sexta-feira, dezembro 05, 2014

UMA NOITE DE CRIME – ANARQUIA (The Purge – Anarchy)



Eis uma franquia nova e bem-sucedida, que traz uma premissa muito interessante, embora o resultado, como um todo, acabe deixando a desejar em alguns aspectos. Aconteceu com o primeiro UMA NOITE DE CRIME (2013), estrelado por Ethan Hawke, e acontece também com este segundo filme, UMA NOITE DE CRIME – ANARQUIA (2014), sem nenhum astro, mas com um resultado melhor do que o original.

O diretor James DeMonaco havia feito roteiros de filmes que primam pela tensão, como A NEGOCIAÇÃO (1998) e ASSALTO À 13ª D.P. (2005). Mas roteirizar é uma coisa, dirigir é outra. Ainda assim, tanto o primeiro quanto o segundo filme têm alguns ótimos momentos. Em UMA NOITE DE CRIME – ANARQUIA, destaca-se a primeira metade, em que novos personagens são apresentados e, diferente do primeiro filme, em que eles ficam dentro de suas casas, tentando defender seu território dos expurgadores assassinos, agora os protagonistas, por algum motivo, estão na rua, ainda mais expostos à ação dos assassinos.

Há o caso do sujeito misterioso (Frank Grillo) que sai de casa em seu carro blindado para uma missão; da mãe e filha pobres que são arrastadas por um grupo que invade a casa delas e as quer levar para algum lugar específico; e do casal que tem seu carro avariado e fica nas ruas à mercê do que pode acontecer. O sujeito misterioso, descrito apenas como "sargento", representa, para os demais personagens, a possibilidade de saírem vivos daquela noite em que matar ou praticar qualquer crime é permitido (e incentivado) pelo governo dos Estados Unidos.

Com um orçamento estimado em apenas 9 milhões de dólares e já tendo ultrapassado mais de 70 milhões só nos Estados Unidos, UMA NOITE DE CRIME – ANARQUIA é uma prova de que apostar no cinema de horror com uma boa premissa e uma boa divulgação é garantia de sucesso. Nem é preciso de nenhum astro hollywoodiano para servir de chamariz. Ou mesmo de bons atores. Basta conseguir captar momentos de tensão, suspense ou mesmo horror puro.

Este segundo filme, trazendo a teoria de que o governo financia a limpeza a fim de diminuir o número de pobres no país, acaba trazendo mais frescor ao universo criado por DeMonaco. Por outro lado, a ideia dos ricos se divertindo com a morte e o medo das vítimas não é tão original e lembra, para citar um exemplo mais recente, O ALBERGUE, de Eli Roth, que é bem mais visceral, perturbador e violento.

Ainda assim não se deve tirar o mérito de UMA NOITE DE CRIME – ANARQUIA, uma prova de cinema bom e barato. Sequência mais memorável e mais inquietante: a chegada na casa da amiga de uma das protagonistas.

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