quinta-feira, julho 30, 2009

19º CINE CEARÁ – 2º DIA



Antes de mais nada, é melhor eu esclarecer o que falei e até já apaguei do post anterior, relativo ao problema do ar condicionado do Cine São Luiz. No dia da sessão de CHE – A GUERRILHA, eu e mais um grupo de amigos, devido à lotação de toda a parte de baixo da sala, ficamos sentados na torre. Os aparelhos de ar condicionado conseguidos ficaram dispostos em um dos lados da sala e seu resultado não chegou até a parte de cima. Quer dizer, ainda não consertaram a central de ar condicionado da majestosa sala, que nos tempos áureos, quando eu era criança e ia pra lá ver filmes dos Trapalhões, gelava muito bem e uniformemente. De qualquer maneira, deixo registrado aqui o interesse dos organizadores para melhorar a edição deste ano, que também está com som e qualidade de imagem muito melhor, embora esteja sofrendo com uma programação não muito atraente. Ainda sou de ficar lamentando essa mudança para "ibero-americano". Por mim, continuava sendo apenas de filmes brasileiros, mesmo que já tivessem passado em outros festivais.

O longa-metragem exibido ontem à noite no primeiro dia da mostra competitiva, o peruano O PRÊMIO (El Premio, 2009) [foto], não me deixou muito animado, por mais que tenha os seus momentos. A trama em si já não é tão original: homem ganha na loteria e se vê cheio de problemas e de pessoas querendo uma parte da grana. O que o diferencia dos demais sobre o tema é justamente onde se passa a trama: numa região rural do Peru, com suas peculiaridades. Quer dizer, o filme acaba interessando mais por seu caráter exótico, por despertar o nosso lado antropológico, do que por suas qualidades fílmicas.

Entre suas qualidades, vale destacar a boa atuação do elenco. Gostei especialmente do personagem do filho do sujeito que ganha o prêmio e principalmente de sua bela prima. Há uma cena em particular que achei bem interessante, que é a cena em que o protagonista entra em sua casa quando o dia está no fim, uma tempestade está a caminho e um grupo de trabalhadores de seu vilarejo tenta invadir sua casa. Mas é uma cena que destoa um pouco do tom geral do filme. Interessante também ver as diferenças entre cidade e campo, entre Lima e o povoado onde o protagonista mora com sua filha.

O melhor filme da noite foi o documentário em curta-metragem de Firmino Holanda CAPISTRANO NO QUILO (2007), exibido fora de competição. O curta mostra o curioso caso do assalto à estátua de bronze do historiador cearense Capistrano de Abreu da Praça da Lagoinha, que, aliás, tem como nome oficial Praça Capistrano de Abreu, mas que é mais conhecida pelos fortalezenses como "Praça dos Malandros". Holanda faz uma brincadeira irônica com ares de investigação sobre o fato de a população não saber quem é Capistrano de Abreu, ao mesmo tempo em que nos dá uma aula de quem ele foi, com um jeito de narrar que me fez lembrar TABU, de Julio Bressane.

Quanto aos curtas da mostra competitiva, infelizmente não gostei de nenhum. LEITURAS CARIOCAS (RJ, 2009), de Consuelo Lins, é um documentário que mostra o que as pessoas fazem dentro de um metrô. Desde ficar passando mensagens pelo celular, escutar música ou ler livros. Tudo indica que foi feito em digital e transferido para película, a fim de ser aceito pelo festival. SELOS (CE, 2008), de Gracielly Dias, tem uma bela fotografia que emoldura alguns momentos com classe, mas não tem um bom andamento narrativo, nem uma história coesa e interessante. Melhor sorte teve A MULHER BIÔNICA (CE, 2008), de Armando Praça, que tem momentos muito bons, como o início, com um monte de mulheres falando, e a cena do cinema, mas sofre de irregularidade e de excesso de personagens para um curta de 19 minutos. Porém, tem o seu charme e lembra alguns filmes do Almodóvar, tanto pelas cores, quanto pelas interpretações histriônicas do elenco quase exclusivo de mulheres.

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