terça-feira, fevereiro 28, 2012

MOTOQUEIRO FANTASMA – ESPÍRITO DE VINGANÇA (Ghost Rider – Spirit of Vengeance)



A mudança da equipe criativa foi o principal motivo para que os fãs do Motoqueiro Fantasma aguardassem um filme melhor do que o fraco primeiro, dirigido por Mark Steven Johnson em 2007. Agora foi a vez de os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor (ADRENALINA, 2006) assumirem o cargo e entregarem um trabalho que fizesse jus ao herói mais sombrio do universo Marvel. Inclusive, se pensarmos bem, um personagem que faz um pacto com o demônio usando rituais satânicos em histórias em quadrinhos também direcionadas ao público infantil não deixou de ser uma ousadia da Marvel, quando da criação do herói na década de 1970.

E eis que MOTOQUEIRO FANTASMA – ESPÍRITO DE VINGANÇA (2012) estreia e as expectativas que o bom trailer havia criado não se confirmaram. Não que o filme seja ruim; o visual do personagem ficou ótimo e bem próximo dos quadrinhos e a história de um menino que está prestes a se tornar o anticristo tem o seu apelo. Mas falta algo no filme que o torne mais apreciável e não apenas uma sucessão de barulhentas e pouco empolgantes cenas de ação.

Na trama de MOTOQUEIRO FANTASMA – ESPÍRITO DE VINGANÇA, ele é novamente Johnny Blaze, o amaldiçoado caveirão flamejante, que se esconde na Turquia e é procurado por um homem misterioso que pede a sua ajuda para salvar um garoto. O menino estaria sendo procurado pelo mesmo emissário do diabo que esteve com Blaze no dia em que ele fez o seu pacto. Em fuga com a mãe (Violante Placido), o garoto é perseguido por um grupo de homens contratados para capturá-lo para ser entregue num ritual satânico que confirmará o garoto como o novo anticristo. A partir de então, o filme segue com certa fidelidade o que seria uma história em quadrinhos de horror barata, mas que, transposta para o cinema, não ganha o mesmo charme.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

OSCAR 2012



A edição do Oscar deste ano foi bem curiosa, com muitos pontos em comum entre os indicados. Os dois favoritos e que mais foram premiados na noite, O ARTISTA e A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, são obras que fazem uma homenagem ao cinema, mas de uma maneira saudosista, com uma volta ao passado. Woody Allen também remete ao passado em seu MEIA NOITE EM PARIS, sentindo saudades da Paris dos anos 1920. O próprio Spielberg, com seu CAVALO DE GUERRA, também remete aos filmes produzidos na velha Hollywood. Um passado recente, o dia 11 de setembro de 2001, também é lembrado na trajetória do garotinho que perdeu o pai em TÃO LONGE E TÃO PERTO. HISTÓRIAS CRUZADAS mostra o sul dos Estados Unidos num tempo em que o negro era ainda mais marginalizado. E A ÁRVORE DA VIDA também foca uma família americana da década de 1950, através da memória de um homem que tem sentimentos conflitantes com o pai.

Os únicos que aparentemente parecem fugir a essa regra são OS DESCENDENTES e O HOMEM QUE MUDOU O JOGO, dois filmes que se passam nos tempos atuais, mas que sempre recorrem à memória. O primeiro, ao lembrar dos seus ancestrais; o segundo, trazendo flashbacks da vida passada do protagonista, dos tempos em que ele atuava como jogador de beisebol.

Curiosamente, os dois são protagonizados por dois amigões, George Clooney e Brad Pitt, ambos concorrendo a melhor ator, mas perdendo para o francês Jean Dujardin, que fez parte da invasão francesa na festa, faturando os prêmios principais. Talvez quem sabe um dia alguém vá questionar o absurdo de um sujeito como Michel Hazanavicius ter batido Scorsese, Allen, Malick e, vá lá, Payne. Talvez não. Talvez estejamos vendo o nascimento de um grande cineasta. Quem sabe. Não conheço o trabalho dele anterior, de qualquer forma.

Quanto à festa em si, a edição 2012 foi especial por trazer de volta Billy Crystal como o apresentador. Que delícia que é vê-lo brincando com os atores (a brincadeira com o Nick Nolte foi impagável!) e principalmente fazendo aquele tradicional medley de canções-paródia para os indicados na categoria principal. A apresentação do Cirque du Soleil foi hipnotizante. Podia ter demorado mais um pouquinho. A homenagem aos mortos não lembrou de Theo Angelopoulos, mas foi feliz ao finalizar com o rosto marcante de Elizabeth Taylor, tão representativa do glamour hollywoodiano e de anos talvez mais felizes para o cinema americano. E quanto ao fato de RIO ter perdido melhor canção, não ligo. Não gosto do filme, mesmo.

Quanto às beldades da noite, não tem pra ninguém. Natalie Portman apareceu maravilhosa como um anjo, não mais trazendo aquela aura meio pesada do ano passado, quando recebeu o prêmio por CISNE NEGRO. Desta vez, ela apareceu com um discreto vestido vermelho vintage que não eclipsava ou atrapalhava a sua beleza divina. Além dela, também vale destacar Kristen Wiig, linda; Sandra Bullock, como sempre, continua adorável; Angelina Jolie, apesar da magreza, ainda tem um impacto impressionante, com sua beleza única e forte; e Jessica Chastain, que surgiu meio que de uma hora para a outra no cinema, estava luminosa.

Quanto às premiações, as que eu mais gostei foram o prêmio dado a Meryl Streep, depois de tantos anos sendo indicada e não levando a estatueta; o prêmio de fotografia para o ótimo Robert Richardson; e os prêmios de roteiro para filmes queridos como OS DESCENDENTES e MEIA NOITE EM PARIS. Nada contra O ARTISTA. Gosto do filme; só não sou um entusiasta. Mas que tinha filmes bem mais queridos por mim, ah, tinha. Não que eu imaginasse que a academia fosse premiar A ÁRVORE DA VIDA. Isso seria muita ousadia. Mas posso dizer que foi a mais agradável festa em muitos anos.



Os vencedores da noite:

Melhor Filme - O ARTISTA
Direção – Michel Hazanavicius (O ARTISTA)
Ator – Jean Dujardin (O ARTISTA)
Atriz – Meryl Streep (A DAMA DE FERRO)
Ator Coadjuvante – Christopher Plummer (TODA FORMA DE AMOR)
Atriz Coadjuvante – Octavia Spencer (HISTÓRIAS CRUZADAS)
Roteiro Original – MEIA NOITE EM PARIS
Roteiro Adaptado – OS DESCENDENTES
Fotografia – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Montagem – MILLENNIUM – OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES
Trilha Sonora Original – O ARTISTA
Canção Original - "Man or Muppet", de OS MUPPETS
Mixagem de Som – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Edição de Som – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Efeitos Visuais – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Direção de Arte – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Figurino – O ARTISTA
Maquiagem – A DAMA DE FERRO
Filme Estrangeiro – A SEPARAÇÃO (Irã)
Longa de Animação - RANGO
Curta de Animação – THE FANTASTIC FLYING BOOKS OF MR. MORRIS LESSMORE
Curta-metragem - THE SHORE
Documentário - UNDEFEATED
Curta Documentário – SAVING FACE

domingo, fevereiro 26, 2012

MARGIN CALL – O DIA ANTES DO FIM (Margin Call)



Em setembro de 2007, aconteceu uma demissão massiva na empresa em que eu trabalhava. (Para uma empresa de vinte e poucos funcionários, demitir sete pode ser considerado uma demissão massiva.) As demissões foram anunciadas em uma tensa reunião no dia anterior, mas ninguém sabia ainda quais seriam os escolhidos. Muita gente ficou apreensiva, gente que estava lá há mais de vinte anos. No dia seguinte, os diretores começaram a chamar um a um pelo telefone esses funcionários. Foi uma das manhãs mais tensas que já vivi. Depois que esse fatídico dia passou e eu inclusive chorei pela saída de um dos melhores amigos, vi que estava dramatizando demais a situação e que hoje sei que depois daquele dia tornei-me mais forte para enfrentar os desafios da vida profissional, mas ainda vendo esse tipo de corte como bastante cruel. Hoje já não trabalho mais lá nessa empresa, pedi para sair em 2011, mas lembrei desse dia ao ver MARGIN CALL – O DIA ANTES DO FIM (2011).

No começo do filme, que se passa um dia antes de declarada a grande quebra financeira de 2008, um grupo de executivos chega a uma grande companhia pronto para cortar muitas cabeças. Inclusive, um dos chefes também é demitido, o personagem de Stanley Tucci. E é a partir dele que a trama vai se desenvolver, quando ele entrega um pen drive para seu ex-subordinado (Zachary Quinto) para que ele continue o serviço e que tenha cuidado. E o que ele encontra nos dados é pura dinamite. A empresa estava prestes a explodir e era preciso fazer algo para que o seu patrimônio não virasse pó e todos os acionistas não perdessem seus milhões. Nem que para isso eles usassem de má fé, vendendo ações que não valeriam nada para os compradores.

