segunda-feira, dezembro 22, 2003

MEZZO FORTE



Assisti ontem MEZZO FORTE (2001) e adorei!! É um anime com muita violência e sexo explícito. Mas o engraçado é que ao invés de soar pesado, a violência, o sexo e o jeitão bem humorado com que a trama é contada, deixa uma sensação prazeirosa de estranha leveza. É um pouco como um cruzamento de dois filmes do Takashi Miike: o FUDOH: THE NEW GENERATION (1996), pela violência entre gangs carregada de humor negro e situações inusitadas (garotos jogando bola com uma cabeça humana, mulher que atira dardos pela vagina); como lembra também a leveza de VISITOR Q (2001) em meio a tanta violência gráfica. Lembra também um pouco o MISSÃO: IMPOSSÍVEL (1996) do Brian DePalma no começo, por causa das cenas de espionagem.

Mas lembrando, é claro, que estamos falando de um desenho animado. Interessante é que o desenho é mesmo um tesão. Não sei se porque eu estou virando mesmo um pervertido (hehehe), mas eu fiquei animado logo no começo do filme, quando vi uma das personagens só de biquini e com um belo decote. Já dá pra ir imaginando o que pode rolar nas cenas hardcore. E as tais cenas não decepcionam. Pelo contrário: até surpreendem pela ousadia.

O diretor Yasuomi Umetsu ficou famoso no universo dos hentais ao dirigir o festejado KITE (1998), um anime também cheio de garotinhas angelicais e gostosas fazendo sexo, e com uma história recheada de muito sangue e violência. Curiosamente, no currículo de Umetsu, consta que ele foi animador da obra-prima CEMITÉRIO DE VAGALUMES (1988), de Isao Takahata. Lembrando que o filme do Takahata é seríssimo e não tem nada dessas sacanagens dos filmes do Umetsu. Hehehhee.

A qualidade dos desenhos e da animação é de dar gosto. Assim como a qualidade da cópia que o Marcelo conseguiu pra mim. (Thanx, again, buddy!!!) O Marcelo foi quem me indicou esse anime, quando eu estava querendo negociar com ele algum hentai de qualidade. E realmente ele acertou na mosca.

A história do filme é meio confusa, como também são vários dos filmes orientais que mostram conflitos de gangues, mas depois que a gente se acostuma com o ritmo e o clima do filme, fica tudo beleza. Mas resumindo um pouco: Mikura é uma assassina que trabalha com um grupo a fim de matar um chefão da máfia local. Esse chefão também tem uma filha diabólica, que mata pessoas a fim de satisfazer o seu desejo. As cenas de luta também são ótimas, hein! E o sangue e o esperma espirram exageradamente, o que fica até graficamente bem bonito.

O único problema é que o filme é curtinho. Menos de 1 hora. E olha que é a director's cut, com as cenas x-rated incluídas. Existe também uma versão sem as cenas de sexo. MEZZO FORTE, na verdade, trata-se de um OVA de dois episódios que juntos formam um filme. Até achei que tivesse uma continuação, mais episódios, mas não tem. Fiquei com vontade de ver agora o KITE.

domingo, dezembro 21, 2003

ANYTHING ELSE



Graças à junção camaradagem + comunicação, consegui ver hoje em divx, o novo e ainda inédito no Brasil ANYTHING ELSE (2003), de Woody Allen. Eu achei uma delícia o filme. Muito melhor que DIRIGINDO NO ESCURO (2002), que realmente decepciona um pouco. Allen pode não estar tão genial quanto em DESCONSTRUINDO HARRY (1997), mas nesse caso a intenção é fazer mesmo um filme despretensioso, como tem sido a marca desses filmes produzidos pela Dreamworks de Steven Spielberg. Parece que esse é o último filme dessa parceria e Allen deve voltar para a produção independente.

O mais gostoso de ANYTHING ELSE é ver uma renovação, um rejuvenescimento nos filmes de Woody. Refiro-me principalmente ao elenco jovem e à bela história de amor e separação dos jovens Jason Biggs e Christina Ricci. (Ah, a juventude!) De certa forma, alguns dos diálogos soaram meio deslocados, afinal, ver uma jovem de vinte e poucos anos que admira Humphrey Bogart e Cole Porter não é muito comum (ainda que não seja impossível). Mas é que fica claro que é Allen mais uma vez prestando homenagem aos seus ídolos. Em se tratando de diálogos esse filme é maravilhoso. Quem é fã do homem sabe que ele é brilhante nesse quesito. E como o filme não tenta forçar risadas como no caso do anterior, acaba fluindo muito melhor.

A história do filme mostra Biggs como um aspirante a comediante que é apaixonado pela complicada Christina Ricci, tem um mentor espiritual (Woody Allen), um empresário pouco confiável (Danny DeVito) e que freqüenta um consultório de psicanálise regularmente para exorcizar suas neuras. Esse é o mais romântico filme de Allen desde TODOS DIZEM EU TE AMO (1996), ainda que o romantismo seja sempre associado ao desencanto, à dificuldade de manter um relacionamento, mesmo quando se dá tudo de si.

Uma das cenas mais bonitas está no começo do filme, quando Biggs espera por Ricci na chuva, para comemorarem o seu aniversário com um jantar. Ela se atrasa e ele fica ensopado e ainda tem de pagar o taxi. Ele fala que ela está linda e ela diz: “não, eu estou gorda.” Christina Ricci está bem bonita no filme, ainda que seja uma beleza fora dos padrões. Eu particularmente gosto daquela rosto redondo e daqueles olhos grandes que parecem saídos de uma animação japonesa. E ela tem uma sensualidade natural, que pode ser conferida no filme.

O personagem de Allen apesar de secundário é muito interessante. Eu adoraria ter um mentor daqueles, passear no parque com o Woody Allen conversando sobre assuntos diversos seria um barato. No elenco também está Stockard Channing, como a mãe de Christina Ricci. Ela faz uma bela cena cantando e tocando uma canção de jazz no piano. Também há uma cena com Diana Krall num bar. Mas as melhores canções do filme são mesmo as cantadas por Billie Holiday. Em especial “Easy to Love” de Cole Porter. Uma das mais belas canções de abertura e encerramento dos filmes de Allen.

Aliás, quem curte Allen já fica com um sorriso todo estampado no rosto sempre que vai começar um filme dele. Mesmo os menos brilhantes. Aquela tela preta apenas com os créditos iniciais e o jazz ao fundo é uma marca do cineasta, que ele não abre mão de jeito nenhum.

Entre as auto-citações, há uma espécie de homenagem à ANNIE HALL (1977), já que Jason Biggs fala freqüentemente para a câmera sempre que se sente frustrado e quer dividir com a gente esse sentimento. Quem viu esse clássico, não esquece da famosa cena da fila do cinema.

O diretor de fotografia do filme é o iraniano Darius Khondji, que fez a fotografia de DELICATESSEN, BELEZA ROUBADA, ALIEN: RESSURREIÇÃO, SEVEN, O ÚLTIMO PORTAL, O QUARTO DO PÂNICO, entre outros. Confirma mais uma vez a preferência de Allen em trabalhar com fotógrafos não-americanos.

O próximo projeto de Woody Allen, ainda sem título, tem no elenco as beldades Amanda Peet e Radha Mitchel, além da garota-polêmica Chlöe Sevigny. É esperar pra ver.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

GOTHIKA



Essa história de pegar filme na internet tá começando a ficar mais constante pra mim. E olha que eu nem uso um desses programas tipo e-mule ou e-donkey. A vantagem é poder ver o filme antes mesmo de ele estrear no cinema, mas é impossível a gente não sentir falta da telona vendo um filme num telinha. Estou dando preferência pra filmes difíceis ou que vão demorar a chegar nos cinemas ou então a filmes que eu não me importaria de ver na telinha por não achá-los tão importantes, mas que mesmo assim gostaria de vê-los. É o caso de GOTHIKA (parece que já arranjaram um título nacional pro filme, mas não me lembro), o terceiro filme da Dark Castle, a produtora de filmes de terror de Robert Zemeckis. Parece que dessa vez eles criaram vergonha e fizeram um filme decente. Os anteriores - 13 FANTASMAS (2001) e NAVIO FANTASMA (2002) - foram decepcionantes.

Para GOTHIKA contaram com um diretor de respeito, o francês Mathieu Kassovitz, diretor de O ÓDIO (1995), ASSASSINO(S)(1997) e RIOS VERMELHOS (2000). Infelizmente não vi nenhum desses filmes, mas eles foram bem elogiados. Acho que no próximo ano, vou tentar conferir o trabalho dele. Portanto, não sei dizer se Hollywood "corrompeu" ou não o diretor, tirando talvez algum traço autoral do diretor.

Nesse filme, Halle Berry é uma psiquiatra de um sanatório para criminosos loucos que, depois de uma estranha, confusa e apavorante noite, acorda presa dentro de uma cela do próprio sanatório onde trabalhava. Sua cabeça dá um nó quando Robert Downey Jr. (em papel discreto) entra na cela e diz que ela está presa por ter matado o próprio marido.

A trama do filme tem um pouco de "whodunit", mas o que pesa mesmo é o lado sobrenatural, já que ela é assombrada por fantasmas. O filme, principalmente na primeira hora, é muito bom e eficiente. Até eu, que vi na telinha, me arrepiei com algumas das cenas mais assustadoras. Uma coisa me passou pela cabeça na cena em que Halle está dirigindo no carro e uma mulher está parada no meio da estrada: é impressão minha ou mulheres misteriosas no meio da estrada são muito mais assustadoras do que homens?? Hehehe..

Achei a participação de Penélope Cruz meio apagada, sem força. Quem brilha mesmo no filme é Halle Berry. Aliás, deve ser mesmo uma honra para os produtores do filme conseguirem uma atriz ao mesmo tempo bonita e talentosa. Não é sempre que filmes de terror tem a chance de trabalhar com atrizes de primeira linha. Halle está maravilhosa e se Hollywood não tivesse preconceito com filme de terror, ia indicá-la ao Oscar de novo por esse filme. A mulher é um espetáculo.

Mesmo decepcionando um pouco no final, GOTHIKA vale ser visto. Deve estrear nas telas brasileiras só em março ou abril de 2004.

terça-feira, dezembro 16, 2003

LUXÚRIA DE VAMPIROS (Lust for a Vampire)



Até que pra um filme que simboliza o início da decadência da Hammer, LUXÚRIA DE VAMPIROS (1971) é legal. Ele é o segundo filme da "trilogia Karnstein". Os outros são CARMILLA - A VAMPIRA DE KARSTEIN (1970) e AS FILHAS DE DRÁCULA (1971), conforme informações obtidas na revista que vem encartada com o DVD do filme. A qualidade do dvd está bem boa, como se o filme fosse novo, e em widescreen.

É o mais sensual filme de vampiro da Hammer que eu vi. Só não é o mais sensual filme de vampiro que eu vi, porque eu tive a sorte de ver VAMPYROS LESBOS(1971), de Jesus Franco. Dizem que o terceiro da trilogia é ainda mais erótico, com duas gêmeas fazendo o papel de vampiras lésbicas. Inclusive, elas foram as primeiras gêmeas a posar para a Playboy. Outra informação obtida na revista.

Na história, rapaz a fim de se dar bem, entra como professor numa escola de moças que fica próximo ao sinistro castelo dos Karnstein, famosos e temidos pela comunidade local. Ele fica particularmente interessado em Micarla - na verdade, a vampira Carmila recém-reencarnada. A moça que interpreta Carmila é uma mulher de beleza nórdica notável - ela é a dinamarquesa modelo Yutte Stensgaard.

O diretor Jimmy Sangster consegue trabalhar os vários personagens dando o devido destaque a cada um, deixando a trama bem amarrada. Sem falar no erotismo light que é um atrativo à parte. Quanto ao sangue mostrado na tela, até que é bem discreto se comparado a O CONDE DRÁCULA (1970). Sangster foi roteirista de diversos filmes célebres da produtora inglesa, entre eles: A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN(1957), O VAMPIRO DA NOITE (1958), A MÚMIA (1959), AS NOIVAS DO VAMPIRO (1960) e DRÁCULA: PRÍNCIPE DAS TREVAS (1965).

Na verdade, não é um filme imperdível como os dirigidos por Terence Fisher ou Roy Ward Baker, mas é bem agradável de se ver. Por mais que a Hammer tenha explorado até não poder mais o filão dos filmes de vampiros é sempre um prazer assistí-los.

