segunda-feira, abril 27, 2009

CINCO CURTAS NACIONAIS



Recentemente, resolvi apresentar para minha turma na escola, agora que assumi umas turmas na disciplina de Artes, três curtas-metragens, depois de ter dado uma pequena aula teórica sobre cinema. Os curtas que eu apresentei para eles foram: A SEMANA, de Buster Keaton, já comentado aqui no blog em julho do ano passado, ILHA DAS FLORES (1989), de Jorge Furtado, e VINIL VERDE (2004), de Kleber Mendonça Filho, em cópias encontradas na internet. Os demais curtas do post foram vistos no programa Curta Petrobrás, que aqui em Fortaleza é exibido no Espaço Unibanco Dragão do Mar. Aproveitemos o tempo escasso do dia para falar dos filmes de maneira objetiva.

ILHA DAS FLORES

Feito num momento em que se costumava dizer que o Brasil fazia excelentes curtas, mas deixava a desejar nos longas, ILHA DAS FLORES marcou época e se tornou um exemplo de qualidade. Jorge Furtado hoje é um dos cineastas mais famosos do Brasil e com uma filmografia sólida e autoral, independente de gostarem ou não de seu trabalho. Já fui mais fã de ILHA DAS FLORES. Talvez por ter visto diversas vezes, o curta foi perdendo um pouco do encanto inicial, ainda que a sequência final continue arrepiando e a linguagem pseudo-didática continue interessante, com um tipo de humor sarcástico, como que para esconder a revolta.

VINIL VERDE

Talvez o curta brasileiro que eu mais gosto. Costumo dizer sempre pras pessoas que na primeira vez que o vi, justamente numa dessas programações Curta Petrobrás, tive um pesadelo durante a noite, de tão impressionado que fiquei com o filme. Trata-se de uma adaptação de uma fábula russa sobre uma garotinha que ganha da mãe uma coleção de vinis coloridos. A mãe a pede que escute todos, exceto o vinil verde. Não vou dizer o que acontece pra não estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme (disponível no site Porta Curtas). Um dos diferenciais formais do filme é o fato de ser narrado com fotografias. Uma das possíveis interpretações é estabelecer uma ligação com a tentação do fruto proibido no Jardim do Éden e a própria natureza humana, vista com pessimismo. O final, mais do que assustador, é de uma extrema beleza, com frases finais poderosas. Um filme que cada vez eu admiro mais.

NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO

Quando vi que na programação do Curta Petrobrás desse mês estava um curta de Kleber Mendonça Filho, não ia ficar sem conferir no cinema mais um trabalho desse talentoso cineasta pernambucano. E NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (2006) não me decepcionou. O filme é totalmente diferente de VINIL VERDE, mas mostra uma força na condução dos atores, na escolha das tomadas e principalmente no sentimento que só me faz desejar ver o quanto antes um longa-metragem dirigido por KMF. Nesse belo curta, os temas são a solidão, o amor distante, as palavras que ficam entaladas na garganta. A fotografia em preto e branco aumenta o clima de angústia e a solidão, seja quando mostra as ruas desertas com suas árvores, seja quando mostra o mar. Um filme que fez valer o dia.

JONAS E A BALEIA

Já o curta de Felipe Bragança não me agradou nem um pouco. JONAS E A BALEIA (2006) parece que tem uma dificuldade em contar sua história através de imagens, necessitando o tempo todo de utilizar frases na tela para substituir as imagens, que desaparecem da narrativa com elipses. É um curta que parece ser feito com um orçamento apertadíssimo, já que dispõe até mesmo de sequências em animação. Não sei se houve aí uma intenção de emular o estilo de algum cineasta estrangeiro de vanguarda, só sei que o resultado final não me agradou nem no andamento nem na narrativa confusa.

TRÓPICO DAS CABRAS

Falado em espanhol e com locações entre Santos e o interior de São Paulo, TRÓPICO DAS CABRAS (foto acima, 2007) mostra um casal viajando a fim de resolver a relação. Ou acabá-la de uma vez por todas. O filme lida com a morte lenta dos sentimentos do casal, utilizando-se vez ou outra de cenas picantes. O curta de Fernando Coimbra tem uma direção firme, uma bela fotografia e uma narrativa envolvente. A escolha da língua espanhola para o filme se deve principalmente ao protagonista, interpretado pelo argentino Victor Hugo Carrizo. O filme foi o vencedor de sua categoria (curta em 35 mm) do Festival de Brasília de 2007.

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