quarta-feira, dezembro 21, 2005

GUS VAN SANT, JONATHAN GLAZER E NEIL LABUTE



Há filmes que nos deixam um ponto de interrogação sobre suas reais intenções. Às vezes, conhecer a filmografia do diretor ajuda um pouco a entender o que ele quis dizer com determinado filme. Alguns diretores despertam o nosso interesse de tal maneira que de repente nos vemos na obrigação de conhecer toda a sua filmografia. Quem são esses três diretores? O que eles querem dizer afinal? Os três podem ser considerados autores? Seus trabalhos têm coerência, temas recorrentes? Estou aqui mais pra deixar as perguntas que dar as respostas.

ENCONTRANDO FORRESTER (Finding Forrester)

Meu interesse maior por Gus Van Sant se deu principalmente a partir de ELEFANTE (2003), obra-prima que forma uma espécie de trilogia com - os infelizmente ainda não vistos - GERRY (2002) e LAST DAYS (2005). De repente, até filmes esnobados do diretor tornam-se objetos de reavaliação. E não apenas por mim. É o caso de títulos como ENCONTRANDO FORRESTER (2000) e ATÉ AS VAQUEIRAS FICAM TRISTES (1993). ENCONTRANDO FORRESTER é filme irmão de GÊNIO INDOMÁVEL (1997). Assim como o seu antecessor, neste vemos um jovem com capacidade intelectual acima do normal (Rob Brown) e um mentor espiritual e afetivo que o guia (Sean Connery). No entanto, continuam sendo um mistério pra mim as reais intenções de Van Sant para ter que contar essa história duas vezes. Seria o diretor uma espécie de garoto prodígio quando jovem? Os dois filmes são apenas simpáticos e meio modorrentos, mas sei lá: tenho impressão que eles são bem mais do que meras histórias de professor e pupilo. Gravado do Hallmark.

SEXY BEAST

Jonathan Glazer é um caso bem recente. É um diretor de videoclipes que se tornou cineasta. Meu interesse pelo seu trabalho se deve exclusivamente a REENCARNAÇÃO (2004), uma das mais gratas surpresas desse ano. Diferente de usar um estilo rápido e excessivamente pop, como era de se esperar de um videoclipeiro, vemos um diretor de andamento lento e com gosto por planos-seqüência. Por causa disso, lá fui eu ver a sua estréia com SEXY BEAST (2000), que até lembra os filmes de Guy Ritchie, o que não é bem um elogio. É um bom filme, embora não seja lá muito memorável. É a velha história do ex-mafioso que quer cair fora, mas que ainda é assombrado por seus velhos companheiros. Destaque para a performance cruel de Ben Kingsley. Gravado da FOX.

ARTE, AMOR E ILUSÃO (The Shape of Things)

Neil LaBute entrou nesse jogo porque seus filmes pra mim ainda são um enigma. Ainda mais depois de ver este intrigante ARTE, AMOR E ILUSÃO (2003). É o tipo de filme que não dá pra contar muito sob o risco de estragar a grande surpresa final. Tenho vontade de ver seus dois primeiros e controversos filmes - NA COMPANHIA DE HOMENS (1997) e SEUS VIZINHOS, SEUS AMIGOS (1998), do tempo em que ele era acusado de apologia ao machismo. ARTE, AMOR E ILUSÃO é exatamente o oposto disso, está mais para filme sobre a crueldade feminina. Vai ver LaBute não é machista coisa nenhuma. Apenas procura em seus filmes mostrar até que ponto as pessoas vão para se sentirem donas da situação. Ou então, eu estou viajando na maionese e ele é só mais um operário de Hollywood, vide os "nada a ver" ENFERMEIRA BETTY (2000) e POSSESSÃO (2002). De todo modo, o filme já vale pela presença de duas beldades: Rachel Weisz e Gretchen Mol. É um belo filme sobre manipulação e auto-estima. Visto em DVD há alguns meses.

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