segunda-feira, abril 13, 2009

TERRITÓRIO RESTRITO (Crossing Over)



Em certa altura de TERRITÓRIO RESTRITO (2009), uma jovem mulçumana apresenta na sala de aula sua visão sobre o atentado às Torres Gêmeas em 11 de setembro. Não sem sofrer o escárnio e a ofensa dos colegas. A garota causa bem mais do que polêmica ao aprovar a atitude extrema dos responsáveis pelo atentado terrorista. E isso vai repercurtir na vida de sua família, que vive ilegalmente nos Estados Unidos, sem visto permanente. O novo filme de Wayne Kramer, dos ótimos THE COOLER – QUEBRANDO A BANCA (2003) e NO RASTRO DA BALA (2006), é uma colcha de retalhos mostrando a situação de diversas pessoas de diferentes nacionalidades que se encontram em situação ilegal nos Estados Unidos. Há até mesmo uma modelo australiana (a bela Alice Eve) tentando conseguir um visto permanente, o que não deixa de ser uma novidade, já que estamos mais acostumados a ver pessoas de países latinos nesse tipo de situação nos filmes americanos.

TERRITÓRIO RESTRITO abre com os agentes da ICE fazendo uma batida numa fábrica de tecidos a fim de prender vários imigrantes ilegais. Entre eles, a personagem de Alice Braga, uma mexicana que pede a um dos oficiais, vivido por Harrison Ford, que ajude o seu filho. Para um personagem de destaque, tanto nos créditos iniciais quanto no cartaz do filme, o papel de Alice Braga é bem pequeno. O que pode ser mais uma prova de que ela tem um excelente agente em Hollywood. Apesar do papel pequeno, seu personagem é importante na ausência que causa, quando deixa o bom agente com crise de consciência. O filme ainda mostra a situação de coreanos, iranianos, judeus e africanos. Inclusive, dizem que Sean Penn, que estava inicialmente no elenco, resolveu abandonar a produção por achar que o filme não mostrava de maneira digna os iranianos. E, de fato, a história dos iranianos, encabeçada por Cliff Curtis, é uma das mais pesadas e controversas do filme. Por outro lado, a história do judeu ateu, vivido por Jim Sturgess, é uma espécie de alívio cômico.

Ray Liotta segue a linha de personagens inescrupulosos. Dessa vez, ele é um sujeito que oferece ajuda a uma bela modelo australiana em troca de favores sexuais. Não deixa de ser uma atitude repulsiva. E o filme tem os seus momentos de julgamento, seus dilemas morais. Por mais que seja colocada em questão a liberdade de expressão da garota mulçumana e seu posicionamento a favor dos terroristas, o filme é bem moralista, julgando e oferecendo um final merecido àqueles que transgridem a lei. De qualquer forma, não encontrei nada no filme que tenha me incomodado nesse aspecto. Talvez um pouco em mostrar os Estados Unidos como um dos únicos lugares do mundo onde se possa viver dignamente; como se os outros países fossem todos lugares terríveis e sem futuro. Essa noção do país como um paraíso talvez esteja precisando ser reavaliada em tempos de crise, tendo em vista o número crescente de imigrantes que estão voltando para casa. Um dos pontos positivos do filme é que as tramas são bem amarradas, mas talvez falte mais emoção nas cenas - nota-se um esforço da parte de Kramer para comover a plateia, sem sucesso. Ainda assim, fica um belo filme para reflexão e debate.

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