segunda-feira, fevereiro 27, 2012

OSCAR 2012



A edição do Oscar deste ano foi bem curiosa, com muitos pontos em comum entre os indicados. Os dois favoritos e que mais foram premiados na noite, O ARTISTA e A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, são obras que fazem uma homenagem ao cinema, mas de uma maneira saudosista, com uma volta ao passado. Woody Allen também remete ao passado em seu MEIA NOITE EM PARIS, sentindo saudades da Paris dos anos 1920. O próprio Spielberg, com seu CAVALO DE GUERRA, também remete aos filmes produzidos na velha Hollywood. Um passado recente, o dia 11 de setembro de 2001, também é lembrado na trajetória do garotinho que perdeu o pai em TÃO LONGE E TÃO PERTO. HISTÓRIAS CRUZADAS mostra o sul dos Estados Unidos num tempo em que o negro era ainda mais marginalizado. E A ÁRVORE DA VIDA também foca uma família americana da década de 1950, através da memória de um homem que tem sentimentos conflitantes com o pai.

Os únicos que aparentemente parecem fugir a essa regra são OS DESCENDENTES e O HOMEM QUE MUDOU O JOGO, dois filmes que se passam nos tempos atuais, mas que sempre recorrem à memória. O primeiro, ao lembrar dos seus ancestrais; o segundo, trazendo flashbacks da vida passada do protagonista, dos tempos em que ele atuava como jogador de beisebol.

Curiosamente, os dois são protagonizados por dois amigões, George Clooney e Brad Pitt, ambos concorrendo a melhor ator, mas perdendo para o francês Jean Dujardin, que fez parte da invasão francesa na festa, faturando os prêmios principais. Talvez quem sabe um dia alguém vá questionar o absurdo de um sujeito como Michel Hazanavicius ter batido Scorsese, Allen, Malick e, vá lá, Payne. Talvez não. Talvez estejamos vendo o nascimento de um grande cineasta. Quem sabe. Não conheço o trabalho dele anterior, de qualquer forma.

Quanto à festa em si, a edição 2012 foi especial por trazer de volta Billy Crystal como o apresentador. Que delícia que é vê-lo brincando com os atores (a brincadeira com o Nick Nolte foi impagável!) e principalmente fazendo aquele tradicional medley de canções-paródia para os indicados na categoria principal. A apresentação do Cirque du Soleil foi hipnotizante. Podia ter demorado mais um pouquinho. A homenagem aos mortos não lembrou de Theo Angelopoulos, mas foi feliz ao finalizar com o rosto marcante de Elizabeth Taylor, tão representativa do glamour hollywoodiano e de anos talvez mais felizes para o cinema americano. E quanto ao fato de RIO ter perdido melhor canção, não ligo. Não gosto do filme, mesmo.

Quanto às beldades da noite, não tem pra ninguém. Natalie Portman apareceu maravilhosa como um anjo, não mais trazendo aquela aura meio pesada do ano passado, quando recebeu o prêmio por CISNE NEGRO. Desta vez, ela apareceu com um discreto vestido vermelho vintage que não eclipsava ou atrapalhava a sua beleza divina. Além dela, também vale destacar Kristen Wiig, linda; Sandra Bullock, como sempre, continua adorável; Angelina Jolie, apesar da magreza, ainda tem um impacto impressionante, com sua beleza única e forte; e Jessica Chastain, que surgiu meio que de uma hora para a outra no cinema, estava luminosa.

Quanto às premiações, as que eu mais gostei foram o prêmio dado a Meryl Streep, depois de tantos anos sendo indicada e não levando a estatueta; o prêmio de fotografia para o ótimo Robert Richardson; e os prêmios de roteiro para filmes queridos como OS DESCENDENTES e MEIA NOITE EM PARIS. Nada contra O ARTISTA. Gosto do filme; só não sou um entusiasta. Mas que tinha filmes bem mais queridos por mim, ah, tinha. Não que eu imaginasse que a academia fosse premiar A ÁRVORE DA VIDA. Isso seria muita ousadia. Mas posso dizer que foi a mais agradável festa em muitos anos.



Os vencedores da noite:

Melhor Filme - O ARTISTA
Direção – Michel Hazanavicius (O ARTISTA)
Ator – Jean Dujardin (O ARTISTA)
Atriz – Meryl Streep (A DAMA DE FERRO)
Ator Coadjuvante – Christopher Plummer (TODA FORMA DE AMOR)
Atriz Coadjuvante – Octavia Spencer (HISTÓRIAS CRUZADAS)
Roteiro Original – MEIA NOITE EM PARIS
Roteiro Adaptado – OS DESCENDENTES
Fotografia – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Montagem – MILLENNIUM – OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES
Trilha Sonora Original – O ARTISTA
Canção Original - "Man or Muppet", de OS MUPPETS
Mixagem de Som – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Edição de Som – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Efeitos Visuais – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Direção de Arte – A INVENÇÃO DE HUGO CABRET
Figurino – O ARTISTA
Maquiagem – A DAMA DE FERRO
Filme Estrangeiro – A SEPARAÇÃO (Irã)
Longa de Animação - RANGO
Curta de Animação – THE FANTASTIC FLYING BOOKS OF MR. MORRIS LESSMORE
Curta-metragem - THE SHORE
Documentário - UNDEFEATED
Curta Documentário – SAVING FACE

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