domingo, abril 27, 2014

TUDO POR JUSTIÇA (Out of the Furnace)



Como diria a cantora Kátia, "não está sendo fácil". Uma virose atrás da outra justo quando você está atolado de trabalho e precisando de energia para fazer o que precisa fazer e fazer também aquilo que gosta de fazer. Quase sem voz na sexta-feira, ainda assim estava lá na escola, tentando dar aula. Consegui me poupar, com a ajuda dos colegas. Afinal, teria que dar aula num curso de pós no sábado o dia inteiro, no interior do estado. Estava preocupado com isso. Felizmente, sobrevivi, a aula foi ok, e cá estou eu, ainda não inteiro, mas pelo menos com o espírito um pouco mais tranquilo. Só falta o corpo reagir melhor.

Enquanto isso, o blog esteve parado por alguns dias, coisa que não gosto de fazer, já que esse espaço, por mais que tenha perdido muito da audiência nos últimos anos com a concorrência desleal com o Facebook, ainda é o meu xodó e eu queria muito poder continuar escrevendo todos os dias. Até porque acho que escrever sobre um filme é uma extensão de sua apreciação. O problema é quando juntam tantos filmes que você nem sabe mais quando terá tempo para escrever sobre eles. Mas essa é a menor das minhas preocupações no momento.

Vamos então de TUDO POR JUSTIÇA (2013), de Scott Cooper, que eu vi há quase um mês e nem sei se vou me lembrar do plot. O que não dá pra esquecer é logo do início, quando vemos um Woody Harrelson malvadão cometendo atos violentos em um cinema drive-in. A cena é boa e Harrelson está num momento ótimo de sua carreira. Mas ele é apenas coadjuvante (ainda que muito importante) nesta história de dois irmãos pobres em uma cidadezinha que sobrevive principalmente de uma usina metalúrgica.

Christian Bale é Russell. Não dá pra dizer que é feliz, mas pelo menos ele tem uma bela mulher ao seu lado e que faz com que a vida pareça valer a pena. A mulher é vivida pela lindíssima Zoe Saldana. Então, é fácil entender a sua visão da vida. Já o seu irmão, Rodney, é mais rebelde e acha que arranjar emprego de operário naquela cidade é coisa de perdedor. Por isso ele prefere se alistar e correr risco de morrer ou ficar aleijado na Guerra do Iraque. Retorna à cidade, mas apenas para descobrir que o irmão está preso. Russell havia bebido e acabou cometendo um acidente na estrada e ocasionando a morte de uma mulher. A vida na prisão faz com que ele perca a mulher de sua vida.

E um dos momentos mais tocantes do filme é o reencontro com ela, quando ela já está casada com o delegado da cidade (Forrest Whitaker) e a dor daquele encontro é sentida pelos personagens e pelo espectador. Lembremos que o diretor Scott Cooper fez um tocante drama sobre um cantor decadente de música country, CORAÇÃO LOUCO, e tem uma boa mão para cenas dramáticas. Essa é talvez a melhor do filme, já que o restante tende mais para o thriller.

Mesmo como thriller, TUDO POR JUSTIÇA é eficiente. Basta lembrar a cena em que os dois irmãos entram no covil do chefão do tráfico (Harrelson), numa sequência de grande tensão. Também merecem destaque as cenas de luta de rua do rebelde Rodney. Willem Dafoe está também muito bem como o homem que coordena as proibidas e violentas lutas.

Talvez TUDO POR JUSTIÇA precisasse de um final mais pancada, talvez ainda mais niilista do que ficou, para que o segundo longa de Cooper fosse encarado como uma obra de primeira grandeza. Não chegou lá, mas é certamente um filme que merece ser conferido com todo o prazer e a dor que ele proporciona.

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