficar solteira é inadmissível naquela sociedade tão tradicional. E Ozu não parece fazer crítica alguma a essa estrutura social. A intenção do filme é mesmo mostrar o amor existente entre pai e filha. E isso é muito bonito. Só podia mesmo render um final tão lindo que chega a ser difícil conter as lágrimas. E isso dentro do classicismo de Ozu, de sua tendência a não exagerar no sentimentalismo. Em PAI E FILHA, é como se tudo estivesse no seu devido lugar.

Inclusive, as inserções de paisagens que são mostradas eventualmente nos fazem aceitar que essa é a ordem natural das coisas. Ozu traz o equilíbrio da natureza para o seu trabalho, e isso gera uma leve tensão com os dilemas dos personagens, em particular Noriko, já que é ela que enfrenta a maior dificuldade de sua vida: afastar-se de seu pai e tomar um novo rumo. Utilizar o termo "tensão" talvez até seja um tanto exagerado para designar os problemas de Noriko e de seu pai, já que o filme segue com uma serenidade admirável, mas essa leve tensão é um dos motivos para que o filme conquiste o espectador a cada progressão de sua narrativa, até chegar à linda sequência em que o pai vê a filha vestida de noiva. O filme até poderia ter acabado ali, mas consegue ser ainda mais perfeito em sua conclusão.

PAI E FILHA faz parte da chamada trilogia de Noriko, em que a mesma atriz faz diferentes Norikos. Os filmes seguintes são TAMBÉM FOMOS FELIZES (1951) e ERA UMA VEZ EM TÓQUIO (1953), mas esses ainda me falta experienciá-los. Acredito que me trarão tanto prazer e emoção quanto PAI E FILHA.

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