sábado, setembro 13, 2014

RIO, EU TE AMO (Rio, I Love You)



Tenho especial apreço por filmes em segmentos, especialmente quando dão total liberdade para que os realizadores possam fazer o que quiserem nesse curto espaço de tempo. RIO, EU TE AMO (2014) pode não ser lá um grande filme e há sim alguns episódios bem ruins, mas há outros que compensam a ida ao cinema. E são justamente filmetes que não tratam de enaltecer a "cidade maravilhosa", querendo apenas se concentrar na história.

Dos dez episódios, o mais belo e que já impacta logo nas primeiras imagens é "Texas", de Guillermo Ariaga (VIDAS QUE SE CRUZAM, 2008). A imagem de um homem sem braço levando a esposa numa cadeira de rodas já tem um poder imagético e dramático fenomenal. Na trama, ex-boxeador que perdeu o braço em um acidente automobilístico precisa de dinheiro para a cirurgia que pode fazer com que sua esposa volte a andar. Um dia, ele recebe uma proposta indecente.

O segundo mais interessante de RIO, EU TE AMO é "Vidigal", de Sang-soo Im (THE HOUSEMAID, 2010), que traz Tonico Pereira como um vampiro dos trópicos. O segmento é tão divertido que nem dá pra acreditar na coragem do cineasta sul-coreano em ter aproveitado o convite para integrar o filme-homenagem ao Rio e fazer uma brincadeira que muitos considerarão de mau gosto.

Outro que talvez possa ser visto como sendo de mau gosto é "Grumari", de Paolo Sorrentino (A GRANDE BELEZA, 2013). Em vez de uma história de amor, o diretor italiano nos presenteia com uma história de ódio entre um casal formado por um senhor idoso e uma mulher que lhe humilha (Emily Mortimer, da série THE NEWSROOM).

Enquanto isso, Andrucha Waddington (CASA DE AREIA, 2005) opta pelo convencional e pela história com moral, estrelada por sua sogra Fernanda Montenegro, uma mulher que prefere viver na rua. Os brasileiros, aliás, tiveram todos resultados fracos, como foi também o caso de José Padilha (TROPA DE ELITE, 2007) e sua polêmica com o principal cartão postal da cidade; Carlos Saldanha (RIO, 2011) e sua história fraca envolvendo casal de bailarinos (Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer); e principalmente Fernando Meirelles (CIDADE DE DEUS, 2002), com a mais fraca de todas as histórias, estrelada por Vincent Cassel fazendo escultura de areia. César Charlone (que é uruguaio, mas faz filme no Brasil) e Vicente Amorim, como diretores responsáveis por ligar as histórias, não contam.

Quanto a Stephan Elliot (PRISCILA, A RAINHA DO DESERTO, 1994), ele é responsável pela história gay estrelada por Ryan Kwanten (série TRUE BLOOD) e Marcelo Serrado; John Turturro opta por uma história com mais cenas interiores e com discussão de relacionamento, e Nadine Labaki dirige e atua em uma das mais simpáticas histórias, “Milagre”, com participação de Harvey Keitel e de um garoto-revelação, Cauã Antunes.

Entre mortos e feridos e alguns momentos realmente tediosos, é bem provável que RIO, EU TE AMO, graças a seus pontos altos, se torne mais memorável que o insosso NOVA YORK, EU TE AMO (2008).

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