sexta-feira, setembro 12, 2014

ERA UMA VEZ EM NOVA YORK (The Immigrant)



Será que temos, na atualidade, um cineasta como James Gray, que só possui em seu currículo obras excelentes? Tudo bem que, dos anos 1990 pra cá, quando estreou com FUGA PARA ODESSA (1994), ele só contabiliza cinco filmes, mas todos eles são de uma força extraordinária que nos permitem afirmar que se trata de um dos maiores cineastas do mundo contemporâneo. Se ERA UMA VEZ EM NOVA YORK (2013) não tem o mesmo impacto de dilacerar a alma de AMANTES (2008), trata-se de uma obra mais ambiciosa em diversos aspectos.

A começar pela produção, direção de arte, figurinos, fotografia, tudo feito com a intenção de recriar velhas fotografias que Gray conseguiu da Nova York da década de 1920, de um tempo muito mais sombrio. Se já eram tempos difíceis para os americanos, é de se imaginar o quanto foi para os estrangeiros que desembarcaram naquela nova terra, em busca de felicidade, fugindo da guerra e da fome que infestavam muitos países da Europa.

É o caso da polonesa Ewa Cybulska, vivida pela linda e talentosa francesa Marion Cotillard. Ela desembarca com a irmã tuberculosa, mas precisa se virar sozinha, já que a irmã é obrigada a ficar presa em uma ilha, em quarentena. Quem a salva de ser deportada é um estranho, Bruno Weiss (Joaquin Phoenix, em quarta parceria com Gray), que paga para tirá-la dali e a apresenta a um novo mundo, um mundo de apresentações de nudez e prostituição em teatros decadentes. No fundo, o sentimento que ele nutre por ela é de amor, mas isso não impede que ele a explore como faz com as outras. E por causa da beleza, ela se destaca das demais.

Assim como nos quatro filmes anteriores de Gray, ERA UMA VEZ EM NOVA YORK toca fundo na temática da família. A família que, paradoxalmente, é um elemento de grande apreço (Ewa se anula e se prostitui com a finalidade de resgatar a irmã), como também de infortúnio (Ewa é abandonada pelos tios e Bruno e o primo são inimigos mortais).

Falando no primo de Bruno, vale destacar a importância de Emil (Jeremy Renner), que trabalha como mágico e que se encanta por Ewa. Estabelece-se rapidamente um triângulo amoroso, com Emil representando a tão sonhada liberdade desejada pela protagonista em solo americano, enquanto Bruno representa o realismo brutal, já que foi ele quem a apresentou àquele circo de horrores.

Joaquin Phoenix mais uma vez mostra que é um dos grandes atores de sua geração, principalmente na cena final com Cotillard, na ilha, quando fala o quanto é nada, quanto também se anula naquele momento, despido da fachada de poder que inicialmente vestia. Essa fachada, aliás, já se quebrava na presença daquela mulher frágil, mas ao mesmo tempo intocável. E como nos demais filmes de Gray, em ERA UMA VEZ EM NOVA YORK, seus personagens acabam chegando a finais indesejados, em tom amargo, e com os corações quebrados pelo destino e pelas paixões.

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