MARGIN CALL – O DIA ANTES DO FIM faria uma ótima dobradinha com TOO BIG TO FAIL, com a diferença que o primeiro é mais acessível para as audiências por não complicar muito a situação, nem requerer muitos conhecimentos da história econômica daquele período ou mesmo de Economia em si e também toma a liberdade de não dar os nomes reais dos envolvidos, como faz o telefilme. As soluções foram acertadas para o bem da narrativa. E com um elenco daqueles, um texto muito bom e uma direção bem conduzida, o resultado foi mais do que satisfatório. O elenco inclui Kevin Spacey, Zachary Quinto, Paul Bettany, Jeremy Irons, Demi Moore e Stanley Tucci, só para citar os nomes mais conhecidos.

MARGIN CALL – O DIA ANTES DO FIM recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de roteiro original.

P.S.: Finalmente está no ar a edição nº 52 da Revista Zingu! A nova edição está recheada de textos especiais. Há o Dossiê Ewerton de Castro, com entrevista com o ator e críticas de vários filmes em que ele atuou; o Especial John Herbert; além das já tradicionais colunas. Falando nas colunas, tive o prazer de rever EROS – O DEUS DO AMOR (1981), de Walter Hugo Khouri, para fazer um texto para a coluna Filme Farol, dedicada ao filme brasileiro favorito do redator. Também contribuí com textos sobre KUARUP (1989), de Ruy Guerra; CLEO E DANIEL (1970), de Roberto Freire; e A HORA MÁGICA (1998), de Guilherme de Almeida Prado. Meu recorde de contribuição para a revista. Destaque também para o texto-poesia "O que é cinema brasileiro", de Marcelo Miranda; e o conto/crônica sensacional de Matheus Trunk para homenagear Neide Ribeiro. Além do mais, a musa da boca escolhida para a edição foi a Monique Lafond. Resumindo: delícia de edição!

sábado, fevereiro 25, 2012

TÃO FORTE E TÃO PERTO (Extremely Loud & Incredibly Close)



O último dentre os indicados a melhor filme na edição do Oscar de 2012 a estrear no Brasil, TÃO FORTE E TÃO PERTO (2011) foi destaque no dia do anúncio dos indicados. Foi o único filme a ser aplaudido e recebido com gritinhos de euforia por parte de um grupo de simpatizantes. Achei muito curiosa essa reação. Mas o filme tem recebido uma saraivada de críticas negativas, como aconteceu com O LEITOR (2008), o trabalho anterior de Stephen Daldry, também indicado a melhor filme, três anos atrás. Aliás, dos quatro longas-metragens do diretor, três receberam indicação à categoria principal e BILLY ELLIOT (2000), sua estreia, faturou uma indicação a melhor direção. Um feito tão admirável quanto incompreensível.

Não apreciando os trabalhos de Daldry, estava esperando de TÃO FORTE E TÃO PERTO um filme chato e cheio de falhas. E ele pode ser mesmo chato em alguns momentos e ter suas falhas, mas dá para contar nos dedos os que não as têm. Um dos problemas está principalmente na busca do garoto pelo tal segredo que o pai guardou. Esse argumento é o principal ponto fraco, mas ele é importante para que o filme atinja o seu objetivo final.

TÃO FORTE E TÃO PERTO (esse título nacional incomoda bastante) lida com a perda do pai de um garoto (o estreante Thomas Horn) durante o ataque às Torres Gêmeas no 11 de setembro. Ou "o pior dia", como o menino costuma dizer. O pai é vivido por Tom Hanks, que com seu jeito de boa pessoa passa também a impressão de pai devotado e amável. A mãe, interpretada por Sandra Bullock, já não tem o mesmo elo com o garoto. Até porque ele sofre de alguns distúrbios – é muito inteligente, mas não consegue se socializar ou viver como os outros de sua idade, tendo algumas fobias.

Ainda que o garoto se saia muito bem, os melhores momentos do filme acontecem graças aos coadjuvantes. Viola Davis, como a primeira estranha que o recebe, chorando, não se sabe por quê; Sandra Bullock, com suas tentativas de se aproximar do garoto e suas declarações de amor tão comoventes; e Max von Sydow, no papel do senhor que não fala e se comunica apenas com gestos e palavras escritas em blocos de papel, mas que se torna o mais próximo da figura paterna que ele perdeu. O final, belo e cheio de amor, talvez não seja tão atraente àqueles que não gostam de filmes que incitam às lágrimas, mas que comoveu bastante este que vos escreve.

TÃO FORTE E TÃO PERTO recebeu duas indicações ao Oscar, nas categorias de filme e ator coadjuvante (Max von Sydow).

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

DORIANA GRAY (Das Bildnis der Doriana Gray / Die Marquise von Sade)



Tendo em vista a nota de falecimento de Lina Romay, peguei um filme de Jesús Franco para ver, dentre os poucos que tinha em meu acervo, para homenagear a atriz e maior parceira do cineasta espanhol. Como era para ser uma produção protagonizada pela atriz, seria ou DORIANA GRAY (1976) ou MACUMBA SEXUAL (1983), os dois únicos que tinha à disposição. E DORIANA GRAY foi o primeiro que encontrei. Não sei se é o melhor dos dois, mas não deixa de ser interessante de ver, mesmo eu não sendo exatamente um fã de Franco. Ainda duvido, por exemplo, que ele tenha feito algo tão bom quanto VAMPYROS LESBOS (1971) em sua extensa filmografia de quase 200 títulos, mas precisaria conferir mais alguns para tirar a prova.

O destaque de DORIANA GRAY dentre os filmes mais conhecidos de Franco – pelo menos dentre os poucos que vi - é o fato de conter cenas de sexo explícito. A própria Lina Romay não se incomoda de protagonizar cenas bem quentes com homens e mulheres. Porém, no quesito sexo, o que ainda me incomoda nessas produções dos anos 1970 é a floresta de pelos nas genitálias. Ainda mais com um filme que mostra tantas cenas de sexo oral e apresenta closes ginecológicos. Porém, num desses super-closes, a imagem fica tão plasticamente bela que eu queria que o filme tivesse terminado ali. Mas Franco tinha que finalizar a sua historinha.

Na trama - se é que dá pra chamar esse fiapo de história recheado de cenas de sexo de trama -, o nome de Doriana Gray não é gratuito. Semelhante ao texto de Oscar Wilde, Doriana tem uma irmã que fica presa num hospício, como louca, enquanto ela ganha a fonte da juventude transando com mulheres e matando-as durante o ato sexual, sem usar de arma nenhuma. Ela é uma espécie de vampira sexual. Não suga o sangue, mas a energia vital dessas mulheres, que se sentem atraídas por ela. Não é para menos, Lina Romay, na época da realização do filme ainda desfrutava da beleza da juventude e um par de seios admiráveis. Ela passa o filme inteiro com uma roupa transparente, como as vampiras dos filmes de Jean Rollin. Isso, claro, até a hora de tirar o vestido e partir para a ação.

Lina Romay (1954-2012) participou de mais de 100 produções de Jess Franco.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

A MULHER DE PRETO (The Woman in Black)



Muito bom ver o cinema britânico de horror sendo revitalizado. E com uma produtora lendária como a Hammer ainda por cima, que fez sua marca com o horror gótico e estiloso que abrilhantou o cinema nas décadas de 1950 a 1970. A MULHER DE PRETO (2012) ainda conta com a presença na direção de James Watkins, que havia estreado com o pé direito com o ótimo SEM SAÍDA (2008), que saiu direto em vídeo no Brasil. Mas talvez o maior chamariz de A MULHER DE PRETO, para que ele faça sucesso perante o grande público, seja a presença de Daniel Radcliffe, que não pretende ser o Harry Potter para o resto da vida.

E até que ele se saiu bem, ainda que, no começo do filme, não deixa de ser estranho vê-lo desempenhar papel de pai, devido à sua aparência ainda muito jovem. Radcliffe interpreta um advogado viúvo (a esposa morreu no parto) enviado a um vilarejo afastado para cuidar dos documentos de um cliente recém-falecido, deixando com a empregada o seu filho de quatro anos. Ao chegar ao local, ele logo percebe que praticamente todos os habitantes lhe são hostis. O lugar tem uma atmosfera carregada de brumas, o que acentua o clima gótico do filme, que quase não mostra carros, devendo se passar entre a virada do século XIX para o início do século XX.

A MULHER DE PRETO é cheio de elementos clássicos dos filmes de fantasmas: portas rangendo, velas para dar um pouco de luminosidade a um ambiente totalmente escuro, teias de aranha, bonecas nos quartos e, principalmente, uma velha mansão assombrada por fantasmas que surgem de vez em quando para assustar a audiência. E devo dizer que há tempos não se via um filme de horror de fantasmas que assustasse tanto o público. Apesar dos clichês já velhos conhecidos, Watkins consegue fazer um ótimo trabalho, a ponto de deixar muita gente no mínimo arrepiada. A cena da cadeira de balanço talvez seja o grande momento. Destaque também para a belíssima direção de arte e para a fotografia de Tim Maurice-Jones. De dar gosto de ver na telona.

Há uma outra adaptação do mesmo romance de Susan Hill que foi produzida em 1989 para a televisão britânica com o mesmo título, THE WOMAN IN BLACK.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

ANDRÓCLES E O LEÃO (Androcles and the Lion)



Mais uma produção que Nicholas Ray ajudou a dirigir, meio que por imposição de Howard Hughes. Se não fosse por sua contribuição, dificilmente teria visto o filme. Mas sabe que até que ANDRÓCLES E O LEÃO (1952) é bem simpático? Aproveitaram a história do leão que tem um espinho na pata e que fica com um sentimento de gratidão para com quem o livrou da dor. Apesar da temática pesada – cristãos primitivos sendo levados para serem comidos pelos leões ou morrerem nas mãos de gladiadores no Coliseu Romano -, o tom do filme é leve, cômico até.

