sábado, outubro 15, 2016

A MALDIÇÃO DA FLORESTA (The Hallow)



A safra de filmes de horror contemporâneo lançados no circuito anda tão em baixa que, quando surge algum trabalho que seja ao menos diferente, que fuja do lugar comum, já podemos festejar. Este é o caso de A MALDIÇÃO DA FLORESTA (2015), produção que se passa na Irlanda, mas que também conta com dinheiro inglês e americano. A história mostra um casal com um filho pequeno se mudando para uma região rural da Irlanda que tem uma floresta que é considerada amaldiçoada e cheia de criaturas malignas, como dizem os moradores.

Interessante como florestas ou selvas fechadas continuam servindo de inspiração para muitos filmes muito bons. O melhor filme de horror deste ano, por exemplo, A BRUXA, explora muito bem este ambiente. E temos até casos bem especiais, como o cultuado A ÁRVORE DA MALDIÇÃO, de William Friedkin, e A FLORESTA, de Lucky McKee. Mesmo no Brasil, temos o caso de A FLORESTA DE JONATHAS, de Sergio Andrade. E não devemos nos esquecer, claro, de A BRUXA DE BLAIR – o original, não este novo, que é um fiasco.

Quanto ao filme em questão, um de seus maiores méritos está em saber esconder até certo ponto as criaturas e torná-las, assim, mais assustadoras, mas também em ter a coragem de explicitá-las quando chegar a hora, o que acaba tornando A MALDIÇÃO DA FLORESTA muito parecido com um tipo de cinema de horror que se fazia nas décadas de 1970 e 80, quando se trabalhava pouco ou quase nada com computação gráfica, mas com efeitos especiais bastante criativos.

Não dá para dizer que A MALDIÇÃO DA FLORESTA é um filme perfeito. Mas a estreia na direção de Corin Hardy é muito bem-vinda, cheia de elementos sobrenaturais que fogem do estereótipo de filmes de horror cristãos, que são os que predominam atualmente. E neste tipo de cinema mais pagão, por assim dizer, há um sentimento de maravilhamento que as criaturas da floresta nos provocam, ao mesmo tempo em que nos sentimos apavorados em alguns momentos, especialmente quando os personagens se encontram sozinhos, à noite, naquele ambiente em que eles não são bem-vindos.

Aos poucos, o filme vai se tornando uma espécie de pesadelo filmado. O clima onírico predomina e algumas cenas ficam grudadas na memória, como a tentativa do protagonista de dirigir na estrada, o olho na fechadura, ou a busca desesperada da mãe pelo filho capturado pelas criaturas. São cenas que, ainda que numa obra irregular, trazem ao filme uma aura de grandeza de fazer inveja a certos filmes de orçamento mais polpudo.

Corin Hardy, além de alguns curtas-metragens no currículo, tem experiência em direção de videoclipes. Talvez o mais conhecido deles seja o que ele fez para o Keane, para a canção "Somewhere only we know". É, certamente, um cineasta a se prestar atenção. Por A MALDIÇÃO DA FLORESTA, ele chegou a ganhar alguns prêmios em festivais de cinema independente e/ou fantástico, como o Screamfest e o Toronto After Dark.

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