terça-feira, novembro 26, 2013

O BAILE DOS BOMBEIROS (Horí, Má Panenko)



Segundo Mark Cousins, em seu livro História do Cinema, a cinematografia mais inovadora da Europa Oriental era a produzida na Tchecoslováquia. O BAILE DOS BOMBEIROS (1967), de Milos Forman, foi visto por mim acidentalmente. Era um dos filmes que constava na lista de favoritos de Stanley Kubrick, e fiquei curioso em vê-lo, até por gostar de vários outros trabalhos posteriores do diretor, que fugiu para os Estados Unidos depois que o seu país foi invadido pelos soviéticos em 1968, na famosa Primavera de Praga.

O último filme que havia visto de Forman havia sido SOMBRAS DE GOYA (2006), que é sensacional. Mas O BAILE DOS BOMBEIROS tem outra pegada em comparação com o estilo narrativo mais clássico que ele adotou ao migrar para os Estados Unidos. Talvez isso se deva ao espírito da época, já que o ano de 1967 tem toda essa aura especial em torno de si, por ser um ano-chave para a contracultura. E O BAILE DOS BOMBEIROS é um filme engraçado à sua maneira, um tanto subversivo e que lembra também o cinema inglês da época, como SE..., de Lindsay Anderson.

Na trama, um grupo de bombeiros resolve fazer uma festa em comemoração aos 86 anos de seu comandante mais idoso. A cidade inteira é convidada, mas aos poucos alguém passa a roubar todos os presentes e o evento começa a perder o senso de ordem. Um dos momentos mais divertidos é o da seleção da rainha do baile, quando nenhuma das moças parece suficientemente bonita para receber o título e as que são bonitas não querem pagar tal mico.

Curiosamente, ainda que O BAILE DOS BOMBEIROS tenha sido realizado antes da Primavera de Praga, já havia uma censura forte no país e o filme quase não foi lançado. O próprio Forman costuma dizer que não havia intenção de sua parte em criticar o Governo utilizando metáforas, mas poucos acreditam nisso, até por ser uma característica do cinema do diretor essa vontade de denunciar as instituições. E isso vale tanto para a Igreja Católica, como no já citado SOMBRAS DE GOYA, quanto para as instituições psiquiátricas, no oscarizado UM ESTRANHO NO NINHO (1975), ou para a própria sociedade moralista americana, em O POVO CONTRA LARRY FLINT (1996).

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