ANDRÓCLES E O LEÃO, creditado ao pouco conhecido diretor Chester Erskine, tem como principal atrativo a beleza exuberante de Jean Simmons, que se destaca entre o grupo de cristãos que são levados pelos romanos. A atriz fez muitos filmes de época, mas tem uma carreira até que bastante eclética e com muitos filmes marcantes. O mesmo talvez não possa ser dito de Victor Mature, que já ganhou a fama de interpretar filmes de época, principalmente épicos bíblicos, como SANSÃO E DALILA e O MANTO SAGRADO.

Mas o Andrócles do título não é nenhum dos dois, mas um personagem que ajuda a levar o filme para o território da comédia, vivido por Alan Young. Quando o filme procura momentos mais leves, lá está ele. Quando exige mais dramaticidade, Jean Simmons está presente, embora também sorria e faça sorrir muito, mesmo nas piores circunstâncias. A caminhada dos cristãos rumo ao Coliseu, em certos momentos, até lembra A VIDA DE BRIAN! Obviamente, trata-se de um filme que enaltece o Cristianismo e que tem uma moral da história que raramente seria vista numa produção contemporânea. Por isso, por Jean Simmons e pelos momentos de diversão, ANDRÓCLES E O LEÃO merece ser visto.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

INQUIETOS (Restless)



Primeira história de amor dirigida por Gus Van Sant que eu vejo – ainda não vi MALA NOCHE (1986) -, INQUIETOS (2011) é um belo e simples filme que trata do amor de dois adolescentes com problemas distintos, mas que são unidos pela morte. Ele vive entrando como penetra em funerais de estranhos; ela é uma garota com câncer e que tem poucos meses de vida. Ele tem como seu melhor amigo o fantasma de um japonês morto; ela tem como hobby estudar a natureza: os pássaros, os insetos, como se tivesse muito tempo ainda para se apegar a esse plano terreno.

Essas diferenças entre os dois são elementos bem interessantes na história desse bonito casal, vivido por Henry Hopper (filho de Dennis Hopper) e Mia Wasikowska, que cada vez mais tem feito brilhar os filmes em que atua. INQUIETOS se distancia do melodrama carregado, apesar de ter todos os ingredientes para fazer um se quisesse. Mas ao que parece não é o estilo de Van Sant, que sempre apostou mais na violência e no diferente – a exceção talvez esteja nos seus trabalhos mais convencionais, como GÊNIO INDOMÁVEL (1997) e ENCONTRANDO FORRESTER (2000), quando o cineasta parecia ter perdido o caminho e se tornado um operário padrão de Hollywood.

Ao contrário do que se pensa, e apesar da temática, INQUIETOS não é carregado de morbidez. A alegria de viver mostrada sempre pela personagem de Wasikowska contagia e ilumina o que poderia ser uma ode à morte. O filme até brinca com o dramático da situação em determinado momento. Mas talvez seja esse descompromisso com o sentimento mais profundo e com o luto que tenha me incomodado um pouco. Em compensação, a cena em que os dois fazem amor (é brega dizer "fazer amor" hoje em dia?; não consigo dizer "fazer sexo" nessa cena especificamente) é de uma sensibilidade admirável e um dos mais belos momentos. Ah, e que bom ver um filme que começa com "Two of Us", dos Beatles, e termina com "The Fairest of the Seasons", da Nico.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

A DAMA DE FERRO (The Iron Lady)



O cinema é uma porta aberta para inúmeras opções. Entre elas, a possibilidade de se contar a História de uma país. No Brasil, temos poucos exemplos, e raramente bem sucedidos. Os Estados Unidos, a Inglaterra, a França e a Itália, como as grandes potências cinematográficas do Ocidente, têm essa vantagem de possuír um aparato para apresentar, ainda que nem sempre fiel aos fatos, momentos históricos importantes e figuras históricas marcantes. Como é o caso de Margaret Thatcher. Conhecida como a "Dama de Ferro", ela foi a primeira e única mulher a chegar ao cargo de Primeiro Ministro do Reino Unido, durante o período de 1979-1990.

Em A DAMA DE FERRO (2011), o grande chamariz é, na verdade, a interpretação de Meryl Streep. Que está muito bem no papel. Ela raramente está mal e é uma instituição do cinema americano. Sua interpretação de Thatcher é primorosa. E nem mesmo o uso do látex para mostrar a personagem velha chega a atrapalhar, como aconteceu em J. EDGAR, de Clint Eastwood. Em A DAMA DE FERRO o trabalho de maquiagem está muito melhor.

O problema é que o filme é quadradão, tem um ritmo bem moroso e com poucos momentos que se possa dizer que sejam brilhantes. Talvez o começo da carreira de Thatcher no ministério seja um dos momentos mais memoráveis, com a câmera mostrando os vários pés das pessoas entrando no parlamento. Só se vê um único pé feminino: o dela. A dificuldade de se impor diante de uma ditadura de homens na política foi um de seus grandes obstáculos, mas ela conseguiu driblar esse problema com inteligência e força, por mais que isso tenha lhe custado parte de sua sanidade.

Pena que nem todas as decisões que ela tomava eram das mais acertadas. Assim, a Inglaterra viveu um dos momentos mais cheios de lutas entre a população revoltada com suas medidas e a polícia nas ruas. De certa forma, o filme até pode causar a má impressão de que mulher na política raramente dá certo. Mas concordar com isto seria como se eu estivesse quase comprando briga não só com as feministas, mas com as mulheres em geral, tão mais independentes hoje em dia. A propósito, não concordo com essa ideia. Quanto ao filme, a sua única vantagem é o seu aspecto didático, de nos apresentar a eventos históricos importantes. Fora isso, é um trabalho bem medíocre e difícil de engolir dentro de sua duração.

A DAMA DE FERRO recebeu duas indicações ao Oscar, nas categorias de atriz e maquiagem.

domingo, fevereiro 19, 2012

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (Hugo)



Martin Scorsese, por ter passado a sua infância num bairro pobre de descendentes italianos em Nova York, sabe bem o que é a figura de uma criança crescida na rua, muito embora ele, por causa da asma, tenha sido criado superprotegido pelos pais, mais na solidão, por não fazer nada físico e não brincar com as outras crianças. Em compensação, havia um ritual de ir sempre ao cinema com o pai, não importando que filme passava. Em A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (2011), encontramos algumas similaridades entre o cineasta e o protagonista, o garotinho órfão Hugo, que mora sozinho na torre de relógio de uma estação de trem na Paris da década de 1930. Para sobreviver, ele rouba comida e é constantemente perseguido pelo guarda (Sasha Baron Cohen). Não era o caso de Scorsese quando criança, mas interessante esse detalhe ser mostrado num filme que também é destinado ao público infantil. Mas estamos falando de Scorsese, o mestre dos filmes de gângster, e não poderia ser diferente.

Até porque essa situação do menino remete a O GAROTO, de Charles Chaplin, um entre vários filmes homenageados em A INVENÇÃO DE HUGO CABRET. Além do mais, na filmografia de Scorsese há toda uma simpatia por tipos marginais. A imagem marginal de Hugo é suavizada pela figura do garoto de imensos e expressivos olhos azuis vivido por Asa Butterfield. Ele vive em solidão, mas é acostumado a ver o seu mundo como uma tela de cinema, através da torre de relógios da estação, como o filme faz questão de explicitar logo no início. Seu maior sonho é conseguir consertar um autômato, uma espécie de protótipo de robô, que escreveria algo, mas que para isso seria necessário algumas peças, que ele procura roubar da banquinha de um velho senhor vivido por Ben Kingsley.

Esse senhor é ninguém menos que Georges Méliès, o pai do cinema narrativo, mais conhecido mundialmente como o diretor de VIAGEM À LUA, filme que carrega consigo uma das imagens mais icônicas do século XX, a de um foguete penetrando o olho da Lua. Méliès é a razão de ser do filme. O personagem, amargurado por ter sido esquecido pela sociedade e não querendo mais lembrar de seus tempos gloriosos, anteriores à Primeira Guerra, aos poucos vai conquistando o espectador, até o que eu considero o momento mais emocionante do filme.

Enquanto isso, é a aventura de Hugo e de sua primeira amiguinha, a garotinha que mora na casa de Méliès vivida por Chloë Grace (de KICK-ASS e DEIXE-ME ENTRAR), que dá o tom e que ganha o filme para as plateias menores. Aliás, HUGO já conquista o espectador de todas as idades com o rapidíssimo travelling inicial, nos apresentando a estação. Mas nada como compartilhar a descoberta do cinema pela menina, vendo pela primeira vez um filme na telona (uma comédia de Harold Lloyd, que mais na frente veremos que tem tudo a ver com HUGO e que foi homenageada também em DE VOLTA PARA O FUTURO); e depois ver os dois lendo um livro de História do Cinema numa biblioteca.

Assim, homenageando os irmãos Lumière e principalmente Méliès, A INVENÇÃO DE HUGO CABRET abraça as duas formas de se fazer cinema. Tudo a ver com esse atual momento de Scorsese de também se dedicar à direção de documentários. Assim, a realidade e a fantasia se misturam e se completam de forma mágica nesse belo e luminoso filme.