Pra quem está interessado, os cinco primeiros DVDs lançados pela Dark Side estão sendo relançados nas bancas mais baratos, ao preço de R$ 11,90. A revista vem sempre com informações interessantes. Mas acho que os filmes também podem ser encontrados em locadoras.

segunda-feira, dezembro 15, 2003

ONLY YESTERDAY (Omohide poro poro)



No fim de semana, o melhor filme que eu vi foi esse delicado anime dos estúdios Ghibli. O diretor é Isao Takahata, mesmo diretor da obra-prima CEMITÉRIO DE VAGALUMES (1988). Ele parece ser o segundo diretor mais aclamado dos estúdios Ghibli, perdendo só para Hayao Miyazaki em popularidade.

Ao contrário de Miyazaki, que entra mais pro terreno da fantasia e da ficção, Tahakata prefere o realismo. ONLY YESTERDAY (1991) é ainda mais realista que o seu longa anterior, que tinha sutis elementos sobrenaturais. Outra diferença básica também é que, diferente de mostrar uma história trágica e lacrimosa (no bom sentido), ele prefere aqui falar de recordações da infância, de solidão, de pequenas coisas que parecem pouco importantes, mas que ficam na memória da gente.

Por exemplo, um belo exemplo pra ilustrar isso é a cena do abacaxi. O abacaxi não é uma fruta popular no Japão. Um dia, a mãe de Taeko traz pra casa a fruta, estranha pra eles. Engraçado ver a primeira vez que eles experimentam e estranham o sabor.

A história do filme é simples: Taeko é uma moça de 27 anos cuja família fica insistindo pra ela arranjar um marido. Ela decide tirar férias do trabalho em Tóquio e viajar para o campo, onde entra em contato com a natureza e arranja belas amizades. Enquanto isso, memórias de quando ela tinha 10 anos vêm à tona.

Inclusive, eu costume comparar esse filme a MORANGOS SILVESTRES (1950), de Ingmar Bergman, por causa do passado que a protagonista relembra. A partir dessas memórias, ela passa a questionar a sua vida e os seus valores.

A cena que eu achei mais bonita no filme é a que Taeko viaja de carro com Toshio para a casa de campo dele. As imagens e os diálogos são tão bem lapidados que é impossível ficar indiferente. A aparência dos personagens não tem aquela coisa dos olhos grandões da maioria dos animes, exceto nas cenas passadas nos anos 60, em que Taeko é uma garotinha de 10 anos. Vi no IMDB que isso é uma homenagem aos animes dos anos 60.

ONLY YESTERDAY é um anime que está longe de ser infantil. Deve até aborrecer um pouco as crianças. E mesmo para os adultos, o andamento lento é meio que um obstáculo, sendo interessante pra quem está acostumado a um cinema mais de contemplação. Por isso, eu achei mais interessante vê-lo em duas partes. Se fosse visto no cinema, com certeza seria muuuito mais melhor.

Ver filmes na telinha do computador tem se tornado um hábito pra mim e eu já estou me acostumando a puxar a cama pra mais perto do pc quando eu canso de ficar sentado. Hehehe..

Vi o filme graças ao Marcelo Reis, do site Animehaus. Aliás, o site tá com uma promoção boa. Vale dar uma espiada e fazer uns pedidos em divx ou vcd. Fica aqui a dica.

ATÉ QUE NÃO SÃO TÃO RUINS....



No fim de semana eu assisti filmes mais importantes que esses, mas resolvi começar pelos menos importantes pra comentar. Depois com mais calma falo dos melhores. Coincidentemente os três filmes são de 2000 e todos foram bem massacrados pela crítica. Não são pérolas da cinematografia mundial, mas também não são tão ruins quanto a fama que levaram. Comento rapidamente cada um deles.

JOGO DURO (Reindeer Games)

O diretor é fodão: John Frankenheimer. Infelizmente o roteiro é uma bobagem, os atores estão péssimos - especialmente Gary Sinise de vilão -, mas não é que é divertido pra caramba!! Frankenheimer não ficou com a sua filmografia denegrida por causa desse filme. Na história, Ben Affleck é um ex-presidiário que se faz passar por seu amigo pra ficar com a namorada (Charlize Theron) dele. O plano dá em merda, quando o irmão da moça aparece pra obrigá-lo a elaborar um assalto num cassino. A Charlize de malvada fica muito mais sexy do que boazinha, hein?? E o filme mantém um ritmo bom até o final, ridículo de tantas reviravoltas que tem. É quase ruim, mas eu gostei. Gravado da Globo.

O OBSERVADOR (The Watcher)

Esse filme foi muito pouco elogiado pela crítica e meio que esnobado pelo público. Poucas pessoas gostaram e o problema dele está principalmente no papel de Keanu Reeves, que não convence de jeito nenhum como serial killer. Mas tirando esse pequeno incômodo, é um filme interessante, bem longe de ser chato. James Spader é o problemático ex-agente do FBI que retorna ao trabalho por causa do sujeito que matou sua namorada. Ele agora está de volta. E seu "método de trabalho" é mandar uma foto pra polícia de uma futura vítima, dando um prazo de 24 horas para que a polícia localize a moça e a salve. É um bom jogo de gato e rato, que tem um climax muito superior ao de outros thrillers mais badalados que têm por aí. O diretor Joe Charbanic é estreante. Não tem mais nada no currículo.Visto na Globo.

LITTLE NICKY - UM DIABO DIFERENTE (Little Nicky)

Pra quem curte Adam Sandler, o filme é até interessante, mas pra quem não gosta ou é indiferente ao humor dele, não vai gostar nenhum pouco. É uma comédia bem louca, sobre o filho (Sandler) do capeta (Harvey Keitel) que é enviado para a Terra para capturar seus dois irmãos malvados. Caso não consiga, o seu pai será desintegrado. Na Terra, ele se apaixona por Patricia Arquette. Destaque para Reese Whiterspoon no papel de uma anjo e para as participações especiais de Quentin Tarantino e Ozzy Osbourne. O problema do fime é que só estando com muito bom humor pra você rir das piadas sem graça. A única vez que eu ri foi no final, com o casamento do cachorro. Hehehe. O diretor Steven Brill errou nesse filme, mas depois fez um filme até bacana com A HERANÇA DE MR. DEEDS (2002), também com o Sandler.

sábado, dezembro 13, 2003

AS INVASÕES BÁRBARAS (Les Invasions Barbares)



Woody Allen começa ANNIE HALL contando a seguinte piada:

Duas mulheres estão num restaurante e uma diz para a outra:
- A comida desse restaurante é horrível, não?
- Sim, e as porções são tão pequenas.

Segundo ele, é assim que é a vida: não é lá essas coisas, mas nós achamos pouco o tempo que vivemos aqui. Queremos viver mais por mais doloroso que isso possa ser.

AS INVASÕES BÁRBARAS, o novo filme de Denys Arcand, é até um pouco mais otimista com relação à vida. E sair do cinema depois de ver esse filme serve justamente pra gente pensar e acreditar o quanto é bom viver. Tem tanta coisa boa aqui no mundo. A comida, o cinema, as mulheres, os livros, a música, os lugares. E ainda tem quem não consiga se divertir no mundo, quem não consiga encontrar caminhos para o seu prazer e alegria.

No final do ano passado, por exemplo, dois filmes me deram uma sensação maravilhosa de estar vivo pra ter podido assistí-los: os espanhóis FALE COM ELA, de Pedro Almodóvar, e LÚCIA E O SEXO, de Julio Medem. Talvez o filme de Arcand não chegue a tanto em termos de carinho que eu sinto por filmes, mas ele faz a gente pensar justamente nisso: na vida, no prazer que é vivenciá-la e que ela é quase sempre imprevisível.

Porém Arcand não faz um simples melodrama sobre um homem (Rémy Girard) que está com câncer. Ele faz questão de alfinetar a Igreja Católica, expor suas ideologias, mostrar a crescente morte da especial geração que passou a juventude nos anos 60, além de mostrar um belo quadro de família e amigos.

No começo do filme, Arcand mostra cenas curtinhas, um cinema minimalista que me fez lembrar de ESTRANHOS NO PARAÍSO (1983), de Jim Jarmusch, cheio de “fades in black” ligando uma cena à outra. Mas depois o filme ganha cenas um pouquinho mais longas. Assim, fica mais fácil a gente simpatizar mais com os personagens e derramar lágrimas nos momentos mais bonitos. Entre os meus personagens favoritos destaco a bela junkie interpretada lindamente por Marie-Josée Croze. Aliás, ela levou o prêmio de melhor atriz em Cannes e o filme levou o prêmio de melhor roteiro. Legal.

Em 1993, Arcand fez AMOR E RESTOS HUMANOS, um filme que trata de relacionamentos tanto hetero como homossexuais. No meio de tudo, ele jogou uma trama de suspense envolvendo um serial killer. Teve quem não gostou do mix. Eu achei excelente. Em AS INVASÕES BÁRBARAS ele fez novamente uma mistura: melodrama + filme de ideologias. É um filme que valoriza a intelectualidade. Não é difícil como um Godard (que é citado no filme); é um filme mais acessível ao grande público. O que eu considero de certa forma uma qualidade. Taí um filme que vai estar no meu Top 10 de 2003. Ah, e o que é aquela canção que toca no final do filme, hein?? Puxa....

Agora eu quero ver o filme O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO, que tem os mesmo personagens desse filme 15 anos atrás.

sexta-feira, dezembro 12, 2003

MADE FOR TV



Recentemente vi dois filmes produzidos para a tv. São duas produções da HBO. Essa tv por assinatura costuma produzir ótimas séries (SIX FEET UNDER, SEX AND THE CITY, THE SOPRANOS, BAND OF BROTHERS, CURB YOUR ENTHUSIASM) e também ótimos longas (UMA LIÇÃO DE VIDA, GIA, DON KING).

Entre esse ótimos longas, tive a sorte de ver DESEJO PROIBIDO (2000) e VIAGEM MORTAL (1996), gravados da BAND e da TNT respectivamente. Comentários rápidos dos dois filmes abaixo.

DESEJO PROIBIDO (If These Walls Could Talk 2)

O primeiro IF THESE WALLS COULD TALK é de 1996 e abordou a temática do aborto. O resultado final foi muito bom. Essa "continuação" aborda o tema do lesbianismo, mostrando três segmentos dirigidos por três diretoras diferentes e com as histórias se passando em três décadas distintas.

O primeiro segmento ("1961") é o mais triste dos três. Mostra Vanessa Redgrave como uma senhora que perdeu sua companheira e depois sofre a humilhação de ver os familiares da falecida quererem tirar a casa e os móveis dela. Ver esse filme ajuda a entender porque é importante hoje em dia a união civil entre homossexuais para se evitar esse tipo de injustiça. Dirigido por Jane Anderson.

O segundo segmento ("1972") traz Michelle Williams (de DAWSON'S CREEK) e Chlöe Sevigny, que já fez uma cena de lesbianismo em MENINOS NÃO CHORAM (1999). Esse segmento é um tesão, com ótimas cenas de sexo entre as duas meninas. Chlöe recentemente foi notícia por causa da cena de sexo oral explícita no ainda inédito no circuito comercial THE BROWN BUNNY. A moça começou a carreira fazendo um filme polêmico - KIDS (1995), de Larry Clark. Parece que ela gosta de aparecer. Ela não é bonita mais tem sex appeal. Esse segmento discute a necessidade de ser você mesmo e do preconceito existente dentro do próprio grupo de homossexuais. Dirigido por Martha Coolidge.

Anne Heche dirige sua então namorada Elle DeGeneres fazendo par romântico com Sharon Stone. O segmento ("2000") discute a possibilidade de casais de lésbicas terem filhos. Hoje em dia com a facilidade dos bancos de esperma é bem mais fácil. Esse é o segmento mais leve do filme e as cenas de DeGeneres com Sharon Stone são bem discretas. Vai ver a diretora ficou com ciúme. Hehehhe. As duas mulheres (DeGeneres e Heche) formaram durante o tempo em que estiveram juntas o casal de lésbicas mais famoso do mundo.

VIAGEM MORTAL (Deadly Voyage)

VIAGEM MORTAL, dirigido por John Mackenzie, fala da dramática história de grupo de africanos que entra clandestinamente num navio para tentar a sorte nos EUA e são vítimas de uma chacina. As seqüências de fuga do protagonista são cheias de tensão e suspense. Saber que isso foi uma história real torna a coisa muito mais chocante.

