sábado, dezembro 17, 2005

REINADO DE TERROR (Terror in a Texas Town)



Primeiro filme de Joseph H. Lewis que tive a oportunidade de assistir, REINADO DE TERROR (1958) já começa surpreendendo. Afinal, que outro filme se inicia com um duelo entre um homem com um arpão desses de pegar baleia e um homem armado com um revólver?

Depois dessa cena, REINADO DE TERROR volta um pouco no tempo. Sabemos que a cidadezinha texana do título original está nas mãos de um homem perverso que domina o xerife da região e planeja tomar as terras dos humildes camponeses. Isso porque ele descobriu que a terra é rica em petróleo. Para isso, ele contrata um assassino profissional para matar os camponeses que resistirem às suas ordens. Esse assassino, aliás, é um dos personagens mais fascinantes do filme. Ele perdeu uma mão e usa uma prótese de ferro no lugar. Ele tem ódio do homem que o contratou, apesar de trabalhar com ele. Mas o herói do filme é mesmo o personagem de Sterling Hayden, um dos atores favoritos de Stanley Kubrick, tendo trabalhado com ele em O GRANDE GOLPE (1956) e DR. FANTÁSTICO (1964).

REINADO DE TERROR foi o último filme dirigido por Joseph H. Lewis para o cinema. Ele fez o filme em apenas 10 dias e um ano depois de ter sofrido um ataque cardíaco. Depois desse filme, ele continuou dirigindo apenas produções para a tv. Outra dificuldade durante as filmagens vem do fato de Lewis ter trabalhado com um roteirista que estava na lista negra de Hollywood. Eis o diálogo entre o roteirista não-creditado Nedrick Young e Lewis, retirado do livro "Afinal, Quem Faz os Filmes":

YOUNG: Joe, você está arriscando o seu pescoço, porque alguém pode aparecer e cortá-lo, e você nunca mais irá trabalhar novamente - você está disposto a assumir esse risco?
LEWIS: Quando é que um homem se torna um homem?

Peter Bogdanovich escreveu que Lewis era um dos cineastas mais idealistas que ele já conheceu. E esse idealismo aparece muito fortemente em REINADO DE TERROR. Alguns de seus filmes mais famosos são MORTALMENTE PERIGOSA (1949), IMPÉRIO DO CRIME (1955) e SATÃ PASSEIA À NOITE (1946). Que eu saiba, todos inéditos em vídeo no Brasil.

Agradecimentos ao amigão Renato Doho que me enviou a cópia do filme, gravado do Telecine Classic.

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