terça-feira, abril 23, 2013

CHOPPER – MEMÓRIAS DE UM CRIMINOSO (Chopper)



Andrew Dominik é um cineasta que ainda é um mistério para mim. Seus filmes são todos sobre a violência ou contém elementos bem violentos, mas cujos tons que ele usa são sempre dúbios. Em O HOMEM DA MÁFIA (2012), por exemplo, aquela cena do tiroteio em câmera lenta parece ser ao mesmo tempo um elogio e uma crítica à violência. Em O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD (2007), a figura de Jesse James parece ser elevada ao status de um herói, o que não é nenhuma novidade dentro da cinematografia americana, mas parece que nesse filme em especial o diretor parece dar espaço para que o espectador pense numa outra possibilidade.

E isso faz com que as obras de Dominik, por mais que deixem uma sensação de WTF no ar, convidem o espectador a refletir. Ou não: podem simplesmente causar repulsa. Tive a oportunidade nesta semana de ver o primeiro trabalho de Dominik, CHOPPER – MEMÓRIAS DE UM CRIMINOSO (2000), que chegou a ser lançado direto em vídeo no Brasil. A primeira coisa que chama atenção no filme é a interpretação de Eric Bana, que além de tudo, engorda uns bons quilos para viver o personagem depois de passados alguns anos na cadeia.

CHOPPER é baseado em fatos reais e no verdadeiro Chopper, um homem que tinha uma atração pela violência, que gostava de se impor, e que também, logo depois, mostrou talento como escritor, reinventando sua própria vida em um livro. Desde pequeno ele sonhava em entrar para a história como uma lendária figura do crime. E é curioso como isso é comum. Eu mesmo tive um colega de escola que costumava dizer que queria ser ou bandido ou policial. Acabou se tornando policial militar, mas depois foi expulso da corporação, depois de ter matado um homem. Esse tipo de desejo realmente acontece.

Um dos méritos do filme de Dominik é que a violência apresentada é realmente visceral, de intoxicar o sangue. Ao mesmo tempo, ficamos intrigados com a figura de Chopper, um sujeito que é capaz de mandar cortar as próprias orelhas só para provar que é capaz de sair de uma ala da prisão. Seus atos contraditórios, como o de apunhalar um inimigo de cela, para depois ficar arrependido e oferecer a ele um cigarro, enquanto o homem se esvai em sangue, torna-o quase simpático. Mas ele é estranho demais para ser admirado.

O que é de admirar é a performance de Eric Bana, que até então eu sempre via como um bom rapaz, mesmo quando faz papel de vilão, como no recente A FUGA. Quanto a Dominik, ainda vou ter que ver mais filmes dele para chegar a uma conclusão se gosto ou não. Ainda fico com um pé atrás em relação a seus filmes. Deve ser um tipo de diretor como Michael Haneke, que demora um pouco para ser reconhecido como um dos grandes.

Agradecimentos especiais ao amigo Osvaldo Neto

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