quinta-feira, dezembro 17, 2009

SPARROW (Man Jeuk)



Ando bem displiscente com os filmes orientais. Mesmo os trabalhos de cineastas de Hong Kong que eu aprendi a respeitar, como Johnnie To ou Wilson Yip. Já baixei filmes desses dois cineastas há vários meses, mas acabei me atrasando na apreciação. Incusive, até já tem filme novo de Johnnie To "em cartaz" nos melhores sites de torrent - VENGEANCE (2009). Enquanto isso, vou tirando um pouco o atraso com SPARROW (2008), filme que me pegou desprevenido. Tinha me esquecido dos poucos comentários que havia lido a respeito do filme no ano passado e esperava algo próximo dos ótimos trabalhos anteriores de To - BREAKING NEWS - UMA CIDADE EM ALERTA (2004), ELEIÇÃO (2005), ELEIÇÃO 2 (2006) e EXILADOS (2006). Mas que nada. SPARROW é algo bem diferente.

Trata-se de uma comédia com a leveza dos musicais hollywoodianos (ou franceses?) do passado, mas que, pelo fato de ter sido rodada do outro lado do mundo, tem suas óbvias diferenças. Johnnie To traz de volta a trupe dos trabalhos anteriores - destaque para Simon Yam -, junta no caldo a bela Kelly Lin, e faz um filme inusitado sobre um grupo de batedores de carteira que se envolvem com uma jovem mulher "protegida" de um gângster. Na verdade, não há muito o que falar da trama. O filme é puro estilo. O que me deixou com pouco interesse por SPARROW foi justamente essa leveza. A bela direção de To torna-o especial e bonito, mas isso não evitou que o filme funcionasse como um sonífero para mim. Acho que preciso da violência para me manter acordado nos filmes orientais. Sem falar que o senso de humor também não me conquistou.

Algo que me chamou muito a atenção no filme foi o tema musical, que lembra bastante a música de abertura de FALSA LOURA, de Carlos Reichenbach. Até escrevi para o Carlão, comentando sobre a semelhança com a trilha de Nelson Ayres. No filme de To, é uma música latina que faz um sutil crossover com a música tradicional chinesa. É um trabalho bem delicado.

Já disseram que SPARROW é um musical sem canções e danças. As coreografias não são de danças, mas da direção, do modo como os atores se movem diante da câmera. Destaque para a cena dos guarda-chuvas, que já foi tanto lembrada como sendo uma possível homenagem a CANTANDO NA CHUVA, como também a CORRESPODENTE ESTRANGEIRO, de Hitchcock. Apesar de curtinho e aparentemente menos despretencioso do que os anteriores, trata-se de um filme bastante especial para To, que levou três anos para concluí-lo.

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