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET recebeu onze indicações ao Oscar, nas categorias de filme, direção, roteiro adaptado, fotografia, direção de arte, figurino, montagem, trilha sonora, edição de som, mixagem de som e efeitos visuais.

sábado, fevereiro 18, 2012

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO (Moneyball)



Quando O HOMEM QUE MUDOU O JOGO (2011) se encerra e os créditos aparecem, temos a impressão de que fomos abandonados, de que aquelas duas horas e poucos minutos de duração passaram voando, de que queríamos ficar mais tempo com aqueles personagens. Algo semelhante com o que acontece também com OS DESCENDENTES, de Alexander Payne, mas ainda mais admirável, levando em consideração o tema aparentemente chato, que é o das negociações em torno de times de beisebol.

Mas acontece que o filme de Bennett Miller, de CAPOTE (2005), não é exatamente um filme sobre o beisebol. Ou até é, mas possui mais camadas, mais elementos a serem analisados e questionados que vão além do esporte. Há a tão conhecida necessidade dos americanos de vencer, de serem os campeões. Não basta ser bom; não basta ser mediano: tem que se atingir o topo. Uma necessidade que se torna uma obsessão e que já foi muito bem relativizada e questionada em outros filmes pelos americanos.

Em O HOMEM QUE MUDOU O JOGO, Brad Pitt é o gerente de um time de beisebol que está entre os piores do campeonato, mas que sente que foi contratado não apenas para melhorar o time, mas para fazer dele um campeão. Para isso ele precisa de dinheiro. Seu time, o Oakland, que possui uma folha de pagamento de 40 milhões, disputa com times grandes, com folhas de pagamento de 240 milhões, o que para ele é injusto.

Inicialmente, ele tenta procurar, em vão, com o dono do time, mais verba para poder contratar jogadores melhores, até que numa reunião de um time adversário ele conhece o personagem de Jonah Hill, um jovem de 25 anos com pinta de nerd, formado em Economia pela Universidade de Yale, que usa de forma pioneira a matemática como metodologia para escalar jogadores subestimados por uma razão ou outra e que teriam chances de formar um bom time com um custo baixo e resultados bem favoráveis.

Um detalhe curioso do filme é que por trás de uma fachada simpática, que é a figura de Brad Pitt, se esconde um neoliberalismo perverso, que não se importa com quem demite, se o sujeito (o jogador) está precisando muito daquele emprego para manter a sua família ou pagar uma casa própria. Há também outros subtemas explorados de maneira delicada e que contribuem para dar mais humanidade ao personagem de Pitt, que é a relação carinhosa com a filha adolescente, fruto de um casamento que não deu certo, e a sua solidão, um tanto compensada pela obsessão pelo trabalho.

O HOMEM QUE MUDOU O JOGO recebeu seis indicações ao Oscar, nas categorias de filme, ator (Brad Pitt), ator coadjuvante (Jonah Hill), roteiro adaptado, montagem e mixagem de som.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

A CONDENAÇÃO (Conviction)



Acho que se eu tivesse escrito a respeito de A CONDENAÇÃO (2010) no calor da emoção, logo que saísse da sessão, há algumas semanas, teria colocado o filme em um patamar mais elevado. Agora, que o sangue desceu, nem tanto. Quando eu via o trailer, ficava com a impressão de que o filme era um melodrama bem sem vergonha de ser infeliz – ou feliz, dependendo do final. E realmente o filme carrega bastante nas tintas. Mas não tenho do que reclamar. Sou doido por um bom melodrama, desses de fazer chorar bastante.

E não sei por que razão esses filmes sobre pessoas inocentes que são presas e que conseguem sair de uma maneira ou de outra depois de muito sofrimento, como HURRICANE – O FURACÃO ou UM SONHO DE LIBERDADE, mexem tanto com os nossos sentimentos. E A CONDENAÇÃO é mais um título a engrossar a lista. O fato de ser baseado numa história real torna a dramatização ainda mais impressionante, por mais que o filme a romantize bastante.

Na trama, Sam Rockwell é um sujeito que tem um temperamento forte, tem o pavio curto, e acaba sendo o principal suspeito do assassinato de uma mulher. No tribunal, suas ex-namoradas - uma delas vivida por uma Juliette Lewis bem white trash – testemunham contra ele, fazendo com que, sem outras evidências a seu favor, o júri o considere culpado e ele pegue prisão perpétua. Depois de uma tentativa de suicídio na prisão, sua irmã que tanto o ama (Hilary Swank) resolve, então, fazer uma faculdade de Direito e passar na prova de advogado, para poder tirá-lo da prisão. Nem que para isso tenha que sacrificar o seu casamento e a sua vida particular.

Trata-se mesmo de uma história digna de virar um filme. Uma história de amor e sacrifício. E que bom que eles puderam contar com um elenco tão bom. Hilary Swank passa credibilidade ao papel e o filme deve a ela metade do mérito. O restante vai para a boa condução narrativa por parte do diretor Tony Goldwyn e para o elenco de apoio, como a delegada vivida por Melissa Leo e a advogada vivida por Minnie Driver. Ao chegar ao final, só os corações de pedra não chorariam. O cinema em peso, aliás, chorou nos momentos mais emocionantes. Experiências coletivas assim fazem parte da mágica do cinema. Principalmente em espíritos mais sentimentais.

P.S.: Saiu ontem o resultado final do prêmio Alfred. Confiram os vencedores nas mais diversas categorias no blogue da Liga. Destaque para a arte caprichada de Egídio La Pasta Jr., que fez os cartõezinhos dos vencedores.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

ESTRADA DA VIDA



Um dos filmes de Nelson Pereira dos Santos mais malhados pela crítica é também um de seus mais divertidos e agradáveis trabalhos. ESTRADA DA VIDA (1981), que conta num registro de comédia musical a trajetória da dupla sertaneja Milionário e José Rico, é daqueles filmes que o tempo não tratou de tirar os seus méritos. Vê-lo é como viajar no tempo, num tempo mais ingênuo. Aliás, talvez o tempo nem fosse tão ingênuo assim, mas é essa a impressão que o filme passa, contagiado pelas canções simples e puras da dupla.

O filme já começa muito divertido, mostrando o encontro dos dois num Hotel dos Artistas em São Paulo. Ambos vieram parar nesse hotel sem um tostão no bolso, sem documentos, e dizendo ser artistas. Na conversa inicial, eles dizem fazer muito sucesso em suas terras. Milionário (que até então não tinha adotado o nome) dizia que fazia parte da dupla Bentinho e Bentão; José Rico dizia que sua dupla se chamava Chorinho e Chorão, sendo ele o Chorão. O diálogo é bem divertido, com um quê de Os Trapalhões nos tempos áureos.

O sucesso comercial do filme, que flagrava uma dupla no auge da popularidade, foi inversamente proporcional à saraivada de críticas a Nelson, acusado de ter se vendido ao capitalismo, ao contar a história de uma dupla que deseja sucesso comercial e que alcança isso. Nelson rebateu dizendo: "A linguagem do cinema é a emoção. Chega de sociologia dentro do filme." Para ele, ESTRADA DA VIDA era tão regional quanto VIDAS SECAS (1963). E tão universal quanto.

Sabemos que o rigor formal não era bem uma característica de Nelson, que já havia adquirido a fama de usar muito a espontaneidade em seus filmes, muitas vezes fazendo o roteiro na hora. E não foi diferente com ESTRADA DA VIDA. Cada história que Milionário e José Rico contavam de suas vidas, ele queria filmar, ficava entusiasmado. Para quem espera uma obra dramática e até trágica como 2 FILHOS DE FRANCISCO, outra cinebiografia de dupla sertaneja que teve um sucesso retumbante, vai encontrar no filme de Milionário e José Rico algo bem diferente. Mais artesanal, mais simples e com a própria dupla interpretando seus papéis, o que não é garantia de grandes interpretações, mas é garantia de diversão.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

UM SONHO DE AMOR (Io Sono l'Amore)



Quando UM SONHO DE AMOR (2009), de Luca Guadagnino, começa, a primeira impressão que temos é de sermos jogados num universo frio e cheio de personagens estranhos, ainda por serem descobertos, em sua maioria antipáticos. A certeza que se tem é a de que Tilda Swinton representará o papel de protagonista dessa trama de desconstrução familiar. Ela é uma expatriada russa casada com um homem rico de uma tradicional família de Milão. Assim como os personagens, o filme também possui algo de estranho. E ao chegarmos ao seu final, essa impressão persiste, mesmo já se tendo conhecido o drama dos personagens.

O eixo central do filme é a história de amor entre Emma, a personagem de Swinton, e o cozinheiro Antonio, o melhor amigo de seu filho, vivido por Edoardo Gabbriellini. Embora haja uma subtrama interessante da filha de Emma que mora no exterior, o filme foca mesmo é na relação dessa mulher mais velha, quase aristocrática, com o jovem rapaz plebeu. E UM SONHO DE AMOR narra isso de maneira bem elegante, muitas vezes remetendo ao cinema de Luchino Visconti, com o gosto e a atenção para os detalhes de uma casa luxuosa. O bucolismo passa a predominar quando Emma passa a se encontrar com Antonio.

