quarta-feira, outubro 01, 2014

SIN CITY – A DAMA FATAL (Sin City – A Dame to Kill for)



Quando Frank Miller foi revelado para o mundo com seu estilo cinematográfico de fazer histórias em quadrinhos no título do Demolidor, muita gente já se perguntava por que ele não faria cinema. Seria um cineasta e tanto. No papel, parecia verdade, mas tudo que Miller pôs a mão no cinema foi um desastre. Desde os roteiros para ROBOCOP 2 (1990) e ROBOCOP 3 (1992), passando pela codireção com Robert Rodriguez de SIN CITY – A CIDADE DO PECADO (2005) até a horrível e única experiência solo na direção de longas em THE SPIRIT – O FILME (2008), tudo é muito ruim.

Quanto ao novo SIN CITY – A DAMA FATAL (2014), além do problema de timing (há uma distância temporal enorme entre o primeiro filme e este, além do fato de as HQs de Miller terem perdido o hype), somos enganados pela criativa propaganda, representada principalmente pelos belos cartazes de divulgação, principalmente o que mostra Eva Green usando um vestido transparente e exibindo suas formas voluptuosas.

E apesar de a atriz aparecer nua (enquanto Jessica Alba segue fazendo aquele strip-tease para criança ver), isso não ajuda em nada a melhorar aquilo que até tem um visual bonito e que parece ainda mais devedor dos quadrinhos de Miller, mas que se mostra vazio à medida que o enredo de múltiplas histórias prossegue.

Os dois personagens mais marcantes do primeiro filme reaparecem aqui: o Marv, de Mickey Rourke, e o Hartigan, de Bruce Willis, este apenas como fantasma. Há coisas que não aparecem nas HQs de Sin City. Mas no geral o que se vê é um desfile de astros famosos sendo desperdiçados em um filme que desperta mais sono do que interesse. Além dos já citados Rourke, Willis, Green e Alba, há ainda Joseph Gordon-Levitt, Josh Brolin (esse, na trama principal, da tal Dama Fatal), Powers Booth, Ray Liotta, Rosario Dawson, Stacy Keach (irreconhecível), entre outros.

A única vantagem de haver um novo SIN CITY é a chance de parte da plateia não ter visto o primeiro filme, que inovava em aspectos formais. Mas esse tipo de inovação – excesso de CGI e fotografia estilosa – também já foi explorado, e até de maneira melhor, nos dois filmes de 300, também baseados em personagens de Frank Miller. Sem falar em THE SPIRIT, que também copia essa forma, despida de cores e com uma ou outra coisa colorida em destaque. Em A DAMA FATAL, o maior destaque são os lábios vermelhos da personagem de Eva Green. Mas só em alguns poucos momentos. Assim, o frescor que havia durante o primeiro filme perde-se nesta sequência. Vai ver por isso foi um fracasso nas bilheterias.

Mas o maior problema está na completa falta de força nas histórias e de seus personagens e no jeito desleixado de direção e montagem já típico de Rodriguez, que não faz um filme bom de verdade desde PLANETA TERROR (2007) e vem tentando conquistar audiências que curtem homenagens a filmes exploitation, como os dois filmes do Machete (2010, 2013).

E falando em exploitation, não deixa de ser bonito o sangue branco espirrando nas cenas de violência com objetos cortantes em A DAMA FATAL, mas nada disso é mérito do filme, mas da obra original de Miller, que tem seu poder diminuído nessa tradução para as telas. Bem que já se percebia no ar um clima de frieza diante da obra, que desanima até mesmo quem já espera o pior.

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