terça-feira, julho 14, 2009

EU ENTERRO OS VIVOS (I Bury the Living)



Tenho o hábito de folhear antigas edições da revista SET e das saudosas Cine Monstro e Paisà. E foi numa dessas folheadas frequentes que reli o texto de Daniel Camargo para EU ENTERRO OS VIVOS (1958), escrito para a edição nº 1 da Cine Monstro, e fui logo atrás na internet. A produção surgiu numa época em que o gênero andava em baixa, em detrimento dos filmes B de ficção científica. Mas enquanto o renascimento era ensaiado, algumas pérolas foram realizadas na época, como as dirigidas por William Castle e Jacques Tourneur, por exemplo. O que mais me deixou interessado em EU ENTERRO OS VIVOS, de Albert Band, foi principalmente o enredo, bastante original.

Na trama, Richard Boone é dono de uma loja de departamentos da cidadezinha onde mora e é convidado para gerenciar o cemitério local. No cemitério, ele conhece o velho zelador, que está prestes a se aposentar de vários anos, cuidando das lajes e túmulos. Um dos aspectos mais interessantes da rotina do lugar é uma espécie de mapa, onde ficam marcados os locais dos túmulos de cada pessoa da cidade com seus nomes, tanto dos mortos quanto daqueles que compraram um jazigo para si e para seus familiares. Os túmulos dos mortos são marcados com alfinetes pretos; os túmulos reservados para os vivos, com alfinetes brancos. Coincidência ou não, sem querer, o novo gerente marca os espaços de um casal que acabou de comprar dois jazigos com alfinetes pretos. No mesmo dia, os dois morrem num acidente. Logo ele é afligido pela tentação de testar se foi ele e o mapa os responsáveis pela morte do casal. E ele não vai sossegar enquanto não fizer um novo teste.

A cópia que consegui do filme está bem ruim, parecendo ripada de um VHS bem gasto, mas pelo menos é possível encontrá-lo na internet e com legendas disponíveis. Confesso que esperava mais, principalmente do final, mas é sem dúvida um dos trabalhos mais originais do gênero. Sem falar na beleza de trabalho narrativo e de construção de atmosfera de suspense. O filme mais instiga e provoca suspense do que assusta, mas isso pode ser visto como uma característica positiva. A trama guarda algumas semelhanças com os episódios produzidos para as diversas encarnações de ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

P.S.: Está no ar a nova edição da Revista Zingu!, que neste mês traz como destaque o Dossiê André Luiz Oliveira.

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