Mais uma vez, Tilda Swinton escolhe uma produção pouco usual. E em UM SONHO DE AMOR ela entrou de cabeça, sendo inclusive também produtora do filme. Seu jeito meio estranho já se mostrava bastante visível desde os tempos de ORLANDO. Ou até antes, na década de 1980. Quanto a UM SONHO DE AMOR, talvez o problema do filme esteja no fato de que, de tanto querer ser sofisticado, acaba se tornado frio demais. As emoções que ele tenta passar não envolvem. O final, um tanto operístico, é que acaba ganhando pontos pela originalidade. Mas, no geral, o filme vai desaparecendo na memória afetiva. Até porque ele pouco teve espaço nessa memória durante a projeção.

terça-feira, fevereiro 14, 2012

A ILHA DOS MORTOS (Survival of the Dead)



Essa sucessão de filmes "dos mortos" que George A. Romero tem dirigido nos últimos anos está mais parecendo uma maneira de ele mostrar para o mundo, que parece contagiado com a febre dos zumbis, usando-os em séries de televisão, gibis, literatura, videogames, passeatas; uma maneira de ele lembrar a todos que o criador dos zumbis modernos foi ele, com A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968). Mas seus últimos trabalhos, especialmente este A ILHA DOS MORTOS (2009) e o anterior DIÁRIO DOS MORTOS (2007), não são nem sombra do que foram seus primeiros filmes, nem possuem a mesma relevância social que os anteriores traziam.

Sem falar que os zumbis do século XXI tiveram que ser turbinados, aprender a correr, para se tornarem mais aterrorizantes e causarem medo nos personagens e no espectador. Eles viraram motivo de piada em TODO MUNDO QUASE MORTO, de Edgar Wright - não que eu ache engraçado esse filme. E nada mais justo que Romero, o "dono" dos mortos-vivos, venha reivindicar o seu lugar nesse espaço. Pena que os seus novos filmes não tenham mais a mesma força.

A ILHA DOS MORTOS é o mais fraco de todos. Tanto que não houve nenhuma repercussão, nem resposta dos fãs quando ele foi lançado, nem mobilização por aqui para que o filme fosse exibido nos cinemas, como aconteceu com DIÁRIO DOS MORTOS. Assim, o filme passou praticamente batido, ficando escondidinho na seção de terror das prateleiras das locadoras sobreviventes ou esquecido nos HDs ou DVD-Rs de quem se interessou eventualmente por ele.

E eu lembrei dele esses dias e resolvi assistir. A trama até poderia ter rendido algo bom: homem é expulso de uma ilha que outrora foi um lugar mais ou menos seguro, dentro de um mundo dominado por zumbis. Três anos depois, ele resolve voltar com um pequeno grupo de militares para retomar o seu lugar. Ao chegar lá, vê que as coisas estão bem diferentes. O problema do filme é a direção preguiçosa de Romero. Não nos interessamos pelos personagens, nem há nada que já não tenhamos visto em um filme de zumbi qualquer. Tomara que o próximo trabalho de Romero não seja outro filme de zumbis. Algo diferente seria bem-vindo.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

O DESPERTAR (The Awakening)



O gênero horror ainda é um dos mais atraentes que existe. Claro que isso não vale para quem não é um aficionado. Mesmo assim, nos últimos tempos, tem-se notado um cansaço e uma falta de ideias, que faz com que muitos filmes repitam cada vez mais os temas, com algumas pequenas mudanças. Mas isso é natural, levando em consideração que o horror tem quase a idade do cinema. Filmes de casas assombradas, então, precisam ser bem inspirados e bem conduzidos para funcionarem.

O que mais chama a atenção e que faz a gente valorizar O DESPERTAR (2011), assim que o filme inicia, é a sua fotografia. Uma das mais belas já vistas num filme de terror desde, talvez, ILHA DO MEDO, de Martin Scorsese, uma produção classe A. E talvez não possamos dizer o mesmo de O DESPERTAR, que é produzido pela BBC Films, mas se não é uma superprodução, pelo menos é uma produção de uma rede de televisão e rádio nada pobre. E o detalhe da fotografia, eu achei importante destacar porque o cinema inglês tem uma tradição de fotografias pouco nítidas, mas ao que parece esse problema tem se resolvido nos últimos anos. E no caso de O DESPERTAR, não só a fotografia, mas a direção de arte também é particularmente caprichada.

Porém, no que é talvez o mais importante de se destacar num filme de terror, que é a capacidade de assustar, O DESPERTAR peca pela pouca eficiência. Ainda assim, há alguns bons momentos, como a sequência da casa de bonecas. Que talvez nem seja tão original assim, mas que é um dos destaques do filme. Outro destaque, claro, é a presença de Rebecca Hall, essa bela atriz inglesa que tem se destacado no cinema americano desde O GRANDE TRUQUE, de Christopher Nolan, mas que se mostrou de verdade para o mundo como grande atriz em VICKY CRISTINA BARCELONA, de Woody Allen.

Na trama de O DESPERTAR, Hall é Florence Cathcart, uma especialista em desmascarar charlatões que dizem que podem fazer comunicação com os mortos. Sua vida vai seguindo, até que um homem a convida para visitar um colégio interno que tem sido, segundo ele, assombrado pelo espírito de um garoto. Interessante o modo como ela é apresentada no lugar, como uma mulher educada. Ao que parece, naquele tempo, o pós-guerra dos anos 1920, eram poucas as mulheres instruídas. Esse detalhe imprime não só autoridade à sua figura, mas também certa sensualidade. No mais, o filme tem boas sequências de investigação e assombração e alguns momentos de surpresa, mas nada que o torne tão memorável.

domingo, fevereiro 12, 2012

HOUSE – QUARTA TEMPORADA (House M.D – Season Four)



Estava com muita saudade de HOUSE. Tinha visto a terceira temporada em 2010 e só agora tive tempo de ver a quarta (2007/2008), que contém menos episódios que as demais por causa da greve dos roteiristas. O que não quer dizer que seja uma temporada mais compacta, mais enxuta, já que HOUSE se compõe basicamente de episódios esquemáticos e independentes um do outro no que se refere ao caso a ser investigado. Mas claro que há uma ordem cronológica dos acontecimentos entre os episódios e, inclusive, nesta temporada isso se torna mais forte.

Isso por causa da mudança da equipe de House. Como ele demitiu e alguns se demitiram, ele ficou só, mas disposto a formar uma nova equipe. Com sua habitual acidez, ele transforma a seleção numa espécie de jogo. Os que mais errassem ou não se mostrassem hábeis o suficiente, seriam desclassificados. Não chega a ser uma surpresa saber quem serão os três escolhidos, principalmente para quem está com a caixinha da temporada em mãos. Assim, um dos grandes trunfos desta temporada é a aquisição da bela Olivia Wilde, que interpreta a Dra. "Thirteen".

O número 13 no lugar do nome era o seu número entre os vários candidatos e acaba sendo adotado por House. Assim, ela é uma mulher de que sabemos muito pouco ou quase nada. E com seu jeito ao mesmo tempo inteligente, sensível, compenetrado e naturalmente sexy, Thirteen vai nos conquistando a cada episódio. Tanto que a gente até esquece da Cameron (Jennifer Morrison). Ainda assim, os outros membros da equipe "clássica" aparecem de vez em quando. Mesmo coadjuvantes, ainda são seus os nomes que estão nos créditos iniciais.

No que se refere aos casos médicos a serem desvendados por House e sua equipe, diria que os 16 episódios da quarta temporada não são tão curiosos e surpreendentes quanto os da temporada anterior. Na verdade, muitas vezes os casos são resolvidos no último minuto e o episódio termina de maneira brusca e confusa para quem é leigo em medicina. A maioria dos episódios é dirigida por Deran Sarafian, cujo nome eu só lembrava por ter dirigido um filme com Van Damme, GARANTIA DE MORTE (1990). Mas ele tem muito mais coisas no currículo, principalmente episódios de séries de TV.

Casos mais interessantes: no episódio "Ugly", um rapaz com aparência semelhante ao "Homem-Elefante" é encaminhado ao hospital para uma cirurgia reparadora, junto com uma equipe de cinegrafistas para um reality show; em "Frozen", House trata de uma paciente (Mira Sorvino) no Polo Norte, através de webcam; em "Games", Wilson dá um diagnóstico errado para um paciente, que quando descobre que não tem câncer, como acreditava ter nos últimos três meses, fica indignado com o oncologista.

Mas nada como os dois dramáticos episódios finais da série. Eu devo ter chorado todo o meu estoque de lágrimas do mês. Os episódios diferem bastante dos demais, embora cada um trate também de casos misteriosos e diagnósticos complicados. Tudo começa quando House se vê num strip-tease bar e não sabe como foi parar lá e nem lembra o que aconteceu nas últimas quatro horas. O final é inesperado, doloroso e emocionante.

