terça-feira, dezembro 22, 2009

JULIE & JULIA



A temporada do Oscar já chegou. Na verdade, chegou desde que fizeram a besteira de lançar GUERRA AO TERROR direto em dvd. E chegou também quando Tarantino lançou o seu BASTARDOS INGLÓRIOS. Começou bem, então. Chegam agora os filmes que dão ênfase à interpretação, como é o caso de quase todo filme com a Meryl Streep lançado perto do final do ano. Inclusive, a atriz recebeu duas indicações pela mesma categoria para o Globo de Ouro (melhor atriz em musical ou comédia). Uma para IT'S COMPLICATED, de Nancy Meyers, e outra para este JULIE & JULIA (2009), que curiosamente também é dirigido por uma mulher, Nora Ephron, mais famosa pelos romances femininos que fez com Meg Ryan - SINTONIA DE AMOR (1993) e MENS@GEM PRA VOCÊ (1998).

JULIE & JULIA se enquadra na categoria de "filme gastronômico". Aquele tipo de filme que tenta aproximar o espectador de um sentido que o cinema não consegue abarcar: o paladar. E não deixa de ser curioso que esse filão seja até bastante explorado pelo cinema. Sinal de que há um público interessado. No Brasil recentemente tivemos ESTÔMAGO, mas não sei se dá pra comparar coxinha de boteco com cozinha francesa. Mas cada um dá o que tem, não é? E falando em culinária francesa, que até já ganhou uma animação caprichada pela Pixar (RATATOUILLE), não é interessante como os americanos se curvam à qualidade da comida francesa? Fazer o quê, se eles só tem hambúrgueres e tortas? A propósito, falando em tortas, há um filme muito simpático abordando o assunto, que é GARÇONETE, de Adrienne Shelly. E lembremos o quanto as tortas são valorizadas em cada episódio de TWIN PEAKS.

Mas voltando a JULIE & JULIA, o filme mostra duas histórias acontecendo em tempos diferentes. A primeira delas se passa nos anos 50 e mostra Julia Child (Meryl Streep), uma americana casada com um funcionário público que trabalha na embaixada americana em Paris (Stanley Tucci). Ela não tem muito o que fazer e aceita a ideia de começar um curso de culinária, afinal, o que ela mais gosta de fazer na vida é comer. Simultaneamente, vemos a rotina de uma jovem mulher em 2002, Julie Powell (Amy Adams), que é infeliz no emprego e que tem a ideia de escrever um blog sobre sua aventura de fazer mais de quinhentos pratos com as receitas do livro de culinária francesa de Julia Child no espaço de um ano.

As duas histórias têm o mesmo grau de interesse. Apesar de termos uma interpretação de peso como a de Streep, o fato de ter uma personagem que faz um blog e se empolga com os comentários de seus leitores fez com que eu me identificasse mais com a personagem de Adams. Infelizmente, como o filme não pode oferecer aos espectadores os deliciosos pratos preparados pelas protagonistas, temos que nos contentar com os dramas pouco interessantes das personagens e alguns poucos risos. Melhor sorte Streep e Adams tiveram quando trabalharam juntas em DÚVIDA, de John Patrick Shanley.

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