Fiquei mais interessado agora em conhecer outros trabalhos do diretor. A primeira vez que ouvi falar de Mackenzie foi através da saudosa coluna do Reichenbach, onde ele o destacava entre os grandes diretores americanos mais subestimados da atualidade, ao lado de John Herzfeld. Mackenzie dirigiu vários filmes pra tv e dirigiu também RUBY (1992), sobre o cara que matou Lee Oswald, e o drama ALTO RISCO (2001), que passou nos cinemas no ano passado.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

LOONEY TUNES - DE VOLTA À AÇÃO (Looney Tunes: Back in Action)



Na última segunda-feira foi feriado aqui na cidade e eu fui com o meu sobrinho ver LOONEY TUNES. Bom, pra começo de conversa, não gostei do filme não. Achei uma comédia um pouco cansativa e excessivamente rápida sem conseguir empolgar. Nem dá pra criar um certo envolvimento. Não é melhor que Rogger Rabbit como muita gente andou noticiando por aí.

A história meio absurda: Steve Martin é o super-vilão que quer transformar seres humanos em macacos. O agente secreto encarregado do caso (Timothy Dalton) foi capturado. O seu filho (Brendan Fraser) vai, então, junto com Pernalonga, Patolino e Jenna Elfman ajudar a salvar o seu pai e a humanidade.

O filme é recheado de referências e citações que até para a maioria dos adultos vão passar batido. Imagine pras crianças. E eu ainda falei pro meu sobrinho: "olha o Roger Corman!". Como se adiantasse. Mas ele conheceu o Batman e os outros personagens dos desenhos da Warner. Hehehhe. Há também uma crítica ao merchandising dos filmes, que vale por ser ácida, mas que não tem muita graça.

Steve Martin está bem, fazendo um vilão caricato e usando uma maquiagem um pouco pesada. Interessante ver o Timothy Dalton como uma espécie de James Bond, já que ele já foi um 007. De qualquer maneira, não vou muito com a cara dele, não.

O melhor momento do filme é a cena do museu de arte, com o coelho e o pato andando de quadro em quadro. Essa cena é genial, mas o restante do filme não me agradou. De qualquer maneira, quem gostou de GREMLINS 2 (não foi o meu caso) pode adorar esse filme. Ah, o Lucas, o meu sobrinho, disse que gostou do filme.

quarta-feira, dezembro 10, 2003

PI



Taí uma tarefa difícil escrever sobre PI. Primeiro porque eu não consegui absorver tudo o que o filme tentou dizer. Vai ver precisaria ter mais noções de matemática avançada. O fato é que já faz tempo que os números deixaram de me despertar tanto interesse. (Na verdade, eu não gosto deles porque eles me lembram as minhas dívidas.) As letras acabaram me puxando com mais força. Até fiz Faculdade de Letras. Hehehe. O meu interesse pelos números hoje em dia passa mais pela numerologia do que pela ciência matemática. No domingo mesmo minha irmã veio me perguntar porque 666 era o número da besta. Ela estava lendo o Apocalipse de São João. Aí fui explicar pra ela, de acordo com os meus parcos conhecimentos na área. Acho interessante o simbolismo de cada número. Até parei de estudar astrologia quando me deparei com cálculos chatos de ângulos entre as casas zodiacais e os aspectos entre os planetas. Deixei pra lá. Essa tarefa fica para os astrólogos mesmo. Prefiro me ater à parte da psicologia e da mitologia.

PI (1998), de Darren Aronofsky, é um filme que mostra um matemático chamado Max Cohen que procura o sentido da existência através de um padrão. Assim como o "pi" é um padrão dentro da circunferência, Cohen procura um padrão para o mundo. Quando o filme fala das espirais como presentes em tudo, não tive como não me lembrar de UZUMAKI (2000), de Higuchinsky, que fala da obsessão pelos espirais. Só que em vez de o filme descambar para o horror irracional puro e simples, a trama vai ficando complicada, com o protagonista se envolvendo com um grupo de judeus que quer achar o verdadeiro nome de Deus e um grupo de pessoas a fim de prever o que pode rolar na bolsa de valores. Uma confusão dos diabos.

O filme, esteticamente, parece muito com a obra seguinte de Aronofsky, RÉQUIEM PARA UM SONHO (2000). Ambos mostram pessoas tomando drogas químicas e entrando numa bad trip. Os tiques nervosos, os ângulos de câmera, os closes, a música eletrônica techno, tudo muito parecido, como se fosse uma marca registrada do diretor.

Por causa disso, quando estava surgindo um boato que Aronofsky seria o diretor de BATMAN: ANO UM, começaram a correr rumores de que ele ia mostrar o morcegão tomando pico na veia, viciado em heroína. Terminou que ele acabou saindo desse projeto, que foi engavetado pelo pessoal da Warner. Seus próximos projetos são LONE WOLF AND CUB, uma adaptação em live action de um mangá, e FLICKER, uma adaptação de um romance. Pode ser que, no fim das contas, ele não pegue nenhum desses projetos.

Filme visto em divx, graças ao Herbert, que me forneceu a cópia.

terça-feira, dezembro 09, 2003

SIMPLESMENTE AMOR (Love Actually)



A estréia na direção de Richard Curtis, o roteirista de QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994), NOTTING HILL (1999) e O DIÁRIO DE BRIDGET JONES (2001), todos com Hugh Grant, foi bem sucedida. O filme é uma delícia de se ver. Nem dá pra reclamar dos clichês do gênero sempre presentes, porque nesse tipo de filme, isso é inevitável. Além do mais, o filme tem várias cenas que o diferencia de outras comédias românticas. A começar pelo conteúdo sensual e pela nudez. Aquelas cenas quase surrealistas envolvendo Martin Freeman e Joanna Page num set de filmagem são surpreendentes, por exemplo.

Só achei que o par romântico de Hugh Grant não se compara a outras moças bem mais atraentes e bonitas de outros filmes, como Julia Roberts (NOTTING HILL) ou Rachel Weisz (UM GRANDE GAROTO). Uma pena que o personagem dele não seja tão interessante e destacado. Na verdade, o filme não aprofunda nenhuma das várias histórias. É tudo bem superficial, uma colagem de vários retratos. Há o amor platônico de Andrew Lincoln por Keira Knightley que eu acho que foi o que mais me tocou. Uma cena de deixar os olhos marejados. Outra cena que eu achei especial - na verdade, a primeira grande cena do filme - é aquela em que "All You Need Is Love" toca num casamento. Que arranjo magnífico!! Tiraram um pouco daquela coisa psicodélica da gravação original dos Beatles e o resultado ficou lindo. E ouvir no cinema com som dolby, então...

Por falar em casamento, no filme há duas citações ao primeiro sucesso de Curtis. Além das cenas de um casamento e de um funeral, há a canção tema de QUATRO CASAMENTOS E O FUNERAL com letra modificada. Outra canção bem conhecida, mas que ficou excelente no filme, foi "Here with me" da Dido.

Interessante o filme dialogar bem com o público brasileiro, não apenas por causa da participação de Rodrigo Santoro, mas porque o português é falado (com sotaque de Portugal) por causa da atriz portuguesa Lúcia Moniz, o par romântico de Colin Firth. Santoro está bem e a cena entre ele e Laura Linney é antológica e o cinema meio que pára de respirar pra ver o seu desempenho.

Uma coisa que me incomoda um pouco nesse tipo de comédia é o fato de os personagens terem que pagar mico na frente de um monte de gente. Talvez por eu ser tímido e me colocar um pouco no lugar dos personagens, acho a situação um pouco incômoda. Por isso, adorei a declaração de amor calada de Andrew Lincoln.

Entre as surpresas das participações especiais há a bela Elisha Cuthbert, estrela da série 24 HORAS, Billy Bob Thorton e Denise Richards. A única cena de destaque de Rowan Atkinson também é bem engraçada.

São tantos personagens que fica difícil de comentar tudo aqui e ainda nem falei de Emma Thompson, Liam Neeson, Bill Nighy, Alan Rickman e de outros menos conhecidos, mas importantes no conjunto do filme. No geral, SIMPLESMENTE AMOR é um filme alto astral, mas que de repente pode lembrar aos membros do clube dos corações solitários ou do bloco do eu sozinho (como este que vos escreve) que alguém está faltando na sua vida.

domingo, dezembro 07, 2003

SOBRE MENINOS E LOBOS (Mystic River)



As crises de ansiedade e angústia, misturadas com o incômodo calor de Fortaleza estão me impedindo um pouco de escrever sobre os filmes que tenho visto. Como está quase sempre difícil eu me concentrar, a melhor maneira de ver um filme pra mim é no cinema. Sempre foi, na verdade, mas é só lá que minha mente não fica tão dispersa.

Vamos começar tirando o atraso dos comentários com o filme que vi ontem: SOBRE MENINOS E LOBOS, de Clint Eastwood. O filme já está em várias listas de melhores de 2003 de diversas associações de críticos americanos e europeus. E olhe que o ano nem terminou ainda.

Sem dúvida é um ótimo filme. Um dos melhores da bela filmografia de Eastwood, ainda que o meu preferido continue sendo UM MUNDO PERFEITO (1993). O andamento é lento, não há pressa para a apresentação e desenvolvimento dos personagens. Esse deve ser o mais complexo de seus filmes, tanto pelo grande número de personagens pra dar conta, quanto pela abordagem mais psicológica.

A história é longa e intrincada, mas resumido é o destino tortuoso de três garotos depois de um trauma de infância. Quando eles crescem, os três garotos são Sean Penn, ex-presidiário e dono de uma mercearia; Tim Robbins, um perturbado pai de família; e Kevin Bacon, policial investigador. O destino faz com que eles se encontrem novamente quando acontece o assassinato da filha de Penn.

As interpretações de Penn e Robbins - também ótimos diretores - são destaque no filme. Já se fala da forte possibilidade de os dois serem indicados ao Oscar 2004. Também engrossando o ótimo elenco: Laurence Fishburne, Marcia Gay Harden e Laura Linney. (Curiosamente, hoje eu vi Laura Linney no cinema de novo, em SIMPLESMENTE AMOR.) A trilha sonora original foi feita pelo próprio Clint. Homem forte, esse aí.

Talvez tenha ficado um pouco desapontado porque estava esperando um impacto maior do filme em mim. Mas talvez tenha sido por causa da grande expectativa que estava alimentando desde a primeira notícia que li sobre o filme, quando da estréia no Festival de Cannes desse ano.

As minhas cenas favoritas são duas cenas em que Sean Penn e Tim Robbins contracenam sozinhos. A primeira é ótima. Penn está sentado na cadeira. Robbins vem fumar um cigarro. E os dois falam sobre a vida que eles levam e sobre a perda da filha de Penn. Falar mais pode estragar. Na hora me lembrei de uma cena de GANGUES DE NOVA YORK, aquela em que Daniel Day Lewis aparece no quarto de DiCaprio quando ele está na cama com Cameron Diaz. Com certeza, duas grandes cenas de dois grandes filmes do ano.

Legal que assim que eu entrei no cinema, alguém me chamou na cadeira de trás. Era Márcio do blog Cinema, Então. Ele me reconheceu pelas fotos que postei no blog. (Estou ficando famoso. Hehhehe). Aí quando terminou o filme ainda conversamos sobre cinema por uma meia-hora, eu, ele e o amigo dele, lá no café da Livraria Siciliano. Gente boa ele.

quinta-feira, dezembro 04, 2003

MAMET, RAMIS E PALHAÇADA



Comento rapidamente três filmes que vi recentemente, mas que eu não tenho muito o que falar a respeito deles.

A TRAPAÇA (The Spanish Prisoner)

Mais um bom filme de David Mamet, um cara que é craque em criar tramas intrincadas sem deixar o espectador perdido. Os diálogos são ótimos, as situações são bem inteligentes. Coisa fina. Todos os filmes dele merecem atenção. A TRAPAÇA (1997) traz Campbell Scott como um homem de negócios que acaba entrando numa enrascada ao conhecer um homem que se diz milionário (Steve Martin). Acho que até já falei demais da história. Bom mesmo é ver o filme sem saber nada da trama. Steve Martin está ótimo nesse papel dramático. Bem que podiam dar mais chance pra ele fugir um pouco das comédias. Também no elenco Rebecca Pidgeon e Ben Gazzara. Gravado da Globo.