Agradecimentos especiais ao amigo Zezão, que fez a gentileza de emprestar o box.

sábado, fevereiro 11, 2012

MADRE JOANA DOS ANJOS (Matka Joanna od Aniolów)



"E perguntou-lhe Jesus, dizendo: Qual é o teu nome? E ele disse: Legião; porque tinham entrado nele muitos demônios. E rogavam-lhe que os não mandassem para o abismo. E andava ali pastando no monte uma vara de muitos porcos; e rogaram-lhe que lhes concedesse entrar neles; e concedeu-lho. E, tendo saído os demônios do homem, entraram nos porcos, e a manada precipitou-se de um despenhadeiro no lago, e afogou-se."
(Lucas 8:30-33)


Essa é uma das passagens mais intrigantes da Bíblia, principalmente para quem tem curiosidade no estudo da demonologia. E também para quem viu tantos filmes sobre possessão e exorcismo, como o recente FILHA DO MAL. Na passagem acima, por exemplo, por que os demônios pedem a Jesus que não os mandem para o abismo, preferindo entrar nos corpos dos porcos para em seguida cair no despenhadeiro? Uma das hipóteses seria que eles, como espíritos etéreos, poderiam procurar um novo hospedeiro desprotegido. Isso a gente pode supor depois de ter visto tantos filmes de horror que tratam do assunto.

Em MADRE JOANA DOS ANJOS (1961), o diretor polonês-ucraniano Jerzy Kawalerowicz faz uma elegante mistura de Bergman com Dreyer para contar a história de um temeroso padre que tem a missão de ir a um convento habitado por freiras possuídas por legiões de demônios para realizar exorcismos. A Madre Superiora é a principal hospedeira dos espíritos das trevas e até já dominou outro padre que tentou exorcizar o lugar, mas que sucumbiu às tentações e acabou morto na fogueira pela população local. Por isso o novo padre, que procura se autoflagelar, tem um medo imenso de encarar essas mulheres.

O detalhe é que as mulheres do filme são quase todas bonitas. A começar pela moça que atende na taverna, passando pela primeira freira que recebe o padre, até a própria Madre Superiora. A beleza dessas mulheres acaba por ajudar no processo de sedução. A primeira cena impressionante é justamente a da chegada do padre no convento e uma jovem e bela freira o recebe muito bem, mas logo em seguida demonstra, com um sorriso maligno, estar possuída. Outra cena que fica forte na memória é a do exorcismo da Madre Superiora por um grupo de padres. A resistência é enorme e elas tratam os sacerdotes com escárnio. Há também outra cena de destaque, que é a discussão entre o padre e um rabino.

Acho que o problema do filme para mim é o fato de ter um andamento que é também um convite ao sono. Tive que ver o filme aos pedaços por isso. Mas aí a culpa é mais minha do que do filme. Uma boa noite de sono e um espírito alerta pode garantir mais prazer em sua apreciação. A fotografia em preto e branco, em tons claros, os enquadramentos precisos, a ambientação despojada, tudo isso contribui para o sucesso artístico desse filme que teve a ousadia de botar demônios em pleno convento, o que fez com que ele fosse proibido em vários países na época de seu lançamento nos cinemas.

P.S.: Ontem saíram os indicados ao Alfred, o prêmio organizado pela Liga dos Blogues Cinematográficos há nove anos. Confira o resultado AQUI! Quarenta blogueiros votaram. Os meus votos podem ser vistos AQUI.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

CONTROL



O que eu achei muito sinistro na semana em que eu vi CONTROL (2007) foi a quantidade de temas relacionados a suicídio que me cercaram. Como se sabe, o vocalista do Joy Division, Ian Curtis, cometeu suicídio; e vemos o filme já sabendo o destino final do personagem. Na mesma semana, estava lendo a biografia do Fernando Pessoa, no capítulo que fala do poeta suicida Mário Sá-Carneiro. E também na mesma semana, ocorreu a morte do quadrinista Al Rio. Se eu não me engano, tinha mais coisas relacionadas a isso no período, mas não lembro. Então, resolvi deixar essa poeira malévola assentar para escrever sobre o filme.

Vi CONTROL um tanto por insistência do amigo blogueiro Cristiano Contreiras, do blog Apimentário. E foi ótimo ter visto. Tenho mesmo que agradecê-lo pelo empurrãozinho. Gostei bem mais do que esperava e até adquiri mais respeito e gosto pelo Joy Division, banda da qual eu até já tive uma camiseta, mas que na verdade nunca fui muito fã. Acho que é porque o som deles é pouco melódico. Mas vendo no filme a trajetória da banda, em especial de Ian Curtis, o vocalista, fiquei fascinado. Eis uma banda que praticamente não conseguiu obter a glória durante sua existência. O pouco que venderam, enquanto Ian estava vivo, mal dava para pagar as contas.

O filme destaca especialmente o problema de epilepsia de Curtis (muito bem interpretado por Sam Riley) e mostra um desses ataques acontecendo num show. Como rock é um gênero que parece valer tudo, boa parte do público achava que aquilo fazia parte do espetáculo. O fato de ter casado cedo demais e de não saber conviver com a doença foram fatores que acabaram contribuindo para que o quadro de depressão de Curtis se agravasse, o que acabou levando-o ao trágico fim, com apenas 23 anos de idade. CONTROL também mostra, discretamente, o último filme visto por Curtis, STROSZEK, de Werner Herzog.

A fotografia em preto e branco do filme remete a outros trabalhos do diretor Anton Corbijn, mais conhecido por seus videoclipes. "Electrical Storm" e "Please", ambos do U2, têm visual semelhante ao do filme, em belo preto e branco. Ainda há os vários vídeos que ele dirigiu para o Depeche Mode e dois para o Metallica. E o bonito de CONTROL é que não é um trabalho picotado, como se espera de um diretor de videoclipes, mas que utiliza muito bem planos mais longos e possui um andamento relativamente lento. Um trabalho admirável.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

MADAME BOVARY



E depois de três filmes um tanto frustrantes baseados na obra-prima de Gustave Flaubert, eis que me delicio com essa maravilhosa adaptação de Claude Chabrol. Não que A SEDUTORA MADAME BOVARY, de Vincente Minnelli, não tenha o seu brilho, mas é uma obra que, apesar de ter a cara de seu diretor, fica aquém do texto literário, no sentido de provocar a catarse final. Não se pode dizer o mesmo de MADAME BOVARY (1991), de Chabrol, que além de respeitar e muito o texto de Flaubert, possui semelhanças curiosas com o livro.

A começar pelo fato de que ambas são obras "realistas". O livro de Flaubert é um marco do Realismo francês. E Chabrol, vindo da nouvelle vague, escola que simpatiza com o neorrealismo italiano, carrega também essa tendência. Assim, seu filme se distancia do romantismo do trabalho de Minnelli. Sem falar que Chabrol já tinha experiência em filmes sobre mulheres fortes. Mas o que me deixou mais impressionado na semelhança entre a obra literária e a adaptação fílmica foi o fato de que ambos os autores ficaram doentes quando escreveram/filmaram o momento da agonia e morte de Emma Bovary.

Conta-se que Flaubert sentiu o gosto de arsênico na boca quando escreveu sobre o suicídio de Emma e ficou doente. O mesmo aconteceu com Chabrol, que também adoeceu depois de ter filmado essa sequência. E ao contrário das outras adaptações, MADAME BOVARY, de Chabrol, é muito feliz em sua tentativa de reproduzir toda a agonia e dor da personagem, através de pontos de vista dela e daqueles que estão ao seu redor. Não é tão impactante quanto no romance, mas acredito que é o mais próximo que alguém já conseguiu chegar.

Outro acerto imenso do filme é a presença magistral de Isabelle Huppert vivendo Emma. A atriz possui algo de camaleônico. Sabe se mostrar quase invisível, como uma mulher comum, nos momentos necessários para a trama; e sabe se transformar numa dama exuberante nos momentos extremos de alegria e paixão. A atriz se mostra fria para com o marido, mas o filme tem um cuidado para não torná-la demasiado perversa com Charles. Que aqui mais se aproxima do personagem literário, alheio ao que se passa na vida da mulher.

Chabrol, assim como Minnelli, e diferente de Jean Renoir, utiliza a narração em voice-over, numa voz masculina, com textos aparentemente retirados diretamente do romance de Flaubert. Essa narração só intervém quando necessário, como que para dar ao filme, que já carrega em si o tempo presente, o pretérito imperfeito do romance. Há também um cuidado com o uso do figurino de Emma, de acordo com a situação e evolução da personagem. Ela começa usando um vestido branco e vai escurecendo, erotizando e sofisticando seus trajes à medida que a trama se desenrola. São detalhes como esse que enobrecem a obra de Chabrol, esse gigante do cinema francês, que deixou um legado de mais de sessenta filmes a serem degustados por gerações de cinéfilos.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO (We Bought a Zoo)



Cameron Crowe é um cineasta que conquistou a simpatia de muitos cinéfilos. Especialmente os que gostam também de rock. Afinal, o filme que catapultou sua fama para o mundo – VIDA DE SOLTEIRO (1992) – surgiu junto com o estouro do grunge. Se o filme não é uma maravilha, ele teve sua importância para aquele momento e hoje é quase um documento histórico de uma época que passou tão rápido que a gente nem percebeu. QUASE FAMOSOS (2000) é outro filme que também trata de rock e é o seu trabalho mais pessoal, próximo do biográfico. É um belo filme, embora eu também não o ache perfeito.

Na verdade, por mais que Crowe seja querido, ele ainda deve um grande filme. E não foi com este COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO (2011) que ele conseguiu esse feito. Até porque é um trabalho bem família. O mais "família" de todos os que ele já fez até agora. Isso já faz a gente enxergar o filme com menos interesse, mas nele vemos um tema recorrente de outros filmes de Crowe, que é a busca pela superação diante das adversidades. JERRY MAGUIRE – A GRANDE VIRADA (1996) é o mais representativo desse interesse do diretor pelo tema.

