sexta-feira, julho 03, 2009

OS FALSÁRIOS (Die Fälscher)



Houve um tempo em que todos os indicados ao Oscar de filme estrangeiro chegavam aqui sempre no mesmo ano da indicação. Cheguei a pegar um ano em que todos os filmes chegaram no próprio mês da premiação. Agora, tanto faz se o filme ganhou ou não a Palma de Ouro em Cannes ou ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro da Academia que não parece fazer muita diferença para o mercado. O vencedor do Oscar de filme estrangeiro deste ano até que chegou rápido no circuito – o japonês A PARTIDA. Mesma sorte não teve este OS FALSÁRIOS (2007), que a gente até entende ter ganhado o prêmio, dado a temática. Costuma-se dizer que filme que fala sobre o holocausto sempre sensibiliza a Academia. E parece que com esta produção austríaca não foi diferente, por mais que o filme não tenha me agradado. Até prefiro A VIDA É BELA, mesmo com todas as restrições que tenho à obra de Roberto Benigni. Pelo menos ele não é tão burocrático quanto OS FALSÁRIOS.

Só a título de curiosidade, pois minha memória tem deixado cada vez mais de dar prioridade ao Oscar, fui pesquisar os concorrentes de OS FALSÁRIOS na época da premiação para ver se algum deles chegou ao circuito nacional. Vi que aquele que tinha o título mais chamativo (MONGOL) e de uma localidade que já vinha sendo alvo de piada por causa de BORAT (o Cazaquistão) será lançado nos cinemas em breve como O GUERREIRO GENGIS KHAN, título que ajuda o espectador a saber mais ou menos do que se trata o filme sem precisar de ler uma sinopse. Outro que se eu não me engano já foi lançado aqui foi KATYN, do polonês Andrzej Wajda, que por alguma razão não é um cineasta que me atrai, mesmo no auge de sua popularidade no circuito alternativo, que foi no fim dos anos 80 e início dos 90. Os outros – o israelense BEAUFORT e o russo 12 -, acredito que não entraram no circuito brasileiro.

Toda essa introdução é só pra enrolar mesmo, já que eu não tenho muito do que falar sobre OS FALSÁRIOS, que me causou mais sono do que qualquer outra coisa. Engraçado que tem filmes que têm até mais potencial para me deixar com sono, mas só pelo fato de eles serem um pouco mais diferentes, eu fico mais interessado – caso do brasileiro BUDAPESTE, do qual devo falar aqui em breve. Já OS FALSÁRIOS tem uma estrutura narrativa clássica e manjada. Um filme feito para agradar aos votantes do Oscar, mais do que para agradar a público de festivais ou de mostras internacionais. Porém, mesmo dentro dessa estrutura convencional, bem que o filme poderia trazer mais interesse, já que não creio que tenha se esgotado o tema.

No caso de OS FALSÁRIOS, vemos um grupo de judeus que são especialistas em falsificações. Eles conseguem falsificar a libra e o protagonista, o grande perito na "arte", está se esforçando para falsificar o dólar e isso chama a atenção dos nazistas, desejosos de lucrar com a falsificação, mesmo sabendo que os russos estão avançando e o fim para eles parece estar próximo. Entre o fato de fazer um trabalho para os nazistas, de estar indo contra a própria ideologia e sabendo de todas as atrocidades que os seus inimigos cometeram com familiares e amigos, e a vontade de sobreviver há uma tênua linha. E é nesse embate emocional que o filme busca refúgio. Pena que os personagens não tenham muita força para nos importarmos suficientemente com eles, o que prejudica ainda mais a apreciação. Stefan Ruzowitzky é diretor do horror ANATOMIA (2000), que foi lançado direto em vídeo no Brasil e aparentemente não fez muitos fãs.

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