quarta-feira, dezembro 09, 2009

É PROIBIDO FUMAR



2009 não foi um ano muito generoso para o cinema brasileiro. Pelo menos dentro do que foi lançado comercialmente. Foi o ano das comédias de sucesso de bilheteria (SE EU FOSSE VOCÊ 2, A MULHER INVISÍVEL, DIVÃ); também foi o ano em que dois filmes dos quais eu esperava muito me deixaram um pouco desapontado (MOSCOU, NO MEU LUGAR). Mas 2009 foi principalmente o ano dos documentários musicais, sendo que o melhor deles (LOKI – ARNALDO BAPTISTA) segue sendo o único brasileiro que está entre os meus franco-favoritos. Por isso, já neste finalzinho de ano, eu não esperava algo tão bom quanto É PROIBIDO FUMAR (2009), um filme que chega assim devagarinho e conquista.

O filme de Anna Muylaert é uma produção modesta mas cheia de qualidades. A começar pelo casal de protagonistas, vivido por uma Glória Pires inspirada e um Paulo Miklos muito à vontade, no papel de um músico de bar que conquista o coração de sua vizinha solteirona e professora de violão. Ele, Max, adora Jorge Benjor; ela, Baby, ama Chico Buarque. Um dos momentos mais agradáveis do filme é ver os dois discutindo música, ele dizendo que Chico Buarque é meio "devagar". Paulo Miklos já traz consigo uma persona bem simpática graças aos Titãs e se revelou um ator de mão cheia em O INVASOR, de Beto Brant. Estava faltando outro filme para ele brilhar. A trama inicial de É PROIBIDO FUMAR e a consequente reviravolta que finalizará o filme giram em torno do fato de ela tentar parar de fumar a pedido dele, o que gera situações cômicas, mas que também terá seus momentos de tensão.

E falando em contrastes, não cheguei a ver DURVAL DISCOS (2002), o longa de estreia de Muylaert, mas lembro que em toda resenha que lia, diziam que o filme era como um disco de vinil, dividido em lado A e lado B. Da mesma forma, pode-se dizer que se divide o novo filme. Mas talvez a mudança aconteça de maneira mais gradual.

É PROIBIDO FUMAR é cheio de pequenos momentos que parecem não significar muito, mas que acabam ganhando contornos de importância para o espectador. Desde as conversas banais no elevador, até as discussões de Baby com suas irmãs. O ponto de vista do filme é basicamente dela, mas em certo momento, a fim de criar uma conclusão bem interessante, vemos também o ponto de vista de Max. Há um belo trabalho de câmera, que se destaca ainda mais quando o filme se aproxima do final. O sentimento de cumplicidade, que é tão comum entre filme e espectador, acaba sendo o mote.

É PROIBIDO FUMAR foi o grande vencedor do festival de Brasília de 2009, levando oito prêmios, incluindo filme, ator e atriz.

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