Em COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO, temos a figura de um homem (Matt Damon) que tenta superar a perda da esposa, procurando cuidar de seus filhos através de uma mudança de ares. Por obra do destino (e pela simpatia da filha mais nova pelo lugar), ele aceita se mudar para uma casa que fica dentro de um zoológico. Comprou a casa, comprou o zoológico. E tem que cuidar e dar manutenção e gerenciamento ao lugar, que anda decadente e desativado. Lá, ele entra em contato com pessoas interessantes, como as personagens de Scarlett Johansson e Elle Fanning, que funcionam como interesses amorosos para ele e para o seu filho adolescente, respectivamente. Ainda assim, o filme não se aprofunda no romance e não sei se isso é bom ou ruim.

Enfim, COMPRAMOS UM ZOOLÓGICO é simpático e tem menos gordura do que o anterior do diretor, TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN (2005). O que não quer dizer que seja melhor.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

O ARTISTA (The Artist)



Além de ser um dos filmes mais festejados do momento, O ARTISTA (2011) é também uma ousadia e um ato de esperteza por parte de seu diretor, Michel Hazanavicius. Uma ousadia, pois lançar um filme mudo e na mesma janela e condições das produções do final dos anos 1920 é quase um suicídio comercial. E uma esperteza, pois trata-se de uma produção francesa que se passa em Hollywood, tem alguns atores americanos e é uma homenagem ao cinema hollywoodiano. Assim, facilita suas chances de ingresso ao Oscar, uma festa do cinema produzido nos Estados Unidos (e um pouco na Inglaterra também) que raramente dá chances a outras cinematografias.

Porém, o filme é mais do que um ato de ousadia e esperteza. É também um belo trabalho, que homenageia principalmente CANTANDO NA CHUVA, que também lida com o processo de mudança do cinema mudo para o cinema falado e as consequências que isso acarretou para muitas estrelas do cinema mudo que não se adaptaram ao novo. O filme é também cheio de um sentimento de nostalgia, especialmente quando vemos uma cena que se passa no final dos anos 1920, numa sala de cinema lotada e com uma orquestra tocando ao vivo como acompanhamento para o filme. Essa é, por exemplo, uma experiência que eu gostaria de ter vivido ou quem sabe de viver ainda um dia.

E é nadando contra a maré, em tempos de novas evoluções tecnológicas na indústria cinematográfica, que chega O ARTISTA. O filme nos apresenta George Valentin (Jean Dujardin), um astro do cinema mudo que é descartado por seu chefe (John Goodman) com o advento do cinema falado. Antes disso, durante uma première entre fãs excitadas, ele tira uma foto com uma jovem desconhecida, Peppy Miller (Bérénice Bejo), que logo fica famosa, graças aos tabloides. E ela acaba por entrar no filme de Valentin como uma simples dançarina e vai depois galgando a fama até se tornar uma das maiores estrelas do novo cinema falado que chega junto com a quebra da bolsa. E o filme vai mostrando uma relação de encontros e desencontros entre os dois.

O ARTISTA também traz algumas reviravoltas e surpresas para o espectador, como o uso de alguns efeitos interessantes, como na sequência do sonho, que contribuem para aumentar o seu valor. Porém, se não fosse a bela e romântica conclusão, o filme seria rapidamente esquecido. E ainda há o cachorro, que é um show à parte. O cachorrinho de Valentin é uma graça e soma pontos, no geral. Porém, mesmo com tudo isso, só o tempo dirá se O ARTISTA se firmará como uma obra essencial de nossa época. O filme não cresceu tanto em minha memória afetiva, por exemplo.

O ARTISTA recebeu dez indicações ao Oscar: filme, diretor (Michel Hazanavicius), ator (Jean Dujardin), atriz coadjuvante (Bérénice Bejo), roteiro original, fotografia, montagem, direção de arte, figurino e trilha sonora.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

HISTÓRIAS CRUZADAS (The Help)



Com um elenco de maravilhosas atrizes, HISTÓRIAS CRUZADAS (2011), segundo longa-metragem de Tate Taylor, acabou caindo nas graças do público americano, com sua história sobre intolerância e falta de respeito com o negro. No entanto, sabe-se que há ainda muita hipocrisia na sociedade americana e na própria Hollywood, no que se refere ao racismo, por mais que eles tentem posar de progressistas. Basta ver a cerimônia do Globo de Ouro deste ano: quando Sidney Poitier foi receber uma homenagem, praticamente todos os que estavam de pé ali para aplaudi-lo eram brancos. A sociedade americana até evoluiu bastante da década de 1970 para cá, mas muito por causa dos próprios negros, que lutaram por seus direitos e por sua autoestima.

Uma das cenas mais curiosas de HISTÓRIAS CRUZADAS é a do baile. Reparemos nos negros tocando o bom rock'n'roll e animando a festa para as dondocas brancas sulistas e racistas, que tratam suas empregadas como escravas, como se ainda estivessem no século XIX. Como se não bastasse os negros servirem os brancos como domésticas e garçons, eles ainda os serviam com o que havia de melhor na música popular americana. Todo mundo sabe disso hoje, mas é necessário sempre lembrar. E um filme como HISTÓRIAS CRUZADAS serve para isso.

Na trama, passada no sul dos Estados Unidos no início da década de 1960, Emma Stone é Skeeter, uma jovem recém-saída da faculdade que volta à sua cidade natal com a ideia de escrever um livro do ponto de vista das empregadas negras. A ideia é transgressora. Afinal, aquela é uma sociedade que divide banheiros para brancos e negros. Ainda por cima, os negros são assombrados pela Ku-Klux-Klan e só encontram liberdade e alento nos cultos evangélicos. A ideia é aceita por Aibileen (Viola Davis) e por Minny (Octavia Spencer), as primeiras empregadas domésticas a toparem contar suas histórias de humilhação e dor, que seriam a gênese para o livro anônimo "The Help".

O problema do filme é o fato de ser um drama edificante ao estilo Disney, para toda a família, o que acaba comprometendo o resultado, inclusive nas próprias interpretações e no tom. Especialmente a personagem mais malvada da história, vivida por Bryce Dallas Howard, que mais parece saída de uma novela das oito da Rede Globo. Assim, até atrizes que ganham papéis menos ingratos, como Emma Stone, Viola Davis, Octavia Spencer e Sissy Spacek, acabam se prejudicando também. Talvez quem menos se prejudique seja Jessica Chastain, como a mulher esnobada pelas outras.

HISTÓRIAS CRUZADAS recebeu quatro indicações ao Oscar: filme, atriz (Viola Davis), atriz coadjuvante (Octavia Spencer) e novamente atriz coadjuvante (Jessica Chastain).

domingo, fevereiro 05, 2012

FILHA DO MAL (The Devil Inside)



Que surpresa boa é este FILHA DO MAL (2012), que com apenas um milhão de dólares de orçamento desbancou produções milionárias como MISSÃO: IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA nos Estados Unidos. É um filme pequeno que aparentemente não tem muito a oferecer de novo ao espectador. Afinal, o uso da câmera na mão, do falso documentário para passar mais "verdade", tem sido explorado à exaustão em Hollywood e até fora do território americano nos últimos anos. Mas o que FILHA DO MAL, então, tem para oferecer de novo dentro desse subgênero e dentro também dos filmes de exorcismo?

Na verdade, contar seria estragar um pouco a surpresa desse filme que acaba mais rápido do que a gente imagina, deixando o espectador talvez um pouco frustrado, pois a experiência de tensão na última sequência é uma das melhores de FILHA DO MAL. Melhor repetir um pouco o que quase todo mundo que tem frequentado os cinemas e visto o trailer já sabe: trata-se da história de uma jovem de 28 anos que resolve saber mais detalhes sobre o que aconteceu com sua mãe, internada há vinte anos num hospital psiquiátrico em Roma, por ter matado três pessoas durante um ritual de exorcismo. Ela era a exorcizada, a suposta possuidora de demônios.

A filha também intenciona saber se isso é mesmo possessão ou loucura e, se for o segundo caso, se isso está em seus genes. Para isso, vai com um amigo cinegrafista a fim de preparar também um documentário. Deste modo, ela visita um curso de exorcistas na Itália, onde conhece um grupo de padres ou interessados no assunto, um deles bem cético, que a ajuda a presenciar uma verdadeira sessão de exorcismo. Contar mais seria uma crueldade.

FILHA DO MAL deve muito de seu sucesso à brasileira Fernanda Andrade, que tem no currículo a minissérie ANJOS CAÍDOS e alguns trabalhos para a televisão. Ela teve apenas uma semana para se preparar para o papel e se saiu muito bem. A edição é acertada, ora mostrando depoimentos dos personagens e dos "entrevistados" direto para a câmera, ora acompanhando a protagonista na jornada que a levará a entrar em contato com pessoas possuídas. Enfim, uma produção pequena e modesta que já está na luta pelo posto de filme de horror do ano.

sábado, fevereiro 04, 2012

A SEPARAÇÃO (Jodaeiye Nader az Simin)



Confesso que esperava mais de A SEPARAÇÃO (2011). Afinal, foi o filme que desbancou A PELE QUE HABITO no Globo de Ouro, na categoria Filme Estrangeiro. Mas sabemos que essas premiações não são motivo para acharmos que tal filme é melhor do que outro. Há muita coisa em jogo e eleger o filme de Asghar Farhadi não deixa de ser uma forma de ir contra o governo iraniano, que tem desrespeitado seus artistas. Mas a minha expectativa em relação ao badalado filme de Farhadi foi também por causa de seu trabalho anterior, PROCURANDO ELLY (2009), que considero superior, embora ambos tenham muita coisa em comum.