A MÁFIA NO DIVÃ (Analyse This)

Um filme da série "todo mundo viu menos eu". Harold Ramis é o diretor de um dos meus filmes preferidos dos anos 90: FEITIÇO DO TEMPO (1993). Esse filme é uma das comédias que eu posso dar o adjetivo "maravilhoso". Ramis é um diretor subestimado, já que as pessoas falam mais dos astros de seus filmes do que do seu trabalho. Em A MÁFIA NO DIVÃ (1999) não podia ser diferente, afinal, estamos falando de Robert DeNiro e Billy Crystal. Com esse filme, DeNiro mostra a sua veia cômica, que iria repetir com sucesso em ENTRANDO NUMA FRIA (2000). E o legal é que ele tira um sarro com o próprio tipo de personagem que ele faz costumeiramente nos filmes de gângster, principalmente os do Scorsese. Billy Crystal é um grande comediante. Estou até feliz que no próximo ano ele vai voltar a apresentar a festa do Oscar!!! É como a Fer falou: quando ele apresenta a festa, até os filmes que concorrem ao prêmio são melhores. Viva!! Gravado da TNT.

JACKASS CARA DE PAU - O FILME (Jackass - The Movie)

Não sei se porque eu estava de mau humor ou porque eu vi esse filme pela manhã, ou sei lá o que, mas eu achei uma grande porcaria. E não estou falando das cenas de cocô e vômito, não. Eu tô falando do filme mesmo. Quer dizer, nem é bem um filme. É uma versão de uma hora e meia do programa de tv. Achei que ia me divertir, já que vi partes do programa na MTV e até me diverti com algumas das situações absurdas. Mas 80 minutos de idiotice é dose. Há desde a cena em que o cara entrar numa loja de material hidráulico e caga numa das privadas até uma em que o doido do Knoxville deixa um filhote de jacaré morder um de seus mamilos. É cocô, vômito, bundas de homem, carros quebrados e brincadeiras de mal gosto. Tem quem goste. Vi o filme em divx, num pacote de cd-r's enviado pelo Renato.

terça-feira, dezembro 02, 2003

HOUSE OF 1000 CORPSES



Ontem não foi dia de eu dar aula à noite e resolvi escolher um filminho leve pra ver entre os vários que eu tenho em casa. Aí escolhi HOUSE OF 1000 CORPSES, a estréia na direção de Rob Zombie, hoje em carreira solo, mas que foi mais ou menos popular aqui quando veio pro Brasil com a sua ex-banda White Zombie pro festival Hollywood Rock. Eu me lembro de ter gostado do show deles. Muito louco. "More human than human" era o hit deles. Como ele é bem respeitado pelos fãs de rock underground, havia grande expectativa com esse seu debut no cinema. Mas o resultado foi aquém do esperado.

Pra começo de conversa, apesar de o filme ser bem sádico, não é tão barra-pesada quanto eu imaginava que fosse. Estava esperando litros de sangue jorrando e membros decapitados. Mas não. O filme evita mostrar cenas chocantes, ou mostra rapidamente. É um bom filme, principalmente na primeira meia hora. Na última meia-hora, Zombie se perde um pouco e a trama deixa de provocar maior interesse.

A história não é das mais originais: é mais uma variação de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e QUADRILHA DE SÁDICOS. É a história de quatro jovens que atolam o carro na lama e são convidados por uma família de perturbados a entrar em sua casa para jantar com eles.

O grande destaque do elenco é a presença da super-sexy Sheri Moon, que faz parte da família de pirados. Soube no IMDB que ela é mulher do Rob Zombie. Eles se casaram depois das filmagens desse longa. Ela vai estar em THE TOOLBOX MURDERS, o aguardado novo filme de George Romero, mas num papel pequeno. Ela também é vista em vários videoclipes do Rob Zombie. Muito bonita a moça. Também no elenco a veterana Karen Black, que já fez muito filme B e de terror.
S.W.A.T. - COMANDO ESPECIAL (S.W.A.T.)



Eu esperava pelo menos um filme um pouquinho empolgante. Mas S.W.A.T é só mais um filme policial que se faz como enlatadados nos EUA. Com a diferença que tem mais dinheiro envolvido. Não é que eu não goste de filmes policiais, mas é que os melhores exemplares do gênero nos últimos anos são 15 MINUTOS, DIA DE TREINAMENTO e DÍVIDA DE SANGUE. Dá pra contar nos dedos de uma mão. Os outros, dá pra esquecer fácil, já que UMA SAÍDA DE MESTRE não é filme policial, é um "filme-bandido". E NARC, que até hoje eu não vi, mas que é muito elogiado, foi lançado aqui direto em DVD/VHS. Quer dizer, é muito melhor você ver um episódio de 24 HORAS ou THE SHIELD, que tem mais vitalidade, mais poder de mexer com o espectador, do que ver grande parte desses policiais que estão sendo feitos ultimamente.

A trama do filme mostra Samuel L. Jackson recrutando policiais para o seu grupo de elite na S.W.A.T. Ele simpatiza com o rebaixado e Colin Farrel e chama uma mulher (Michelle Rodriguez) e L.L. Cool J para fazer parte do grupo. No elenco também Josh Charles (de TRÊS FORMAS DE AMAR e SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS). A parte em que ele recruta o pessoal não convence. O vilão é um clichezão: Olivier Martinez (de INFIDELIDADE), um carinha que é fácil fácil não gostar dele. Mas até aí tudo bem. Com tudo isso ainda daria pra se fazer um bom filme de ação, injetando cenas empolgantes. Mas cadê elas??

Não é que o filme seja ruim, ele dá uma boa sessão da tarde, o tempo passa e a gente não fica querendo sair no meio do filme não. Mas o vazio que a gente sente ao sair da sessão traz um arrependimento de ter pago o ingresso.

Bom mesmo foram os trailers que rolaram antes do filme. Fiquei especialmente impressionado com DESAPARECIDAS, um mix de western com filme de terror/suspense dirigido por Ron Howard e com a Cate Blanchet como protagonista. Vi também o trailer de SOBRE MENINOS E LOBOS do Eastwood. De arrepiar, hein. Clint Eastwood é o cara.

domingo, novembro 30, 2003

SAMSARA (The Samsara)



Depois de uma sessão frustrada de S.W.A.T. , melhor esquecer o filme por um momento e falar de um filme que em vez de nos deixar ainda mais vazios do que quando entramos na sala, nos enche de satisfação e de emoção.

Apesar do andamento lento do filme, acredito que ele agradaria a mais audiências que se propusessem a vê-lo, e não apenas ao público típico do Espaço Unibanco. O filme tem uma fotografia linda. Sem falar que SAMSARA é bem sensual, com boas mas sutis cenas de sexo. (Há uma cena em especial que todo mundo vai sentir vontade de experimentar um dia com alguém.) Pra completar, o filme tem um final tão emocionante que é difícil conter as lágrimas.

SAMSARA (2001), de Pan Nalin, é uma produção indiana/alemã sobre jovem monge budista, que depois de passar três anos, três meses e três dias meditando, volta para o seu mosteiro. Para se ter uma idéia de como ele estava depois de todo esse período de meditação, basta dizer que suas mãos pareciam as do Zé do Caixão, com unhas enormes e os seus cabelos e barbas bem crescidos. No entanto, ao voltar para o mosteiro, ele se vê tendo sonhos eróticos e excitando-se ao ver partes do corpo feminino, o que preocupou os seus colegas e os seus mestres, que acharam melhor que ele tomasse uma decisão. Numa de suas andanças, ele conhece uma mulher por quem ele se apaixona. Essa mulher muda a sua vida, apresenta pra ele prazeres que ele até então desconhecia.

Há também uma curiosidade quase antropológica por culturas diferentes da nossa que pode ser saciada no filme. O cinema pode proporcionar um pouco disso e até que barato. Bom mesmo seria podermos viajar sempre que quiséssemos, pra qualquer lugar do mundo que tivéssemos vontade. Eu por exemplo, gostaria de saber qual o gosto daquela comida que aquele povo come.

O final pode causar polêmica ou até indignação, mas o que eu achei importante, entre outras coisas, foi poder analisar o ponto de vista da mulher. Ela que tem mais sabedoria instintiva nas coisas da vida. Como se fosse mais desse mundo do que o homem, sempre desorientado, sempre querendo fugir, sempre querendo mais, ou não querendo nada.

Ao entrar no cinema, entrei meio estressado, ainda por causa da rotina de trabalho durante a semana e também por causa do corre-corre pra não chegar atrasado à sessão. Ao sair da sala, depois de me deixar levar pelo espírito “zen” do filme, saí olhando para as coisas e para as pessoas com outros olhos. Tudo parecia estar diferente, como se eu tivesse experimentado uma droga ou algo do tipo. E eu acho que não botaram nada na latinha de Coca-Cola.

sexta-feira, novembro 28, 2003

ESPERANDO 'KILL BILL'



Enquanto um dos filmes mais aguardados do ano não chega aqui no Brasil, lendo ontem um interessante artigo sobre KILL BILL, soube que o macacão usado pela Uma Thurman no filme é igualzinho ao que o Bruce Lee usou em BRUCE LEE NO JOGO DA MORTE (1978), e que as seqüências de animação do filme de Tarantino foram feitas pela equipe de BLOOD: THE LAST VAMPIRE (2000). Como eu estava com esses dois filmes em casa, fiquei mais animado para assistí-los. O do Bruce Lee faz tempo que eu tinha gravado da Globo e precisava de um empurrãozinho pra vê-lo. Comento abaixo os dois filmes.

BLOOD: THE LAST VAMPIRE

Vamos começar pelo melhor. BLOOD: THE LAST VAMPIRE é uma das animações mais impressionantes que eu já vi. Fiquei admirado com a qualidade da coisa. A animação além de ser estilosa e parecer bem diferente dos tradicionais animes, ainda há o uso lindo de CGI e de seqüências que parecem fotografias.

A história se passa numa base americana no Japão em 1966. A trama é meio confusa e cheio de mistério, o que já nem é novidade em anime, mas o mais importante a gente sabe: Saya é uma vampira, a última restante, que participa de um projeto secreto que tem o objetivo de aniquilar os demônios que estão no planeta, disfarçados de humanos. Esse enredo é bem parecido com o da série VAMPIRE PRINCESS MIYU, que eu vi recentemente. Mas além de ser muito melhor desenhado, BLOOD tem litros de sangue espirrando estilosamente. Deu pra perceber porque Tarantino escolheu os animadores desse filme para o seu KILL BILL. Inclusive, a tal vampira usa uma espada muito parecida com a que Uma aparece em algumas das fotos divulgadas.

Muita gente reclama da duração do filme. Realmente, do jeito que está, com apenas 48 minutos, parece um piloto de uma série de tv. Mas acho que se as pessoas reclamam que ele é curto demais é porque estavam gostando, não é mesmo?? Logo, acaba sendo um elogio dizer que a série é curta. Heheh.

Nos comentários no IMDB, vi alguém falando do inglês muito explicadinho do filme. Eu como não sou tão bom assim nas habilidades de "listening", acabei gostando bastante de ouvir e entender direitinho os diálogos sem precisar de legendas.

Eu diria que é um filme imperdível. Fico agradecido ao Renato, que disponibilizou pra mim uma cópia em divx muito boa. (Thanx again, fella!!)

BRUCE LEE NO JOGO DA MORTE (Game of Death)

Robert Clouse, o mesmo diretor de OPERAÇÃO DRAGÃO (1973) dirige esse filme meia-boca do Bruce Lee. Bruce Lee era mais ou menos como o Elvis, um cara talentoso que se metia em projetos "barca-furada" e com as pessoas erradas. Esse Robert Clouse não tem a menor criatividade em filmar cenas de luta ou de qualquer tipo. O filme está muito datado, envelheceu demais.

Talvez se Tarantino fosse mais velho quando viu esse filme pela primeira vez, ele não gostasse tanto assim. Como ele nasceu em 1963 e o filme é de 1978, fazendo as contas ele deve ter visto o filme quando tinha apenas 15 ou 16 anos. Aí o filme deve ter ficado como lembrança carinhosa nas memórias de bom fã de cinema pop que ele é. Tenho certeza que ele é muito mais cineasta e muito mais criativo do que a maioria das pessoas que ele homenageia. Sem querer desmerecer, é claro, Sonny Chiba, os Shaw Bros e David Carradine, que eu nem conheço direito pra estar falando. Hehehe.

