quinta-feira, abril 09, 2009

COLÁPSO NO ÁRTICO (The Last Winter)



Depois de ter me impressionado com o ótimo SKIN AND BONES (2008), o aterrorizante episódio que Larry Fessenden dirigiu para a série/antologia FEAR ITSELF, meu interesse pelos (poucos) filmes do diretor aumentou bastante. E quando soube que COLÁPSO NO ÁRTICO (2006) havia sido lançado em DVD no Brasil, fiquei logo feliz e tratei de alugar. Pena que o filme me decepcionou. Embora tenha elementos em comum com SKIN AND BONES e, com certeza, também com WENDIGO (2001), que ainda não vi, o filme se prolonga demais e a trama intricada sobre a companhia de petróleo faz crer que COLÁPSO NO ÁRTICO tem intenções de abordar o tema da ecologia, do aquecimento global, ainda que, no fim, o mais importante seja mesmo a construção do suspense.

Há também um interesse, diria até uma obsessão, do diretor pelo branco da neve e pelas regiões desoladas e gélidas do planeta. Seu três trabalhos na direção abordam o terror nesse tipo de região. Em COLÁPSO NO ÁRTICO, Ron Perlman interpreta o líder de um grupo de pesquisadores ambientalistas que trabalham numa região fria e desolada, sob supervisão do governo americano. Em meio a uma crise de ciúme ao saber que sua então namorada está agora de caso com outro sujeito do grupo, quando retorna para a base, o personagem de Perlman passa a testemunhar, ainda que com ceticismo e negação, uma série de eventos misteriosos. O primeiro caso mais grave acontece quando um de seus homens enlouquece e seu corpo nu é encontrado sem os olhos e sem o pênis, levados pelos pássaros, distante da base. Tudo indica que espíritos da natureza estariam se rebelando com o grupo e com a exploração do petróleo.

Uma das melhores coisas do filme é o visual branco do norte do Alasca, que pode ser tão assustador quanto um deserto quente, como o do Saara, ou a imensidão da Floresta Amazônica. É o chamado "terror cósmico", como li num texto que falava sobre o sentimento dos estrangeiros em relação à Amazônia. O branco também ajuda a acentuar as sequências em que há sangue, embora elas sejam poucas nesse filme que privilegia mais o horror psicológico do que a trama ambientalista. Acho curioso o fato de Fessenden ter acertado com muito mais eficiência num episódio de cerca de quarenta minutos e não ter conseguido em uma hora e quarenta minutos e um orçamento maior.

P.S.: Os episódios não disponibilizados na internet de FEAR ITSELF aparentemente não passaram mais nos Estados Unidos, mas parece que alguém do Brasil os ripou e compartilhou, em qualidade inferior (a maioria em mp4), mas que ao menos me possibilitará ver o restante da única temporada da cancelada série.

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