terça-feira, janeiro 05, 2010

CONTATOS DE 4º GRAU (The Fourth Kind)



Qual é a atual tendência do cinema de horror? Digo, tirando a mania de fazer remakes? Talvez seja a busca por um cinema mais próximo da verdade. Daí vem o já manjado uso do falso documentário - ou mockumentary. CONTATOS DE 4º GRAU (2009) é um híbrido: tenta fazer uma mistura de supostas imagens de arquivo, junto com uma dramatização. A proposta é explicitada logo no prólogo, quando Milla Jovovich nos conta que interpretará a Dra. Abigail Tyler, que vive numa cidadezinha do Alaska com alto índice de estranhos desaparecimentos. Ela recebe pacientes que apresentam pesadelos similares e que respondem de maneira bem sinistra à hipnose. Os resultados trágicos pós-hipnose chamam a atenção do xerife da região (Will Patton), que suspeita que a Dra. Abigail Tyler está escondendo alguma coisa e não acredita em nenhuma de suas teorias envolvendo abdução alienígena.

O problema do filme é a incapacidade de construir uma atmosfera de terror, mínima que seja. Além do mais, nas cenas em que vemos em paralelo as imagens gravadas pela Dra. Tyler, as cenas dramatizadas se tornam ainda menos críveis, já que o filme já as expõe como dramatização. Pra completar, as tais cenas "documentadas" também são frustrantes em sua capacidade de assustar ou mesmo de intrigar. O filme quer vender as cenas como verdadeiras, não abrindo mão de alguns detalhes, como a omissão de nomes de pessoas. Se elas são de fato reais - o que eu acho pouco provável -, é uma pena que o diretor e os roteiristas não tenham conseguido dar a devida força a elas, em parte pela pouca experiência, em parte por incompetência mesmo. Comparando com o tenso e eficiente ATIVIDADE PARANORMAL, então, é que CONTATOS DE 4º GRAU se torna ainda menor e insípido. Há também um grave problema de montagem, que torna o filme às vezes confuso e quase sempre quadrado.

Continuando o questionamento feito no primeiro parágrafo, se a atual tendência do cinema de horror é mesmo usar de tentativas de enganar a audiência com supostas cenas documentadas ou com filmes de teor documental, acredito que essa tendência já está exibindo fortes sinais de cansaço. Para se analisar a generosa quantidade de filmes usando desse recurso, por mais que exista uma coisa importante, como a demanda de mercado, existe também outra, que é a investigação sociológica do porquê de o público estar interessado nesse tipo de filme. Será que o bom e velho estilo clássico-narrativo deixou de impressionar a audiência? De todo modo, acredito que demônios ou fantasmas ainda assustam muito mais que alienígenas. Tudo bem que é tudo questão de saber lidar com o assunto, mas mesmo nos tempos de ARQUIVO X, as abduções alienígenas provocavam mais mistério do que horror.

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