Na trama contada de maneira tosca e edição horrível, Bruce Lee é um astro de cinema que finge a própria morte através de um acidente nas filmagens para fugir de um sindicato do crime. Ele é dado como morto, mas ainda assim pretende se vingar dos bandidos, que acabam mexendo com sua namorada. As várias seqüências de luta no final são meio forçadas no meio da história, mas o curioso mesmo é a luta com o negão de mais de dois metros. O cara era um gigante. Heheheh.. A luta com o Chuck Norris é só no começo do filme e nem dá pra ter um gostinho de ver ele "chutando a bunda" do Chuck. É muito rápida. A história da cirurgia que ele sofre no rosto também é uma falha, já que o médico diz que ele vai ficar diferente mas ele acaba ficando do mesmo jeito e usa uma barba pra se disfarçar. Hehehhee.. Que canalhice! E o que é aquele final?? Parece até filme pornô, que termina com uma gozada e pronto. Comparando com os filmes mais recentes de Hong Kong de gente boa como Jackie Chan, Tsui Hark, Ringo Lam, Jet Li e cia, esses filmes do Bruce Lee não são grande coisa não.

quarta-feira, novembro 26, 2003

ABEL FERRARA EM DOIS FILMES



Vi poucos filmes do Abel Ferrara. Mas vontade não falta de ver todos os seus trabalhos. Um que eu tenho especial vontade de ver é SEDUÇÃO E VINGANÇA (1981) sobre jovem muda que é estuprada e parte pra vingança. Também quero rever um dia aquele filme que ele fez com a Madonna e o Keitel.

Comento a seguir rapidamente dois filmes que vi recentemente desse americano cheirador de coca (essa foi pesada, hein?).

O REI DE NOVA YORK (King of New York)

Comprei o dvd desse filme por 5 pilas numa banca de revista. Uma pechincha, já que a qualidade tá boa e em wide. Confesso que eu julguei mal Christopher Walken, falei que o cara era canastrão, mas isso foi por desconhecimento de causa. Eu ainda não tinha visto esse filme de 1990 em que Walken é um chefão do crime que não tá nem aí. Ele mata os inimigos, paga fiança dos bandidos amigos, mata traficantes pra ficar com o negócio (mais ou menos como acontece em CIDADE DE DEUS). A melhor performance dele que eu já vi. O filme tem um elenco notável: além de Walken, David Caruso, Wesley Snipes, Laurence Fishburne e Steve Buscemi. O final é bem violento. Um filme macho. Definitivamente.

Infelizmente já está com alguns dias que eu vi o filme e minha memória não é lá grande coisa. Mas é coisa fina, isso eu sei.

O GLADIADOR (The Gladiator)

Lembram do Ken Wahl que nos anos 80 fez aquela série O HOMEM DA MÁFIA?? Aquela que passava na Globo depois do Fantástico?? (Tô ficando velho, mesmo. Hehhee). Pois bem. Ele é o protagonista desse filme bem anos 80 feito para a tv pelo Ferrara. O GLADIADOR não tem muitas características de um filme do Ferrara - seja lá o que isso significa -, mas é diversão competente. Quem gosta de DESEJO DE MATAR, deve curtir esse filme também.

Na história, Ken Wahl é um cara que é vítima de um motorista assassino. Ele sobrevive ao incidente, mas o seu irmão mais novo morre. Ele decide, então, punir as pessoas que não se comportam bem no trânsito, dirigem bêbadas etc, e pássa a se autointitular "o gladiador". Ele transforma a sua picape numa máquina de dar e levar porrada. Enquanto isso, o motorista assassino continua atacando.

No elenco, Nancy Allen, ex-esposa do Brian DePalma, com aquele visual anos 80, no papel de radialista.

Um bom texto sobre as obsessões de Ferrara aqui.

terça-feira, novembro 25, 2003

PORCO ROSSO (Kurenai No Buta)



Mais um filme de Hayao Miyazaki que eu tive o prazer de conferir. Na verdade, é o que eu menos gostei dos filmes desse diretor. Mesmo assim, PORCO ROSSO tem muitas qualidades e alguns personagens que encantam. O filme conta a história de um homem com cabeça de porco que é um ás nos céus. Ele trabalha como caçador de recompensas na Itália da Primeira Guerra Mundial. Só depois de algum tempo é que a gente fica sabendo que ele era um homem normal até se tornar um porco através de uma espécie de maldição. Saber disso tira um pouco da estranheza de ver um porco num ambiente próximo do real. Esse é provavelmente o filme mais realista de Miyazaki, que sempre dá asas à imaginação e põe montes de criaturas estranhas em seus filmes.

Mais uma vez ele mostra sua obsessão por aviões e pelo céu. Há inclusive uma cena que remete à NAUSICAA OF THE VALLEY OF THE WINDS em que o avião decola: a animação é tão boa que dá até pra sentir um frio na barriga.

O personagem do Porco só conquistou a minha simpatia depois de metade do filme. Isso graças à gracinha da personagem da alegre e encantadora Fio, uma garota de 17 anos que reconstrói o avião dele. Os piratas atrapalhados representam o lado cômico do filme e o chefe deles lembra bastante o Brutus do desenho do Popeye, o que eu diria que não é uma coisa muito boa pra se lembrar.

Consegui o filme em divx através do amigo Fábio Ribeiro. Com isso, ficam faltando apenas quatro longas para o cinema dirigidos pelo Miyazaki que ainda não vi: THE CASTLE OF CAGLIOSTRO (1979), MEU VIZINHO TOTORO (1988), KIKI'S DELIVERY SERVICE(1989) e ON YOUR MARK (1995).

E agora já posso arriscar um top 5 Miyazaki:

1. LAPUTA: O CASTELO NOS CÉUS (1986)
2. NAUSICAA OF THE VALLEY OF THE WINDS (1984)
3. A VIAGEM DE CHIHIRO (2001)
4. PRINCESS MONONOKE (1997)
5. PORCO ROSSO (1992)
PALAVRAS AO VENTO (Written on the Wind)



O único filme que eu tinha visto de Douglas Sirk era SUBLIME OBSESSÃO (1954), que é um puta dum novelão. Grande melodrama. Na história, um playboy mimado (Rock Hudson) provoca um acidente que deixa cega a mulher que ele ama. Ele, então, volta a estudar medicina, na tentativa de trazer de volta a visão da mulher. Meus amigos, essa história é de arrepiar, de provocar lágrimas sofridas (como diriam os Los Hermanos).

PALAVRAS AO VENTO (1956), que é um dos mais famosos filmes do mestre dos melodramas, não tem o mesmo potencial dramático, apesar de ter todos aqueles elementos do grande drama. Dizem que o Sirk é o culpado pelo surgimento das telenovelas. Mas a diferença é que Sirk fazia grande cinema também. Talvez não existisse Almodóvar, se não fosse por esse diretor ousado.

Sirk dizia que há uma distância muito pequena entre grande arte e lixo, e lixo que contém loucura se aproxima da arte. Seus personagens são mesmo loucos, como se a vida fosse um tormento e cheia de urgência. Em PALAVRAS AO VENTO, Rock Hudson é apaixonado por Lauren Bacall, mulher do seu melhor amigo, Robert Stack. Este, por sua vez, sofre de alcoolismo e ainda tem uma irmã (Dorothy Malone) que é ninfomaníaca e apaixonada por Hudson. Todo mundo parece estar desesperado no filme e a música acentua a todo instante esse momento de desespero.

Hoje em dia praticamente não existe mais diretores como Sirk, especialista em melodramas. Todd Haynes fez um melodrama competente, LONGE DO PARAÍSO, mas a intenção era de homenagear Sirk e o resultado ficou um pouco artificial. Talvez apenas Almodóvar, que cá pra nós pode até ter ultrapassado o seu mestre em genialidade e inspiração, vide a obra-prima FALE COM ELA (2002). Se bem que com esse filme, Almodóvar ganhou um nível de sofisticação maior, mais depurado. Sirk não tinha essa intenção, de ser tão sutil. Talvez o filme de Almodóvar que mais se aproxima de um Sirk seja A FLOR DO MEU SEGREDO (1995), que é um filme que se despe do humor dos trabalhos anteriores e ganha em dramaticidade exacerbada.

Comparando PALAVRAS AO VENTO com SUBLIME OBSESSÃO, fico com este último pela maior capacidade de mexer com os nossos sentimentos. Mas estou doido pra ver mais filmes do Sirk. E haja filme dele ainda pra ver: SINFONIA PRATEADA, CHAMAS QUE NÃO SE APAGAM, HERANÇA SAGRADA, MULHER DE FOGO, TUDO QUE O CÉU PERMITE, DESEJO ATROZ, ALMAS MACULADAS, AMAR OU MORRER, IMITAÇÃO DA VIDA. Infelizmente tudo ainda inédito em vhs e dvd no Brasil.

Bem que a Classic Line poderia lançar mais filmes dele. Ou então outra distribuidora. A edição americana em dvd de TUDO QUE O CÉU PERMITE(1956), por exemplo, vem com extras bacanas, incluindo dois documentários.

segunda-feira, novembro 24, 2003

O PESO DA ÁGUA (The Weight of Water)



A primeira coisa que chama a atenção nesse filme é a sensualidade e a beleza exuberante de Elizabeth Hurley. Sem ela, esse ótimo filme de Kathryn Bigelow seria menos brilhante. Ela eclipsa até o Sean Penn. O PESO DA ÁGUA (2000) conta duas histórias de diferentes épocas que se alternam e se mesclam. O tempo presente traz o poeta vivido por Sean Penn acompanhando sua mulher, a fotógrafa Catherine McCormack (de JOGO DE ESPIÕES), na investigação de um duplo assassinato ocorrido em 1873. Eles estão à bordo de um barco. Além do casal, estão os amigos Josh Lucas (de HULK) e Elizabeth Hurley (o diabo de ENDIABRADO).

A química entre os quatro entra em ebulição por causa do comportamento provocante de Liz Hurley, da atração que Sean Penn sente por ela e do ciúme da esposa. Liz Hurley é um vulcão nesse filme. A cena em que ela passa gelo no corpo enquanto toma sol de top less é de alta voltagem. (Grande Hugh Grant! Será que ele dá conta? Hehehe)

A trama contada simultaneamente a essa é a história da personagem da ótima Sarah Polley (de O DOCE AMANHÃ), que vive com o marido no tempo em que os EUA ainda estavam se formando. Interessante que essa parte do filme, o filme de época, é menos interessante no começo, mas vai se tornando mais interessante que a história contemporânea do meio para o final. Principalmente quando as revelações vão aparecendo, detalhes do passado dos personagens vêm à tona e o filme ganha ares trágicos e violentos.

Kathryn Bigelow mostra mais uma vez vigor na direção. Ela é talvez a melhor diretora de Hollywood da atualidade. Por mais que Truffaut tenha dito uma vez que cinema é arte de mulher, isto é, de atriz. Não há porque não possa ser arte de diretora também. CAÇADORES DE AVENTURAS (1991) e ESTRANHOS PRAZERES (1995) são ótimos. Ainda não vi K-19: THE WIDOWMAKER (2002). Aquela cara antipática do Harrison Ford acabou me afastando do filme. Mas um dia eu vejo.
O JÚRI (Runaway Jury)



Não pretendia ver esse filme no fim de semana. Mas conversando com o Renato por icq no sábado, ele me fala que o filme é muito bom, quase ótimo. Resultado: lá vou eu gastar os dez pila que eu tinha guardado pra cortar o cabelo ("Eu resisto a tudo, menos às tentações", como dizia Oscar Wilde). Por sorte, o filme é mesmo muito bom. E olha que eu não curto muito esses filmes de advogado, tribunal etc.

Já está sendo comum os filmes atuais virem com montes de cortes e planos rápidos para dar mais dinamismo a certos filmes. Isso é especialmente importante em filmes em que a ação se concentra principalmente em ambientes de trabalho entre quatro paredes. Ainda assim, O JÚRI ainda apresenta um par de seqüências de ação física muito bom.

O filme começa com aquela tradicional rotina americana, sempre apresentada de maneira estressante, como se todo mundo chegasse no trabalho muito atrasado e as gentilezas são puramente para se cumprir o protocolo. Essa rotina de país feliz (mas estressante) é ameaçada com um tiroteio na companhia. Um homem é assassinado.

Esse é o ponto de partida para um filme que pretende focar a atenção mais nos jurados do que nos advogados. Nesse filme, é mais importante para o veredito final um júri de anônimos do que a habilidade dos advogados. Não deixa de ser curioso o processo de escolha dos jurados e a manipulação que ocorre entre os grupos interessados. Nesse caso, o que há é uma disputa entre os donos da fábrica de armas responsável indireta pela morte do homem no início do filme e a esposa da vítima, que requer uma indenização pelo ocorrido. Com toda essa discussão bastante atual (vide os filmes TIROS EM COLUMBINE e ELEFANTE), fiquei me perguntando se os familiares das vítimas do massacre em Columbine receberam alguma indenização da indústria armamentícia. Alguém sabe me dizer se isso ocorreu??

