terça-feira, dezembro 23, 2014

HOMELAND – A QUARTA TEMPORADA COMPLETA (Homeland – The Complete Fourth Season)



Com uma terceira temporada totalmente sem rumo e à beira do abismo, HOMELAND consegue se reinventar brilhantemente nesta quarta temporada (2014). Se bem que o termo "à beira do abismo" funcionaria perfeitamente para descrever os eventos narrados nos 12 novos episódios, centrados em Carrie Mathison, vivendo situações tão ou mais dramáticas do que nos tempos de Adrian Brody. Muita gente, inclusive, duvidava que a série conseguiria se reerguer com a falta de Brody. Na verdade, ele a estava atrapalhando. Não havia mais espaço para seu personagem.

Colocar Carrie no Paquistão enfrentando terroristas do Afeganistão foi uma decisão muito mais acertada, funcionando como um reboot para a série. A questão da bipolaridade foi novamente muito bem trabalhada, assim como a solidão da personagem e a incapacidade de ser mãe, enfatizada no segundo episódio, um dos poucos que se passam nos Estados Unidos.

A série já acerta no primeiro episódio, quando a questão ética sobre o assassinato de pessoas associadas aos rebeldes xiitas é posta em questão. A própria Carrie é vista como uma espécie de vilã no começo, apontando drones que matam covardemente dezenas de pessoas. A ética também entra em questão quando a personagem, para conseguir chegar a determinado líder terrorista, entra em contato com um jovem estudante de medicina, chegando a seduzi-lo. É como se Carrie tivesse vendido à alma ao diabo ou coisa parecida.

Quem cresceu bastante nesta temporada foi Peter Quinn (Rupert Friend), agente que tanto ajudou Carrie e Saul nas temporadas passadas, que sempre teve um crush pela agente, mas nunca arranjou espaço para se aproximar. Quinn é outro personagem consumido pela angústia, pela inquietude e pela solidão. Tanto ele quanto Carrie buscam paz de espírito no inferno que é enfrentar situações extremamente perturbadoras e perigosas como as apresentadas ao longo da temporada. Inclusive, Quinn ganhou tanto espaço em cena e nos corações dos espectadores que chegou a eclipsar um personagem querido como Saul (Mandy Patinkin).

Uma das grandes qualidades de HOMELAND, e desta temporada especialmente, é saber equilibrar momentos de pura tensão capaz de nos fazer perder o sono, como na maioria dos episódios, com momentos de extrema sensibilidade e dor, como os mostrados nos episódios "Trylon and Perisphere" (o segundo) e "Long Time Coming" (o último), adentrando a alma de seus personagens, dando uma profundidade que outras séries (e filmes) de espionagem e suspense não conseguem.

HOMELAND foi indicado ao Globo de Ouro na categoria melhor atriz (drama). E Carrie Mathison é, definitivamente, o grande papel da carreira de Claire Danes. 

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