sexta-feira, junho 07, 2013

ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA



Interessante o fato de que, na mesma época que Karim Aïnouz lança seu filme menor (O ABISMO PRATEADO), seu parceiro de VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO (2009), Marcelo Gomes, também chega com um filme de bem menor peso do que sua estreia na direção de longas de ficção, CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS (2005). De todo modo, ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA (2012) não deixa de ser um exemplo do cada vez mais vivo e estimulante cinema produzido em Pernambuco.

Estrelado por Hermila Guedes, o filme mostra o cotidiano de Verônica, uma médica em início de carreira que se vê perdida diante das dificuldades da vida e da profissão. O filme começa com a personagem participando de uma espécie de orgia com um grupo de amigos, todos nus, em uma praia aparentemente deserta. O corte desse momento de liberdade para os momentos de responsabilidade, seja do ofício, seja o de cuidar do pai, doente de câncer (vivido por W.J. Solha), ajuda a acentuar esse momento mais pesado da vida da personagem, que tem como válvula de escape o encontro com as amigas em bares e o sexo com o amigo vivido por João Miguel.

O curioso é que o que mais dá ao filme um tom de poesia e de interioridade, que é a narração em voice-over constante de Verônica, é também um elemento que o prejudica em certo momento, especialmente quando ele se aproxima de seu encerramento. É como se essa fala da personagem forçasse esse espírito intimista e poético que o filme busca a todo momento, mas que nem sempre é conseguido.

Ainda assim, ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA tem os seus méritos, principalmente nas sequências que mostram a falta de chão que a personagem sente ao lidar com pacientes que não sabem externar suas dores; ou, se sabem, fazem de uma maneira com que os seus problemas se tornem quase impossíveis de ser solucionados ou, ao menos, aliviados. Melhores momentos: a festa em que Karina Buhr canta; e a entrega da casa ao pai. São momentos arrepiantes de um filme que, se não é ótimo, é cheio de dignidade.

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