O elenco do filme é ótimo. Gene Hackman como o chefão da indústria de armas, que se utiliza de métodos pouco honestos para conseguir o que quer; John Cusack, como um jurado com grande habilidade de influenciar as pessoas; Rachel Weisz (belíssima) como a namorada dele; Dustin Hoffman, como o advogado da vítima.

O JÚRI é o melhor que eu vi da lista de filmes baseados em livros de John Grisham. A FIRMA (1993), O DOSSIÊ PELICANO (1993), O CLIENTE (1994), O SEGREDO (1996) e TEMPO DE MATAR (1996) são apenas filmes medianos de advogados. Se bem que o último me agradou pelo tema polêmico.

Soube no blog do Renato, que o livro de Grisham no qual O JÚRI é baseado é sobre a indústria de fumo, e não a indústria de armas. Ótima mudança. Ponto positivo pro filme.

Outra coisa: fiquei admirado em encontrar a sala de cinema lotada no Iguatemi pra ver um "filme de advocacia". Foi o maior público que eu encontrei naquele multiplex. Nem em blockbusters como EXTERMINADOR DO FUTURO 3, eu vi tanta gente lá.

domingo, novembro 23, 2003

O TEMPO DE CADA UM (Personal Velocity: Three Portraits)



Esse final de semana está sendo produtivo em matéria de filmes. Os filmes estão todos bons (ou ótimos) até agora. Ontem fui ver O TEMPO DE CADA UM, o novo filme de Rebecca Miller, de ANGELA: NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO (1995). Apesar de ser um filme contendo três histórias, há surpreendentemente uma regularidade no conjunto. Só o fato de ser um filme escrito, dirigido e interpretado por mulheres, já merece uma certa atenção, já que são poucos os filmes sobre o universo feminino e que sejam escritos e dirigidos também por mulheres. Os filmes que mais acertaram (se é que acertaram mesmo) em mostrar o universo feminino nas telas foram dirigidos por homens. Temos o caso dos filmes de Almodóvar, dos dois trabalhos de Rodrigo Garcia e do recente DEIXE-ME VIVER.

O filme de Rebecca Miller é dividido em três histórias. Há a história da mulher que apanha do marido e foge de casa (Kyra Sedwick); da mulher que é casada com um marido exemplar e tem sucesso profissional, mas que não sabe lidar com a ambição e com a fidelidade (Parker Posey); e a história da mulher que se descobre grávida e fica sem rumo, sem saber pra onde ir (Fairuza Balk).

As personagens apresentadas no filme são bem convincentes e reais. Kyra Sedwick era uma mulher que gostava de se sentir poderosa; gostava, por exemplo, de masturbar rapazes para se sentir com o poder. Até que se deu mal, se casando com um cara violento. A seqüência em que ele a pega pelo cabelo e a câmera dá uma parada, lembra demais OS BONS COMPANHEIROS (1990), do Scorsese. Destaque para a linda garota que interpreta a mesma personagem quando jovem.

Mas a parte do filme que eu mais gostei foi ver de novo Parker Posey, bonita, sexy e de pernas maravilhosas. A personagem dela é encantadora, apesar de não ser bem o modelo ideal de pessoa com quem você vai querer se casar. Não pelo jeito, mas pelas atitudes.

A história de Fairuza Balk é a mais maluca, onde coisas menos rotineiras acontecem para fazer despertar o instinto materno da moça. Com certeza, ela vai aprender muito com a experiência que teve com um garoto a quem deu carona.

Um detalhe interessante do filme - realizado em câmera digital - é o fato de ter um narrador homem, contando a história como se estivesse lendo um livro pra gente. Esse é o lado “literário” do filme, o que pode deixar algumas pessoas meio cismadas, achando que o filme não é grande cinema. O que eu sei é que eu gostei.

sexta-feira, novembro 21, 2003

PEQUENOS ESPIÕES 3-D (Spy Kids 3-D: Game Over)



Ontem fui alugar dois DVDs (levei PALAVRAS AO VENTO, do Sirk, e O PESO DA ÁGUA, da Kathryn Bigelow) na King Video e aproveitei pra dar uma passadinha no Shopping Aldeota e, de repente, ir ver PEQUENOS ESPIÕES 3D se a fila não tivesse grande. Chegando lá, fila não tinha. A sala estava até um pouco vazia e estava até imaginando que eu iria ver o filme sozinho e ficar me sentindo meio estúpido com aqueles óculos coloridos. Hehhe..

Na verdade, eu só fui mesmo ver esse filme por causa dos efeitos 3D que, dessa vez, funcionaram mesmo. Lembro que tive uma única experiência assim vendo um filme do Freddy Krueger e não fiquei satisfeito com o resultado. Dessa vez, a ilusão é mais convincente, apesar de às vezes os óculos incomodarem um pouco, além de deixarem a vista cansada. A imagem às vezes fica meio embaçada, mas deve ser assim mesmo.

O filme em si, sem os efeitos, não seria tão interessante. A história é bem bobinha e o Stallone e o Clooney estão bem canastrões. Mas acho que é proposital. Chega a incomodar o descuido com que Rodriguez realizou esse filme. Já tinha sentido um pouco essa sensação com o segundo filme, mas dessa vez a preocupação ficou mesmo na elaboração dos efeitos. Estes, em alguns momentos, são tão legais que a gente deixa de prestar atenção na história (era essa a intenção, right?) pra ficar olhando as coisas que vem em nossa direção, ou se divertindo com a cena do skate - a mais legal. Essa cena é uma montanha russa. Com a vantagem que eu não sinto ânsia de vômito. Hehehhe.

No final do filme, há uma participação especial de certo ator de uma conhecida trilogia, além dos poucos erros de gravação durante os créditos. É diversão despretenciosa. Quanto aos efeitos 3D, talvez não voltem mais tão cedo em outro filme.

terça-feira, novembro 18, 2003

HERO (Ying Xiong)

  

Sim, meus amigos. Finalmente eu assisti HERO, a obra-prima de Zhang Yimou. E olha que o cara é o realizador de TEMPOS DE VIVER (1994) e O CAMINHO PRA CASA (1999), obras-primas do drama. Quanto à comparação quase inevitável: sim, o filme é melhor que O TIGRE E O DRAGÃO. Consegui assistir essa preciosidade graças ao meu amigo Herbert que passou lá em casa na última semana com uns divx's pra gente fazer um escambo digital.

É mesmo um crime um filme como esse ainda estar inédito no Brasil. E parece que nos EUA também continua inédito no circuito comercial. Esse povo não sabe o que tá perdendo. Quando passar no cinema, eu vou ver de novo com certeza esse espetáculo.

Na história que o filme conta, baseada em fatos históricos (e em lendas surgidas a respeito dos assassinos do rei de Qin), Jet Li é Sem Nome, um assassino contratado para matar três assassinos super-hábeis, que se apresenta ao Rei de Qin para comprovar, a partir das armas dos assassinos, a prova de que esses inimigos do rei estavam mortos. O rei, então, pede pra que ele narre como conseguiu matar os assassinos. A partir daí o filme entra numa sucessão de flashbacks, em imagens maravilhosamente fotografadas e com uma direção de arte sensacional. O filme tem uma semelhança com RASHOMON (1950), do Kurosawa, ou com o recente VIOLAÇÃO DE CONDUTA, do McTiernan. Isso porque nem tudo que se conta é a versão verdadeira dos fatos.

As cenas de luta são coreografadas de modo que parecem uma dança e não uma luta. Dessa forma, não é bem um filme de ação. Trata-se mais de um filme de arte que se apóia na cultura chinesa e nas artes marciais para ajudar e embelezar a narrativa. Aliás, apesar de a narrativa ser complexamente rica e bonita e cheia de códigos de ética estranhos temporal e geograficamente ao que conhecemos, é mesmo o visual do filme que enche os olhos.

A cena de luta entre Maggie Cheung (de AMOR À FLOR DA PELE) e Zhang Ziyi (de O TIGRE E O DRAGÃO) é tão bonita em suas tonalidades de laranja e vermelho que eu não consigo encontrar paralelos em nenhum outro filme que vi. É algo que não dá pra descrever com palavras. Também se destaca a cena nos interiores da casa entre Tony Leung (FELIZES JUNTOS) e Maggie. E a cena não envolve lutas, é mais intimista, bem ao estilo Zhang Yimou. Muito bonita. Já as lutas, as melhores são as que o Jet Li está participando. A primeira luta com Donnie Yuen (de BATER OU CORRER EM LONDRES) é ótima. A seqüência fantástica de Li e Cheung "espantando" as flechas é de cair o queixo.A sensacional saraivada de flechas pode ser comparada em menor escala a RAN (1985), do Kurosawa, ou a HENRIQUE V (1989), de Kenneth Branagh. Mas aqui, com ajuda da computação gráfica, o efeito ficou perfeito e muito mais bonito.

Dá pra escrever montes de parágrafos sobre as qualidades do filme, mas acho que já escrevi o bastante. Bom mesmo é que as pessoas consigam um jeito de ver o filme. Ou ajudem na torcida pra que lancem esse filme aqui no Brasil, de preferência na telona. Aquele sonzinho mixuruca das caixas de som do meu computador e a telinha de 14 polegadas não fazem jus a ele.

segunda-feira, novembro 17, 2003

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (The Texas Chainsaw Massacre)



O final de semana que passou foi sem cinema. O único filme que vi foi o dvd de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974), filme de estréia de Tobe Hooper. Isso porque eu levei o dvd lá pra casa na Lagoa de Uruaú, onde passei o sábado e o domingo na agradável companhia dos amigos Murilo, Cacau, Valéria, Rejane e Juliana, além de outra turma que estava presente na casa. Lá ainda revi HULK, do Ang Lee. Inclusive, tive também a oportunidade de assistir os extras do dvd, que estão sensacionais. Tão (ou mais) agradáveis de se ver quanto o filme. Emocionante ver o entusiasmo de Stan Lee ao falar com orgulho de seu personagem. Mesmo quem assistiu o filme no cinema, deveria dar uma conferida nesse dvd.

Voltando, então, ao filme do Tobe Hooper. Trata-se de um marco na história dos filmes de terror. Ainda hoje continua forte e com cenas ainda chocantes e de uma crueza espantosa. Já tinha visto há um tempão em vhs, mas pouca coisa ficou na memória. Agora, na revisão em dvd, o filme se revelou pra mim como um dos grandes do gênero. A cena em que o Leatherface põe uma garota no gancho, enquanto ela assiste aterrorizada o maníaco fazer em pedaços o corpo de seu amigo, é uma das mais aterrorizantes da história do cinema. As cenas finais com a Marilyn Burns (a rainha do grito dos anos 70) tentando fugir da família "esquisita" e da moto-serra é o auge do suspense no filme. E o fato de o filme terminar bruscamente, enquanto a adrenalina ainda está a mil é ponto positivo para o filme. Nesse caso, foi ótimo Hooper não ter feito um epílogo no sentido tradicional da palavra.

O filme até hoje é referência, sendo copiado até hoje. Inclusive, está pra sair um remake do filme. E parece que essa nova versão está sendo bem recebida pelo público. Histórias semelhantes também são encontradas nos filmes QUADRILHA DE SÁDICOS (1977) e no recente WRONG TURN.

Uma pena Hooper não ter feito mais filmes tão brilhantes quanto esse. Estava vendo a filmografia dele no IMDB e me interessei pelo segundo filme dele: EATEN ALIVE (1977). Será que ele foi lançado em vídeo aqui no Brasil? Parece que ele está de volta à boa forma com o novo THE TOOLBOX MURDERS, que tem a Angela Battis (MAY) no elenco.

quinta-feira, novembro 13, 2003

DOIS MUSEUS DE CERA



Uma boa você alugar um DVD e nele estar contido dois filmes. É assim que acontece quando você aluga o disquinho de MUSEU DE CERA. No lado B do disco vem a primeira versão da história, o filme OS CRIMES DO MUSEU. Comento a seguir os dois filmes.

MUSEU DE CERA (House of Wax)

Dirigido por De André De Toth, MUSEU DE CERA (1953) é considerado um marco no cinema por ter sido rodado com efeitos 3-D. Acho que não foi o primeiro, mas pelo que eu li no IMDB, o filme é um dos mais festejados entre os que utilizaram esse efeito. Ironia do destino é que De Toth só tinha um olho e não pôde conferir os efeitos do próprio filme (li isso primeiro na Cine Monstro # 2). Ele era era diretor de westerns e de dramas urbanos de crime. Conversando com o Daniel The Walrus, ele me falou que De Toth foi uma das grandes influências para Martin Scorsese. Sendo assim, é um diretor que merece atenção.

