quarta-feira, abril 17, 2013

HITCHCOCK



É a tal história: se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. (Falar nisso, nunca entendi esse ditado popular e só agora me dou conta disso.) Resolvi, enfim, ver HITCHCOCK (2012), já que o filme não vem mesmo pra cá. E se vier, já era. E como alguns amigos disseram, o filme é mesmo decepcionante, embora seja interessante, por se tratar dos bastidores de um dos melhores filmes de todos os tempos, dirigido por um dos mais geniais cineastas de todos os tempos.

Aliás, quanto à qualificação de Alfred Hitchcock, o diretor Sacha Gervasi não deixa dúvidas, mas também acaba fazendo um trabalho muito bobo, a respeito dos sentimentos de ciúme do velho Hitch por sua esposa Alma, que ele acredita estar lhe traindo com um outro sujeito mais jovem. É mais um filme sobre as inseguranças de Hitchcock, a exemplo de THE GIRL, embora eu ainda ache o telefilme mais curioso e que tem a vantagem de colocar mais lenha na fogueira sobre a persona sádica do mestre do suspense.

HITCHCOCK não. É um filme que se apropria do nome do mestre para o título e de um elenco muito bom (Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston, Toni Colette, Jessica Biel, James D’Arcy) para fazer uma obra que nada diz. E a culpa nem é de Anthony Hopkins, que até se esforça para se assemelhar ao mestre, ainda mais com aquela maquiagem pesada. No fim das contas, quem acaba brilhando mesmo é Helen Mirren, cheia de charme, mas que deve ser um tantinho mais bonita e mais atraente que a Alma.

Algumas coisas são curiosas, como o juramento de não entregar nada sobre a realização do filme, as dificuldades de Hitchcock em conseguir apoio dos executivos da Paramount, o corte final com a ajuda fantástica de Alma, Scarlett vivendo uma Janet Leigh muito simpática e dizendo que Hitch é muito mais fácil de lidar do que Orson Welles, entre outros detalhes. De todo modo, melhor ler o livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, de Stephen Rebello, que ainda é fácil de encontrar nas livrarias.

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