segunda-feira, dezembro 21, 2009

AVATAR



Dizer que AVATAR (2009) é muito barulho por nada seria uma baita de uma injustiça. Mas digamos que a espera foi longa demais, a expectativa foi grande demais para um filme cujos maiores méritos estão em seus aspectos técnicos, nas inovações tecnológicas, que são inegáveis. Basta olhar para as imagens fantásticas do filme para perceber o quanto aquilo tudo custou tempo, dinheiro e muita dedicação. Depois de AVATAR, qualquer dúvida de que James Cameron não fosse o cineasta mais megalomaníaco da atualidade se dissipa. Depois de torrar milhões com um projeto ambicioso como TITANIC (1997) e de passar todo esse tempo sem dirigir nenhum outro filme, ele precisava fazer algo gigantesco novamente. Algo inédito para os olhos, de preferência de longa duração e aproveitando a tecnologia 3D.

Não sou entusiasta da tecnologia - ainda prefiro o bom e velho 2D, que não me dá dor de cabeça e já me deu tantas alegrias -, mas como o cineasta também faz as vezes de ilusionista, a utilização desse novo recurso parece um caminho sem volta. O próximo passo, muitos dizem, é livrar-se dos óculos. Mas eu sou daqueles que seguem a cartilha da Pixar: não basta inovar na parte técnica, tem que trazer um filme que tenha uma trama que agrade; tem que ter personagens com quem a gente se importe e cenas de ação de cair o queixo ou nos deixar com o coração na mão. Infelizmente, porém, não é o caso de AVATAR, que tem uma trama até bem curiosa, mas não o suficiente para me empolgar. Ao contrário, em vários momentos, eu torcia para que o filme acabasse logo. E durante o clímax eu bocejava.

Não me incomodou a mensagem ecológica e new age. Eu até comungo com o que eles dizem. O problema é o modo como foi transmitido. O fato é que Cameron não é Steven Spielberg e não tem o mesmo dom de fazer algo ao mesmo tempo de ponta no aspecto técnico e ser capaz de mexer com as emoções da plateia, como arrancar lágrimas, por exemplo. A exceção de Cameron nesse aspecto é TITANIC, mas ainda assim é um filme que parece se preocupar mais com a perfeição dos efeitos especiais do que com o drama dos tripulantes. Não que eu ache que Cameron queira ser Spielberg. Nem seus fãs mais ardorosos, que se empolgam com robôs gigantes e criaturas fabulosas, desejam isso.

Embora já tenha sido divulgado em blogs e sites de cinema que a inspiração dos personagens veio de uma obscura HQ da Marvel, há ecos também da história de Pocahontas, a índia que se envolveu com um homem branco e que testemunhou a destruição de seu mundo por outra civilização. A nativa que se envolve com o protagonista é talvez a personagem mais interessante do filme. Neytiri foi interpretada por Zoe Saldana, que emprestou suas belas feições para a construção do rosto mais belo de AVATAR. Ela é a maior das mulheres fortes do filme. Em tamanho e importância. Perto dela, a participação de Sigourney Weaver parece simbólica e autorreferente e a de Michelle Rodriguez opaca.

Não sei como receberia o filme se o visse em 2D. Será que teria gostado mais? Provavelmente não seria tão interessante, visualmente falando, a julgar pelo trailer, que traz umas imagens um pouco esmaecidas nos cinemas convencionais. A cópia 3D é de dar gosto e valoriza as cores de uma maneira impressionante. Acho que alguém tinha me dito antes que, em 3D, o vermelho não era vivo, mas em AVATAR eu pude ver que isso está longe de ser verdade. O vermelho aparece forte principalmente no final, nas roupas de guerra dos nativos, quando eles se preparam para encarar os invasores. E que bom que as legendas chegaram ao 3D e foram feitas no capricho para se adequarem bem às imagens. Mas por ter escolhido ver o filme legendado, estou de ressaca de sono até agora. Já passava de uma da manhã quando cheguei ontem da sessão.

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