Tanto A SEPARAÇÃO quanto PROCURANDO ELLY lidam com situações difíceis e que fazem o espectador pensar, se angustiar e algumas vezes se surpreender. Quase como num filme de investigação. Ambos tratam da condição da mulher na sociedade iraniana, que tem se mostrado até que bem forte diante das circunstâncias. A protagonista de A SEPARAÇÃO, Simin (Leila Hatami), peita a organização familiar iraniana ao desejar deixar o país, não importando se o marido Nader (Peyman Maadi) vai junto com ela ou não. Já ele se sente na obrigação de ficar e cuidar do pai, com Alzheimer. A filha do casal fica ao lado do pai, que contrata uma mulher para ajudar a cuidar da casa e do velho, cada vez mais senil.

A diferença entre um filme e outro talvez esteja no tratamento mais cerebral dado ao mais novo. PROCURANDO ELLY é mais emocionante, tem mais thriller dentro do drama. A SEPARAÇÃO é mais um filme de observação. Talvez julguemos a mulher, que abandona o marido; talvez sintamos admiração por ela. Ou talvez apenas a observemos. Como observamos, ainda que com uma ponta de compaixão, os demais personagens, como a senhora que cuida de Nader e seu marido endividado, que serão de fundamental importância para o segundo e principalmente para o terceiro ato do filme, quando todas as máscaras cairão.

A SEPARAÇÃO recebeu duas indicações ao Oscar: filme em língua estrangeira e roteiro original.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

PORNÔ!



Embora eu seja ainda um calouro no que se refere ao conhecimento dos filmes e diretores que marcaram a História do cinema brasileiro da época da Boca do Lixo, fico sempre triste quando sei de alguma notícia da perda de algum cineasta importante desse tão rico período. Quem partiu dessa vez foi John Doo, que esteve em coma nos últimos anos por causa de um AVC. E é uma pena eu pesquisar no Google sobre a morte do diretor e não encontrar quase nenhum site comentando ou relatando o ocorrido. Vi apenas no blog do Matheus Trunk, que fez uma homenagem a Doo.

E foi com a intenção de também fazer uma humilde homenagem que resolvi assistir algum trabalho dirigido por esse chinês de nascença, mas brasileiro de espírito. Entre as opções disponíveis, só tinha PORNÔ! (1981), que não deixa de ser uma boa pedida, mesmo sendo um filme de segmentos, com Doo dirigindo apenas o último. Mas o importante é que justamente o segmento dele é o melhor e o mais admirável do filme.

Tenho já uma boa experiência com filmes brasileiros de segmentos. Caso de pérolas como AS SAFADAS, A NOITE DAS TARAS e CONTOS ERÓTICOS, todos eles marcantes, cada um à sua maneira. PORNÔ! não é tão bom quanto os três em seu conjunto, mas o segmento de John Doo que encerra o filme é simplesmente brilhante. Chama-se "O Gafanhoto" e tem uma intrigante e surreal trama, na qual uma mulher cega (Zélia Diniz, foto) controla o marido (Arthur Rodever) através dos espelhos. Ela é capaz de enxergar através dos vários espelhos existentes no quarto dele. Além de ter cenas bem apimentadas, inclusive uma outra em que Zélia Diniz encena belissimamente um orgasmo, a história de Ody Fraga, junto com a direção de John Doo, faz de "O Gafanhoto" um dos mais interessantes trabalhos de nosso cinema.

Mas PORNÔ! começa com outros dois bons filmetes. O primeiro segmento, "As Gazelas", de Luiz Castellini , mostra uma relação interessante entre duas garotas. Pena que é curtinho demais. Estava sendo um prazer assisti-lo, especialmente pelo corpo nu de Maristela Moreno. Quanto a "O Prazer da Virtude", dirigido por David Cardoso, também produtor e protagonista, vale mais pela presença de Matilde Mastrangi, que é aquele desbunde de mulher. Embora a trama seja bobinha, não dá pra esquecer a Matilde vestida de freira para satisfazer a fantasia sexual do personagem de Cardoso.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

PAIXÃO DE BRAVO (The Lusty Men)



Continuando a peregrinação pela obra de Nicholas Ray, chegamos a este western moderno, PAIXÃO DE BRAVO (1952), passado no Texas, em cidades que promovem rodeios. Hoje em dia o tema é polêmico, pois envolve maus tratos com os animais, mas na década de 1950 não havia essa preocupação. Até mesmo a representação dos índios, quase todos exterminados na época, só servia ao espetáculo, para aquecer as competições e lembrar àquelas pessoas, com uma ponta de saudosismo, como era selvagem o lugar onde eles habitam.

No filme, Robert Mitchum é Jeff McCloud, um experiente homem de rodeios que já ganhou muito dinheiro, mas que também já desperdiçou tudo. Hoje ele se "aposentou" e só quer um lugar para trabalhar como vaqueiro numa fazenda no lugar onde ele passou a sua infância. É lá que ele conhece Wes (Arthur Kennedy) e Louise (Susan Hayward). Wes é um entusiasta dos rodeios e conhece a fama de McCloud. Consegue uma vaga de vaqueiro para ele, mas o que Wes quer mesmo é que McCloud lhe ensine os truques do rodeio: como ficar muito tempo num touro ou num cavalo bravo, como laçar um potro em poucos segundos etc. Seria uma maneira rápida de conseguir o dinheiro para que ele e a esposa pudessem comprar a casa que tanto almejam. Acontece que ela não gosta muito da ideia do marido, de se envolver num negócio perigoso, que pode matá-lo ou deixá-lo aleijado. Mas como homem é bicho teimoso, ele consegue convencê-la. Até porque, já na primeira vez que Wes tentou, ele ganhou um bom dinheiro.

O filme desenvolve um interessante triângulo amoroso entre o casal e o solitário McCloud, que rapidamente fica apaixonado por Louise. Conforme combinado, ele trabalharia como treinador de Wes e ficaria com 50% dos lucros. A solidão de McCloud é notada ainda mais quando vemos grupos de casais que vivem na rotina de rodeios, de mulheres que sofrem vendo seus maridos correndo perigo diariamente naqueles espetáculos selvagens. O filme também destaca a ambição cega de Wes, que, ao ganhar mais dinheiro e fama, esquece seus objetivos iniciais e passa até a ignorar a esposa. Assim, McCloud é o grande herói rayniano do filme: marginal, solitário, decadente e querendo muito ter uma família para se estabelecer.

Novamente, assim como acontece em CINZAS QUE QUEIMAM (1952), Ray faz questão de não ceder ao melodrama. No caso de PAIXÃO DE BRAVO, senti que isso prejudica um pouco o final, que me pareceu demasiado brusco em sua conclusão. Diria que se não fosse por esse detalhe, consideraria o filme um dos mais intensos do diretor. E um ensaio para o verdadeiro western que ele dirigiria a seguir: JOHNNY GUITAR (1954).

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

OS DESCENDENTES (The Descendants)



Sexto longa-metragem da carreira de Alexander Payne, OS DESCENDENTES (2011) prova mais uma vez que o diretor virou queridinho da academia. E até se aproveita disso para lançar seu filme numa temporada propícia para a premiação. O filme já venceu o Globo de Ouro na categoria principal (melhor filme – drama), mas provavelmente deve encontrar mais resistência para repetir o feito no Oscar. Independentemente das politicagens da premiação, OS DESCENDENTES é provavelmente o melhor filme do diretor, com boa direção de atores e ótimo texto.

Por mais que o enredo pareça um tanto banal, o filme "pega" o espectador no final, o que para mim foi uma surpresa. Embora o seu tom seja a maior parte do tempo leve, o que justificaria melhor uma classificação mais como comédia do que como drama, a "dramédia" de Payne lida com um acidente grave em família. A esposa do personagem de George Clooney encontra-se em estado de coma e ele sabe através da filha mais velha (Shailene Woodley) que a mulher o estava traindo. Resta saber como ele agirá diante disso.

O filme tem um andamento bem tranquilo, que combina com o clima do Havaí, local onde se passa a maior parte da história. Inclusive, ver OS DESCENDENTES é ter uma boa oportunidade de conhecer um pouco o Havaí e as ilhas vizinhas num contexto mais contemporâneo e cosmopolita, embora alguns elementos estereotipados estejam presentes, como as camisas floridas e as pessoas usando bermudas em reuniões de negócios. Mas o filme também questiona a situação do branco dominante e a cada vez menor presença dos tipos nativos.

OS DESCENDENTES guarda o melhor para o final, mas só depois de nos fazer acompanhar um pouco o drama do pai de família que não sabe lidar com as filhas depois de anos afastado e dos demais personagens que têm a sua importância dentro da história. Uma dessas coadjuvantes que aparece muito pouco na trama é responsável por um dos momentos mais emocionantes do filme e que antecipa o momento da catarse final. Difícil conter as lágrimas. E ponto para Alexander Payne.

OS DESCENDENTES recebeu cinco indicações ao Oscar: filme, direção (Alexander Payne), ator (George Clooney), montagem e roteiro adaptado.