terça-feira, julho 15, 2008

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA - O FILME (Journey to the Center of the Earth)























Já está se falando em mais uma revolução no cinema. Depois do cinema falado, do advento das cores, do cinemascope e até do sexo explícito como formas de atrair o público para a telona, chega agora a vez da tecnologia em 3D. Um novo tipo de tecnologia, não aquela que ficou popular no passado, usada mais recentemente em PEQUENOS ESPIÕES 3D, com aqueles óculos que davam uma tremenda dor de cabeça. Dessa vez, o projetor é preciso estar equipado com essa nova tecnologia e os óculos são de cristal líquido. E é aí é que está o problema das salas brasileiras. Menos de dez salas em todo o Brasil dispõem desse tipo de projetor. Por isso, ver a aventura VIAGEM AO CENTRO DA TERRA (2008) no sistema convencional não chega a ser tão animador, apesar de o filme ser até bem simpático. O uso das cores e o clima de montanha-russa que o filme traz faz com que nós, que moramos em cidades que ainda não dispõem desse equipamento, apenas possamos imaginar como seria. Mas acredito que é questão de tempo para que esse tipo de tecnologia chegue em mais salas. Pelo menos eu quero ver o retorno de James Cameron, com o seu AVATAR, no ano que vem, já em 3D.

Essa tecnologia representa mais uma saída desesperada dos executivos de Hollywood para manter o cinema vivo, menos pelo amor à arte e mais pelos lucros, cada vez mais perdidos pela internet e pela pirataria. A televisão digital e os vídeos de alta definição, como o Blu-ray, se por um lado ajudam a combater a pirataria, por outro, podem ser uma boa desculpa para que o espectador prefira ficar em casa, com sua televisão em LCD, seu aparelho de Blu-ray e seu home theater. Mas eu acredito que o cinema sempre acaba encontrando meios de se manter vivo e como as coisas acontecem de maneira muito rápida, logo logo veremos as cenas do próximo capítulo dessa novela.

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA, ao contrário do que muita gente pensa, não se trata de uma adaptação da obra de Julio Verne, embora o livro funcione como uma espécie de mapa para que os aventureiros do filme possam vivenciar a experiência de um mundo existente no centro do nosso planeta. O filme é a estréia na direção de Eric Brevig, veterano responsável pelos efeitos especiais de filmes como O VINGADOR DO FUTURO, OLHOS DE SERPENTE, O DIA DEPOIS DE AMANHÃ e A ILHA. Nada mais natural que um especialista em efeitos dirija um filme onde eles sejam a base do trabalho. Porém, para aqueles que viram o filme em 2D (a maioria dos espectadores brasileiros), VIAGEM AO CENTRO DA TERRA é apenas mais uma aventura divertida e descartável. Não deixa de ser um filme bem animado e a escolha do trio que encabeça o elenco também foi bastante feliz. Por mais que eu não goste da série A MÚMIA, Brendan Fraser é um sujeito simpático, e Josh Hutcherson, em sua curta carreira marcou bastante no surpreendente PONTE PARA TERABÍTIA. Quanto à garota do filme, ela é uma islandesa de verdade e tem bastante carisma.

No filme, Fraser é um geólogo e professor que recebe a visita de seu sobrinho que chegou para passar uns dez dias em sua casa. O irmão do personagem de Fraser e pai do personagem de Hutcherson havia desaparecido tentando encontrar o Centro da Terra e por algumas coincidências do destino, tio e sobrinho vão parar na Islândia, à procura de um outro "verniano" (nome dado àqueles que acreditam que os livros de Julio Verne não são ficção, mas ciência). Como o senhor já havia morrido, a filha dele, cobiçada pelos dois, se encarrega de levá-los até o lugar desejado. É quando vários raios fazem com que os três se encontrem soterrados dentro de uma caverna e à procura de uma outra saída. O resto já dá pra imaginar. A partir desse momento, o filme vai ganhando um colorido diferente, e é aí que entra com mais força a imaginação de quem não está vendo o filme em três dimensões. Em certos momentos, o colorido do filme parece saído de uma ficção científica dirigida na Itália nos anos 60, o que não deixa de ser bonito. Mas a idéia de VIAGEM AO CENTRO DA TERRA é mesmo não deixar a peteca cair no que se refere à ação e à aventura dos três naquele lugar estranho, povoado de criaturas como dinossauros, plantas carnívoras e pássaros fluorescentes. E o filme tem mesmo o mérito de não se tornar enfadonho em momento algum nos seus compactos 92 minutos de duração, embora seja facilmente esquecido assim que se sai do cinema. No entanto, ao ver um grupo de adolescentes saindo da sala e falando sobre placas tectônicas e centro da Terra, tive um breve lampejo de esperança de que a juventude de hoje não está totalmente perdida.

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