quarta-feira, dezembro 17, 2014

O HOBBIT – A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS (The Hobbit – The Battle of the Five Armies)



Finalmente os esforços de Peter Jackson foram recompensados no grau de satisfação que este último capítulo da saga O Hobbit proporcionou aos fãs. O HOBBIT – A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS (2014) possui inúmeras qualidades. Apesar de começar exatamente onde parou A DESOLAÇÃO DE SMAUG (2013), com o ameaçador dragão Smaug devastando a pequena cidade próxima à montanha onde ele repousava antes de ser acordado pelos anões e por Bilbo (Martin Freeman), este episódio, ainda que muito bom, é rapidamente visto como apenas um prólogo, antecedendo o título do filme.

A partir daí é como se A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS começasse de fato. E realmente é, sendo que a principal preocupação dos heróis agora é a "doença do ouro" afetou a mente de Thorin (Richard Armitage), o líder dos anões que passa agora a ficar com a mente nublada e perturbada a ponto de não pensar em mais nada a não ser repousar sobre aquela grande quantidade de ouro. A luta principal é dele enfrentando esses demônios que assolam seu espírito.

Mas o grande diferencial de A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS é mesmo o ritmo non-stop da ação, com muitas batalhas. São praticamente duas horas de lutas entre anões, elfos, orcs, gigantes, humanos e há também um forte link com O SENHOR DOS ANÉIS ao mostrar Saruman (Christopher Lee) numa sequência com Galadriel (Cate Blanchett) e Gandalf (Ian McKellen). Aliás, o que é aquela cena de "Galadriel from hell", hein? Aquilo ali pode assustar plateias mais jovens. Intenso e assustador.

Porém, o que conta mesmo são as empolgantes cenas de batalha, que até chegam a ser tão boas quanto às de O SENHOR DOS ANÉIS – AS DUAS TORRES (2002). Mais até, se considerarmos a duração e a diversidade geográfica e de personagens. A bela e brilhante fotografia de Andrew Leslie, as lindas panorâmicas que fazem do ato de ver o filme no cinema uma experiência melhor do que ver em casa, e a trilha sempre bem cuidada de Howard Shore completam o capricho técnico.

Isso ajuda a compensar um pouco a falta de um maior interesse que temos pelos personagens. Quando um deles morre, por exemplo, poderíamos sofrer com isso, mas não é bem isso que acontece. Além do mais, Bilbo parece pouco presente em um filme que tem o seu nome no título. Ele parece um coadjuvante no meio da ação. Como ele próprio diz em algum momento, quando recebe um colete de prata de Thorin, ele é um hobbit, não tem a habilidade de lutar, como os anões e elfos. Mas certamente é isso que o aproxima do espectador, bem como o fato de ele não ser um herói perfeito – mente, rouba e trapaceia. Ainda assim, é o personagem mais nobre e querido.

Embora, como um todo, A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS seja o capítulo mais bem resolvido da trilogia, falta-lhe uma cena tão fascinante quanto a do encontro de Bilbo com a criatura Gollum em O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA (2012). Mesmo assim, Peter Jackson fez uma tarefa e tanto, adaptando com sucesso um livro pequeno em três filmes de longa duração sem que parecesse chato. E ainda convidando o público a querer rever a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. Além do mais, sabemos que ele voltaria à Terra Média sem pensar duas vezes se lhe fosse dada a oportunidade.

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