terça-feira, setembro 30, 2014

SE EU FICAR (If I Stay)



Muitos têm comparado SE EU FICAR (2014) com outro melodrama estrelado por adolescentes, que aportou nos cinemas recentemente: A CULPA É DAS ESTRELAS. Tudo bem que ambos têm esse ponto em comum e ambos lidam com a emoção e com as ideias da morte e do amor romântico, mas é cada um à sua maneira. O filme que mais poderia ser comparado a SE EU FICAR seria UM OLHAR DO PARAÍSO, de Peter Jackson, que também mostrava uma garota no limbo. A diferença principal, além de a garota no filme de Jackson já estar morta, é que o trabalho de R.J. Cutler é muito mais eficiente e emocionante que o de Jackson. Mas deixemos o chato filme de Jackson pra lá e nos atentemos a esse belo conto sobre vida, morte, amor e música.

Sim, a música tem uma importância fundamental para o filme. É ela, inicialmente, que une o casal de protagonistas. Adam (Jaime Blacley) se apaixona à primeira vista por Mia (Chlöe Grace Moretz) quando a vê tocando, solitária, seu violoncelo. Ela vem de uma família de roqueiros, mas escolheu ou foi escolhida pelo violoncelo. Quanto a Adam, o rapaz é líder de uma banda de rock que tende a crescer. E se a música é elemento que os une (mesmo sendo ambos de diferentes estilos), ela é também algo que pode separá-los.

Mas antes que a música os separe, algo muito mais perigoso pode acontecer: a morte, que veio na forma de um acidente de automóvel, em uma pista escorregadia, num dia de muita neve. No caso de Mia, ela fica numa situação de quase morte, estando consciente e vendo tudo o que se passa ao redor, mas sem saber como voltar ao próprio corpo.

Embora haja uma história de amor até que bem bonitinha no filme, SE EU FICAR cresce de verdade quando amplia o seu espectro para a vida como um todo. Inclusive, o momento mais emocionante do filme vem de um ator veterano, Stacy Keach, que interpreta o avô de Mia. Se até a cena em que ele está no hospital falando com ela você ainda não chorou, essa é a hora. No meu caso, foi quando eu finalmente me rendi ao filme. Até então estava apenas achando mediano, embora tenha uma boa estrutura narrativa e uma personagem em crise bem interessante – Mia, em busca de se ajustar em sociedade.

Outro momento de arrepiar envolve uma conhecida canção dos Smashing Pumpkins (banda do coração deste que escreve), que acabou me deixando em estado ainda mais emotivo. A certa altura já tinha me juntado ao coro de narizes escorrendo no cinema. E não era gripe. O filme guarda para o final justamente um dos momentos mais sublimes do filme, o que só pode gerar uma boa impressão, diante de tanta harmonia e beleza. A própria canção, embora seja alegre, flerta com a tristeza, e isso combina perfeitamente com o tom do filme e a situação da personagem, em momento de decidir entre viver ou morrer.

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