Mas é Vincent Price, o maior ícone do cinema de horror americano, a grande atração desse filme. É só comparar com o mesmo personagem do filme de 1933 pra você notar a excelência da performance de Price. O filme, inclusive, achei melhor que as adaptações de Poe dirigidas por Corman e estreladas por Price. Seu personagem em certas horas lembra o Corcunda de Notre Dame, noutras lembra Jack, o Estripador. Talvez Sam Raimi tenha se inspirado nele para fazer o seu DARKMAN (1990) - há semelhanças entre os personagens.

Pena é o dvd não vir com os óculos e com o efeito 3-D.

OS CRIMES DO MUSEU (Mystery of the Wax Museum)

Não sei se porque eu vi esse depois da versão de De Toth, mas o fato é que eu o achei bem inferior. O filme não tem o charme de Price, o roteiro é cheio de problemas (coisa que De Toth tratou de acertar) e tirando as pernas de Fay Wray, o elenco não é tão interessante. Aliás, a Fay tinha mesmo sex appeal. E olha que o filme é dos anos 30, o colorido não é dos mais realistas e a noção de beleza que temos hoje em dia é um pouco diferente. Fay no mesmo ano (1933) ainda faria a obra-prima KING KONG.

Foi Michael Curtiz, diretor de CASABLANCA, quem dirigiu este OS CRIMES DO MUSEU. E só comprova que o cara não era lá tão bom assim. (Eu, pelo menos, sou um dos que acham CASABLACA um filme super-estimado.) O colorido do filme é bem esquisito. Não tenho muita informação sobre o Technicolor, sobre como era obtido a colorização nesse processo. Alguém sabe me explicar??

quarta-feira, novembro 12, 2003

RICHARD BROOKS EM DOIS FILMES



Comento rapidamente dois filmes vistos recentemente, ambos dirigidos por Richard Brooks, mais conhecido como o diretor de GATA EM TETO DE ZINCO QUENTE (1958), com Paul Newman. Os dois filmes a seguir foram gravados da Globo e os dois são westerns, mas de estilos bem diferentes.

OS PROFISSIONAIS (The Professionals)

Como diria o Diogenes, esse é um filme macho. Vejam só o elenco: Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Woody Strode e Jack Palance. É ou não é muito macho? heehehe.. Pra diminuir um pouco a balança do lado dos homens o filme apresenta a sensual Claudia Cardinale, não tão bonita quanto em O LEOPARDO, talvez por estar no México, onde geralmente as pessoas são apresentadas suadas e descabeladas. Se for homem, tem que estar com a barba por fazer. Hehehe.

Na história de OS PROFISSIONAIS (1966), um grupo de homens é contratato para tirar das garras de Jesus Raza (Palance), um líder revolucionário do México, a esposa de um ricaço americano (Cardinale), que havia sido seqüestrada. O grupo iria faturar uma boa grana pela tarefa.

O filme é uma beleza. Mostra um grupo de pessoas rudes mas que têm bom senso de ética e humanidade. O lado mais humano fica por conta do personagem de Robert Ryan, que numa cena, por exemplo, se recusa a matar os cavalos dos mexicanos, mesmo correndo o risco de que os mesmo acabem entregando a presença do grupo em terras inimigas. O chefe do grupo e homem de ética é Lee Marvin. Já Burt Lancaster é um exemplo de mercenário, do cara que está apenas pelo dinheiro, mas que se revela também um exemplo de camaradagem para os demais. As cenas de ação e tiroteio são bem boas. Por enquanto, esse é o melhor filme de Brooks que eu vi.

O RISCO DE UMA DECISÃO (Bite the Bullet)

Esse filme de 1975 é um western atípico. Na verdade, esse é um filme sobre uma corrida, uma espécie de maratona que dura alguns dias e em que as pessoas andam de cavalo por vários kilômetros pelo deserto americano, a fim de ganhar um prêmio. Poderia se passar nos dias de hoje que não faria muita diferença. De novo o lado humanista de Brooks está nesse filme. (Quer dizer, como eu senti isso nos dois filmes, julguei que isso seja uma característica do diretor, mas posso estar errado e isso não se confirma nas outras obras dele.)

No filme, Gene Hackman é um cara gente fina, que odeia quem maltrata animais. Ele é apresentado no começo do filme, salvando um potro. Também no elenco e participando da maratona, James Coburn e Candice Bergen.

O filme é meio monótono. Assisti "em fascículos" sempre antes de dormir, durante a semana passada. Ganha um pouco de ação com uma reviravolta no final, mas nada realmente excitante. A imagem do filme, que foi rodado em wide 2.35, ficou prejudicada na tela cheia da tv. Um filme apenas razoável do Brooks. O lado "didático" do filme é que aprendemos que ingerir sal é bom pra não passar mal no deserto e não perder muito líquido.

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PS: Mais uma dica boa: na Record está passando agora THE SHIELD, uma série de tv policial muito foda. Assisti o primeiro episódio na última sexta e achei ótimo. O Renato sempre falava que era boa a série, mas como eu não tenho o canal AXN não tinha como acompanhar. Está passando dia de sexta, por volta das 11 da noite (horário de verão). Vale conferir!!

segunda-feira, novembro 10, 2003

AGORA OU NUNCA (All or Nothing)



O novo filme de Mike Leigh, do ótimo SEGREDOS E MENTIRAS (1996) e do horrível GAROTAS DE FUTURO (1997), é um filme sobre gente feia, triste e pobre, que tem elementos dos dois filmes citados. A graça de SEGREDOS E MENTIRAS era o fato de podermos rir e ao mesmo tempo chorar dos dramas dos personagens. Em AGORA OU NUNCA, Leigh faz um filme muito sério e sempre com aquele tom de pena dos personagens, com aquela coisa de "ah como eu sou miserável" que chega a incomodar.

O filme mostra o drama de três famílias. Numa das famílias - a que o filme focaliza mais - temos um motorista de táxi (o ator Timothy Spall, o rosto mais conhecido do elenco, e que pode ser visto em outros filmes de Mike Leigh também) cuja esposa trabalha como caixa de um super-mercado. Eles têm dois filhos. Os dois têm problemas de obesidade, herança do pai. Cada um tem os seus problemas. O rapaz é anti-social e revoltado com os pais. A moça é triste e passiva. Nas outras famílias encontramos casos de alcoolismo, gravidez indesejada e por aí vai o filme numa sucessão de desgraças que só perde pro Lars Von Trier e seu DANÇANDO NO ESCURO.

Mas pelo menos numa coisa tem que se dar o braço a torcer: o trabalho de atuação do elenco é ótimo. Mike Leigh provavelmente deve ter utilizado o mesmo método de SEGREDOS E MENTIRAS, isto é, ensaio, ensaio, ensaio e só depois que se começa a filmar.

É verdade que no final do filme eu comecei a simpatizar mais com os personagens, mas no começo eu me incomodava com esse povo cheio de autocomiseração. Prefiro o brasileiríssimo AMARELO MANGA, de Cláudio Assis, que tem gente feia, pobre e desgraçada, mas que mostra um povo de atitude, que vai à luta e manda - se for necessário - todo mundo se foder.
ERA UMA VEZ NO MÉXICO (Once Upon a Time in Mexico)



O novo filme de Robert Rodriguez de certa forma me decepcionou. Mas talvez por eu ter esperado algo completamente diferente. Esperava um filme com mais cara de cinema pipoca, com muita ação, e ritmo parecido com o de A BALADA DO PISTOLEIRO (1995). O principal problema do filme é o roteiro cheio de buracos e a história confusa. Tanto é que isso me aborreceu no começo, fez com que eu me desinteressasse um pouco com a história. A trama envolvendo o presidente do México, policiais, traficantes e matadores não é das mais fáceis de acompanhar. Felizmente do meio para o final o filme cresce e a certa altura ficamos acostumados com toda aquela zona, que culmina na cena da revolução popular.

ERA UMA VEZ NO MÉXICO é um filme recheado de grandes cenas de ação e violência. Esse é, com certeza, o filme mais violento de Rodriguez. A cena em que o Banderas dá um tiro nos joelhos de um sujeito, por exemplo, é bem forte.

Mas a melhor coisa do filme é mesmo o personagem de Johnny Depp. Especialmente no final, quando ele ganha dimensões trágicas. Sentimos uma angústia e uma vontade de desapego da vida que chega a perturbar. Antonio Banderas está ok, mas o personagem dele é eclipsado pelo Depp, o que já era de se esperar. Uma pena Salma Hayek não aparecer mais vezes. Das poucas vezes em que aparece, ela brilha, especialmente na primeira aparição.

Outra sensação que o filme provoca, talvez por causa dos flashbacks de Banderas, talvez por causa do roteiro "problemático", é a de um sonho, ou de um pesadelo. Apesar de o filme situar o local (o México), a sensação que temos é a de que a trama se passa num lugar qualquer, num fim de mundo, sensação parecida com a que sentimos ao ver POR UM PUNHADO DE DÓLARES (1964), do Leone.

A verdade é que este filme cresceu em valor na minha mente à medida que escrevi esse texto. Quem sabe numa revisão ele não se revela um grande filme? Se bem que eu não quero experimentar a angústia da tragédia de Depp novamente tão cedo.

PS: Eva Mendes está mui bonita no filme, hein!!

domingo, novembro 09, 2003

MATRIX REVOLUTIONS (The Matrix Revolutions)



O fim de semana está acabando e não fiz muita coisa de diferente ou interessante não. Foi um fim de semana tranqüilo e de três decepções no cinema: ERA UMA VEZ NO MÉXICO, MATRIX REVOLUTIONS e AGORA OU NUNCA não foram tudo aquilo que eu esperava que fosse. Mas tudo bem. Os grandes filmes acontecem mesmo quando a gente menos espera. Por falar em boas surpresas, estou ouvindo um som bem legal aqui. O álbum “Sunlight Makes Me Paranoid” da nova banda Elefant. Good.

Vou comentando aos poucos os filmes que vi, na telinha e na telona, e como acabei de ver MATRIX REVOLUTIONS, é sobre ele que vou falar agora.

O filme não responde às perguntas deixadas em MATRIX RELOADED, tem cenas demoradas e chatas de batalhas em Zyon, e não justifica bem o fato de os Irmãos Wachowski terem divido a continuação em duas partes. Poderia ser apenas uma continuação e pronto. Eu gostei de RELOADED, gostei do clima de mistério que o filme desenvolve com todos aqueles diálogos meio nonsense. Os diálogos continuam mais ou menos assim em REVOLUTIONS, mas dessa vez enche um pouco o saco da platéia, que dificilmente vai sair satisfeita da sessão. Muita gente sai desapontada, como um amigo meu que acabei encontrando no final da sessão e me disse logo que não gostou. Outro cara perguntou pra ele se ele entendeu.

Eu também ainda não entendi direito o que era tudo aquilo. Estou mais ou menos como o Seinfeld no cinema. Heheheh. Os diálogos que servem pra fundir a cuca da platéia lembra SERIAL EXPERIMENTS LAIN, o desenho japonês, que começa bem, fica instigante à medida que o mistério vai se desenvolvendo, mas chega uma hora que enche o saco. Nem todo mundo é David Lynch, que consegue manter o mistério até o fim e ainda assim fazer a gente ficar arrepiado, emocionado, extasiado, apavorado.

A tragédia de Neo bem que poderia provocar certa angústia na platéia, principalmente pelo que acontece com ele numa luta com um Smith encarnado. Mas não é o que acontece. De qualquer maneira, vou procurar na internet um manual de explicação pro final do filme. O coquetel de kung fu + animê + cristianismo + hiduísmo + computação + filosofia + super-homem não me convenceu no final. E eu que estava até botando fé nos caras...

quinta-feira, novembro 06, 2003

WRONG TURN



Continuando a falar sobre filmes de terror, comento agora um dos melhores exemplares do gênero na atualidade. WRONG TURN (acho que ainda não tem título em português) está na lista dos ótimos filmes de terror produzidos nos EUA nos últimos meses, ao lado de MAY, PREMONIÇÃO 2 e OLHOS FAMINTOS (dizem que a continuação deste está ótima também).

