quinta-feira, abril 10, 2014

CAPITÃO AMÉRICA 2 – O SOLDADO INVERNAL (Captain America: The Winter Soldier)



Mesmo não tendo um grande ator protagonizando os filmes, o Capitão América foi o herói que se saiu melhor dentre as produções dos Estúdios Marvel. Não chegou a ser um golpe de sorte, já que o primeiro filme, CAPITÃO AMÉRICA – O PRIMEIRO VINGADOR (2011), já contava com um talentoso diretor, Joe Johnston, e com um foco nas origens do personagem, centrando a ação na Segunda Guerra Mundial. Assim, foi um misto de filme de super-herói com filme de guerra.

Uma vez que o herói foi encontrado em animação suspensa décadas depois, a realidade é outra e Steve Rogers (Chris Evans) vive em um mundo que não sente como sendo seu, mas que em CAPITÃO AMÉRICA 2 – O SOLDADO INVERNAL (2014), dos irmãos Joe e Anthony Russo, não parece ser um grande problema ou algo a ser mais investigado, até por já ser ligeiramente mencionado no filme dos Vingadores.

E se o primeiro filme do Capitão era meio filme de guerra, O SOLDADO INVERNAL é meio filme de espionagem, com direito a presença de Robert Redford, que trabalhou em uns interessantes filmes do gênero, especialmente na década de 1970. Foi uma decisão acertada, baseada principalmente no sucesso das histórias em quadrinhos criadas por Ed Brubaker, o primeiro nome dentre os agradecimentos, nos créditos finais. Nada mais justo: foi ele quem criou a trama do Soldado Invernal, que na verdade é Bucky Barnes, parceiro do Capitão na Segunda Guerra, mas que esteve sendo controlado mentalmente por seus inimigos durante várias décadas em ataques terroristas. No novo filme, Steve Rogers aparece vestido com três uniformes, além dos trajes civis: o do século XXI, o dos tempos da guerra e o que ele usa nos quadrinhos para as operações com os Vingadores Secretos.

Dentre as melhores coisas do filme, está um dos inimigos mais interessantes do Capitão, o Dr. Armin Zola, que já aparece na forma de um cérebro transplantado para um computador. A ideia de ter a SHIELD sendo comprometida pela organização terrorista Hidra também foi muito bem aproveitada no enredo, assim como as muito bem-vindas participações da Viúva Negra (Scarlett Johansson), do Falcão (Anthony Mackie), do Nick Fury (Samuel L. Jackson, que está em todas) e de Maria Hill (Cobie Smoulders). É quase como se fosse um segundo filme dos Vingadores, com a diferença que o registro aqui é mais sério. O que pode até destoar um pouco da maioria das produções dos estúdios, que primam pela leveza. Uma leveza que torna os filmes esquecíveis, quase descartáveis.

Talvez o problema maior de CAPITÃO AMÉRICA – O SOLDADO INVERNAL seja a falta de um maior aprofundamento dramático na reação do Capitão ao ver que seu velho amigo é uma marionete nas mãos do inimigo. Sem dúvida, isso se deve em parte à dificuldade em transpor esse tipo de dramaticidade que é tão bem explorada nos quadrinhos de Brubaker em um filme de cerca de duas horas e que se pretende ser também de espionagem e de ação. Porém, é algo que se esperaria para um resultado mais satisfatório.

Como nem sempre se pode ter tudo, podemos ver o filme como sendo um bom passo a frente para uma possível evolução dramática das próximas produções da Marvel, depois do equivocado HOMEM DE FERRO 3. Inclusive, se nos colocarmos dez ou quinze anos atrás no tempo, vamos imaginar o quão felizes ficaríamos com uma materialização tão caprichada dos nossos heróis favoritos na telona. Falta, porém, a esses filmes, o mesmo prazer que uma simples HQ de linha proporciona. Mas devagar eles chegam lá.

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