terça-feira, setembro 02, 2014

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE (The Grand Budapest Hotel)



Uma projeção ruim pode afetar bastante a apreciação de um filme. No caso, uma muito ruim, pois saí do cinema Del Paseo com muita dor de cabeça e com a certeza de jamais botar os pés naquela sala novamente. Aquilo ali é caso de chamar as autoridades responsáveis e pedir não só o dinheiro de volta, mas alguma espécie de indenização. Mesmo assim, passada a raiva, fiquei pensando no quanto eu gosto da obra de Wes Anderson. Ou se eu gosto verdadeiramente. Digo isso pois o único filme dele que me deixou realmente emocionado foi OS EXCÊNTRICOS TENENBAUMS (2001). E lá se vão 13 anos.

Por outro lado, sabemos que Anderson não é bem um cineasta que busca a emoção vulgar por assim dizer, mas que prefere a estranheza proposital que ajuda a definir a sua marca autoral. Entra então a questão: não gostar de um cineasta por não se identificar ou não entrar em sintonia com sua obra deve ser levado em consideração em uma crítica séria? (Não que esta seja uma crítica séria, mas resolvi colocar a questão em pauta, caso fosse.)

Sei que O GRANDE HOTEL BUDAPESTE (2014) é um filme que merece sim uma revisão em casa, mas enquanto isso não vem, vamos da impressão inicial, fazendo de conta que eu assisti em condições normais. A primeira coisa que salta aos olhos é a quantidade de gente famosa no cartaz: Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Jude Law, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Tom Wilkinson e Toni Revolori como ator-revelação.

Um elenco desses, em quantidade, não se encontra nem nos trabalhos de Woody Allen. Todos estão ali para prestigiar a grande brincadeira do diretor, já que o filme é uma comédia atípica (não para Anderson, claro) que brinca até mesmo com a janela, alternando de 1,85:1 (no "presente") para 1,33:1 (nos flashbacks). Os personagens são mostrados quase como heróis de desenhos animados.

Daí lembrarmos imediatamente do tom (seja na fotografia, seja no andamento narrativo) de O FANTÁSTICO SR. RAPOSO (2009). No meio de tanto gosto pela forma, o conteúdo deixa de ser tão importante, embora a história seja divertida e bem conduzida, mostrando as aventuras do gerente de um hotel de luxo (Fiennes) cuja amante idosa (Swinton) morre e ele recebe como herança um valioso quadro. O problema é que a família dela não aceita aquele homem, tido como um cafajeste aproveitador. Ao lado do personagem de Fiennes está seu fiel escudeiro Zero Moustafa (Revolori), um lobby boy novato sempre disposto a ajudar o chefe, mesmo nas mais arriscadas ações.

As histórias se passam no período entre as duas grandes guerras e isso acaba tornado o filme mais interessante. O GRANDE HOTEL BUDAPESTE é inspirado em escritos de Stefan Zweig, cujas obras podem ser vistas adaptadas para o cinema em filmes tão diferentes como CARTA DE UMA DESCONHECIDA, de Max Ophüls, e A COLEÇÃO INVISÍVEL, de Bernard Attal.

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