O filme não perde tempo e já começa com a matança de algumas vítimas numa floresta, antes de aparecerem os primeiros créditos. Os personagens principais - também conhecidos como vítimas - irão aparecer logo em seguida. No elenco estão dois nomes conhecidos: a sexy Eliza Dushku (uma das caça-vampiros da série BUFFY) e Jeremy Sisto (de MAY e da série SIX FEET UNDER). Menos conhecidos no elenco: Desmond Harrington (de NAVIO FANTASMA) e Emanuelle Chriqui (de 100 GAROTAS).

WRONG TURN lembra um pouco QUADRILHA DE SÁDICOS (1977), de Wes Craven, inclusive na aparência da tal família assassina/canibal. Mas a principal qualidade do filme é o ritmo. O diretor não deixa a peteca cair em nenhum momento. É o tipo do filme que se você começar a ver não vai querer parar de ver ou deixar pra ver "em fascículos". E passa rapidinho, 84 minutos apenas.

A cena em que alguns dos personagens vão parar na cabana dos assassinos é de fazer a gente roer as unhas. As cenas na árvore também são de primeira, hein. E os efeitos gore estão ótimos, aparentemente feitos à moda antiga, sem utilização de computação gráfica. Ah, outra coisa boa no filme são as meninas, desfilando com aquelas blusinhas que as tornam ainda mais atraentes. (Ah, meu Deus...)

O vcd dssa maravilha, eu comprei quando passei por São Paulo. A cópia é ripada de um dvd promocional e contém algumas seqüências em preto e branco, mas que duram pouco tempo. O som do vcd tá excelente - alto e de qualidade. Esse valeu a pena. Mas ver no cinema deve ser ainda muito melhor.

O nome do diretor do filme é Rob Schmidt e tava vendo no IMDB os dois trabalhos anteriores dele no cinema. O primeiro deles é SATURN (1999), que parece ser um drama de derramar rios de lágrimas; o segundo, CRIME AND PUNISHMENT IN SUBURBIA (2000) é uma versão atual de "Crime e Castigo", do Dostoyevsky, e com Monica Keena e Ellen Barkin no elenco. Acho que os dois filmes estão inéditos no Brasil.

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PS: Pra finalizar, deixo duas dicas de publicações atualmente nas bancas:
- Cine Monstro # 2 - a melhor revista especializada em terror em terras brazucas; e
- Contos Bizarros, revista em quadrinhos produzida pelo pessoal da SuperInteressante e que contém histórias sobre os mais famosos serial killers. Tem Ted Bundy, Eddie Gein, Jeffrey Dahmer, Charles Mason e outros perturbados.

quarta-feira, novembro 05, 2003

COMANDO ASSASSINO (Monkey Shines)



Dia desses passando por uma das bancas aqui do Centro, fui checar algumas fitas usadas pra vender. Comprei este COMANDO ASSASSINO(1988), do George A. Romero, por 3 pilas. Há tempos que queria ver esse filme e não encontrava nas locadoras. Outros filmes do Romero, por exemplo, continuam inéditos pra mim, simplesmente porque as locadoras não os dispõem nas prateleiras. Entre eles: MARTIN (1978) e THE CRAZIES (1973). Sem falar em BRUISER (2000), que só passou no Cinemax e continua inédito em cinema, vhs e dvd.

Bom, o que aconteceu foi o seguinte: de tanto que eu tava querendo ver o filme, acabei me decepcionando um pouco. Não que eu tenha achado ruim, eu gostei sim. É que o filme tem alguns probleminhas. A começar pelo ator principal. Fazia tempo que não via um ator tão ruim. Mas até aí tudo bem - filme de terror geralmente não tem fama de ter interpretações extraordinárias mesmo. Outro problema é que a pobrezinha da macaquinha, com aquela carinha de inocente, não convencia como assassina calculista. Coitada. Mas eu gostei da bichinha. Lembro que vi um documentário sobre os filmes de George Romero na TNT e ele mesmo disse que foi um trabalhão ter que fazer as cenas com as macaquinhas. Nem sempre elas obedeciam. Acho que ele não filma com animais de novo nunca mais. Um outro problema do filme é a tal da verossimilhança. De que maneira a macaca criou ligações psíquicas com o homem? Ou a idéia é mesmo que tudo pareça sem sentido ou sem razão de ser? E se a macaca cria essa ligação, o homem teria que se conectar ao cérebro da macaca também? Não me convenceu.

Mas tudo bem. Vamos às qualidades do filme. O início do filme é muito legal. Romero daria um grande diretor de dramas se resolvesse deixar os filmes de terror de lado. Garanto que teria experiências muito melhores do que seus colegas de gênero Wes Craven (que fez o açucarado MÚSICA DO CORAÇÃO) ou Sam Raimi (que teve uma experiência com drama em POR AMOR). A primeira parte do filme, que trata do acidente que deixaria o personagem principal tetraplégico, seguida de depressão, tentativas de suicídio e readaptação da vida quando se mexe só com a cabeça, tudo isso foi muito bem trabalhado. Destaque para a única cena de sexo do filme. Muito boa. Ótimas também as tomadas em que o protagonista vê pelos olhos da macaca.

Agora, voltando um pouco ao assunto de estar tetraplégico, sem mexer os braços ou as pernas: vocês não acham que o suicídio seria a melhor solução? Viver só com a cabeça funcionando e o resto do corpo morto deve ser um inferno, hein. Mas vamos deixar os pensamentos ruins pra lá.

O importante é que Romero mostrou mais uma vez que consegue, em filmes de terror, explorar temas profundos tanto psicologica quanto socialmente. O socialmente que eu falo se refere principalmente à trilogia dos mortos. O cara é dos bons.

Tenho impressão que esse filme foi lançado nos cinemas com o título INSTINTO ASSASSINO. Ou algo parecido. Alguém me confirma?
RENATO, AILTON E TIAGO - São Paulo, 25 de outubro de 2003


terça-feira, novembro 04, 2003

OS VIGARISTAS (Matchstick Men)



Esse começo de semana começou cheio de problemas pra mim. Na verdade, eu já tinha escrito uma lista dos tais problemas, mas alguns deles já foram solucionados e eu resolvi deixar isso pra lá e não alugar os meus leitores. Dessa vez. Hehehe. Por isso, deletei dois parágrafos inteiros. Então, vamos pular pra festa na sexta-feira.

Na última sexta fui pra uma festa Halloween que não foi tão legal assim pra mim. Serviu principalmente pra eu gastar dinheiro e ficar bêbado com duas doses de uísque barato. Deprimente. Mas a companhia foi boa. A Valéria, o Igor e a Rejane. Eu é que não soube me divertir mesmo, por alguma razão. Duas bandas tocaram na Órbita. Uma banda que tocava uns rocks que não é muito a minha praia e outra banda - a Matutaia - que toca rock setentista. Já tinha visto uma apresentação da Matutaia na primeira vez que fui pra Jeri. A banda é boa. Toca The Doors, Rolling Stones, James Brown em ritmo rock e outras coisa que não me lembro bem ou não conheço mesmo.

Na saída, ainda esqueci a chave do carro da Rejane no bolso da minha calça. Tava dormindo no sábado à tarde quando ela liga pra mim. Tomei um baita susto. Ainda bem que eu tinha guardado a chave. Só não me lembrava. (Aliás, o que é que eu ando me lembrando ultimamente mesmo??) Marcamos pra gente ver um filme no Shopping Benfica e eu estregaria a chave pra ela. Ainda bem que o filme foi ótimo - DEIXA-ME VIVER, que eu até já comentei no blog. No domingo, em vez de ver o novo do Rodriguez, preferi ver OS VIGARISTAS, que com certeza não ficaria tanto tempo em cartaz.

OS VIGARISTAS é o melhor filme de Ridley Scott desde TORMENTA (1996). Abrindo um parênteses aqui só pra dizer que também gostei de 1492: A CONQUISTA DO PARAÍSO (1992) quando vi no cinema. Sou fascinado pela odisséia de Colombo. A história toda do descobrimento da América parece uma lenda, de tão fantástica que é. Os filmes seguintes dele não me convenceram: NO LIMITE DA HONRA (1997) é abominável, asqueroso; GLADIADOR (2000) eu não achei tão ruim quando vi no cinema, mas foi cada vez caindo mais de cotação em minha mente à medida que o tempo foi passando; HANNIBAL (2001) é bem desagradável; FALCÃO NEGRO EM PERIGO (2001) dá vontade da gente sair correndo no meio da sessão.

Dessa vez ele acertou com OS VIGARISTAS. O que não quer dizer muita coisa, vamos combinar. O filme tem Nicolas Cage de novo num papel de um cara estranho e perturbado. Ele já tinha feito algo do tipo em VIVENDO NO LIMITE (1999) e no horroroso ADAPTAÇÃO.(2002). Achei que até iria ficar incomodado com o personagem dele, já que tinha visto um pouco no trailler. Mas não. O personagem é até simpático.

O filme é um drama sobre pessoas que vivem aplicando golpes, como OS IMORAIS (1990), LUA DE PAPEL (1973) ou a comédia OS SAFADOS (1988). Nicolas Cage é um trambiqueiro cheio de tiques nervosos e neuras relacionadas à limpeza e ambientes externos. Seu parceiro é Sam Rockwell. Uma menina aparece pra mudar sua vida - a ótima Alison Lohman, de DEIXE-ME VIVER.

A trama é bem organizada, os personagens são simpáticos, a direção de atores está ok, a fotografia em scope é bem bonita e o final é bem resolvido. Mas ainda assim não fiquei satisfeito. Normalmente falta emoção nesses filmes de Ridley Scott. É o caso de mais esse filme dele. Mesmo assim, considero um bom filme.

domingo, novembro 02, 2003

DEIXE-ME VIVER (White Oleander)



Uma pena esse filme não estar tendo a badalação merecida. É uma obra sensível e que traz personagens complexos e interessantes. No filme, Alison Lohman é uma adolescente que é adotada por diferentes famílias depois que sua mãe (Michelle Pfeifer) é presa por assassinar o namorado. Como o elenco do filme é destaque, vamos ver uma atriz de cada vez.

Alison Lohman. Acho que essa menina merece especial atenção. Ela pode se tornar tão importante quanto Natalie Portman ou até Winona Ryder. Quem sabe, né? Ela vai estar no novo filme do Tim Burton – BIG FISH. Além disso, ela também está em cartaz nos cinemas do país no novo filme do Ridley Scott – OS VIGARISTAS, em papel de destaque. Em DEIXE-ME VIVER, ela incorpora bem a menina suscetível a mudanças de acordo com os ambientes em que passa a viver.

Michelle Pfeiffer está linda como sempre e em um de seus melhores papéis. Ainda por cima é uma grande atriz. Ela é ao mesmo tempo assustadora e sedutora nesse filme.

Robin Wright-Penn, no papel da mulher ciumenta e “religiosa”, também está ótima.

Reneé Zellweger está mais feia do que costumamos ver nos filmes. O que terá acontecido com ela? Cirurgias plásticas mal feitas?

Como se vê é um filme onde o forte mesmo são as interpretações femininas. O filme focaliza o universo feminino, mostrando desde personagens inseguras até aquelas seguras demais.

Patrick Fugit, de QUASE FAMOSOS (2000) também está aqui no filme, dois anos mais velho. O garoto está crescendo. O papel dele é importante. É um dos namorados de Alison. Bonita a cena em que os dois estão olhando as estrelas na praia.

O legal de ver filmes assim, que se aproximam mais da vida, onde a violência não é banalizada, é que a gente não se sente anestesiado. Cada etapa dolorosa da vida de Alison é também sentida um pouco pelo espectador. Aqui a cena de um único tiro de revólver é mais forte do que um tiroteio inteiro de vários filmes de ação que pululam nas salas. Estava sentindo falta de um filme assim.

Curiosamente, o diretor Peter Kosminsky dirigiu apenas filmes para tv e uma versão meia-boca de O MORRO DOS VENTOS UIVANTES. Acredito que esse é o seu primeiro grande filme.

No IMDB tem uma discussão interessante a partir de um comentário de alguém que leu o livro em que o filme se inspirou. Algumas perguntas que se pode fazer depois de se ver o filme, podem ser respondidas lá. Por exemplo, quem leu o livro sabe detalhes do assassinato do namorado de Michelle Pfeiffer; sabe que tipo de material foi usado para envenená-lo. Sabe mais detalhes sobre a insegurança da personagem de Reneé. Ou mais detalhes sobre os relacionamentos amorosos de Alison com homens mais velhos. Mas isso é normal em se tratando de adaptação de um livro para o cinema. Pra mim, o resultado final aqui foi mais do que satisfatório. Uma das mais agradáveis e prazeirosas surpresas do ano no cinema.