quarta-feira, dezembro 10, 2014

CINCO HISTÓRIAS DE AMOR



Os dias andam curtos, o coração anda apertado e a cabeça não anda lá muito boa. E, por causa disso, interrompo um pouco os estudos para escrever para o blog, mesmo que sejam minitextos curtos e rasteiros sobre cinco filmes. O que eles têm em comum é o fato de contarem sofridas histórias de amor, ainda que das mais diversas maneiras e em alguns casos misturando gêneros. A qualidade dos filmes varia entre bons e medianos.  

UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (The Face of Love)

O filme passou em apenas duas sessões no mês de setembro e foi abraçado pelo Cinema de Arte em fins de novembro. Pelo menos quando eu o vi, em setembro, foi uma das raras vezes em que a projeção digital do Iguatemi estava satisfatória. Até achei que tinham resolvido os problemas. O que não foi o caso. UMA NOVA CHANCE PARA AMAR (2013), de Arie Posin, traz uma história que remete a UM CORPO QUE CAI, do mestre Hitchcock. A trama é intrigante. Annete Bening é uma viúva que, mesmo passado algum tempo da morte de seu marido, não consegue esquecê-lo. Um dia, vagando por um museu de arte, ela vê um homem idêntico a ele (Ed Harris). Para desespero do vizinho, vivido por Robin Williams, em um de seus últimos papéis. A graça do filme está mais em sua tensão do que nos sentimentos amorosos (e um tanto doentios) da protagonista.  

AMOR FORA DA LEI (Ain't Them Bodies Saints)

Já que eu falei de projeção digital no Iguatemi, deixo registrado aqui o caso deste filme, cuja projeção estava tão escura que mal dava para ver os personagens na tela. E nem se tratava de um filme tão escuro assim. Havia várias sequências que se passava durante o dia até. A história é interessante, mas o filme é pouco inspirado. AMOR FORA DA LEI (2013) carrega muitos elementos do western, podendo até ser classificado como um western tardio. A trama se passa no Texas, quando o fora-da-lei vivido por Casey Affleck, durante um tiroteio com a polícia, é preso, deixando grávida sua namorada (Rooney Mara). Passados alguns anos, ele foge da prisão com o intuito de fugir com ela, sem saber que ela está relutante com relação a isso. A tragédia é iminente. Creio que teria gostado mais do filme se o visse em circunstâncias melhores.

ANTES DO INVERNO (Avant l'Hiver) 

Eis um filme difícil de classificar. Pode-se dizer que seja um filme sobre traição, embora o personagem de Daniel Auteuil evite ter qualquer relação mais íntima com a jovem que aparentemente o persegue (Leïla Bekhti). Médico e casado com uma mulher atenciosa (Kristin Scott Thomas), ele sempre pensa duas vezes ao tentar evitar uma maior aproximação com a jovem, embora haja uma tensão de sua parte. A direção de Philippe Claudel, de HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO (2008), é firme e ANTES DO INVERNO (2013) é um trabalho sóbrio. Mas há algo que faz com que o filme não seja suficientemente bem-sucedido. Talvez falte à jovem mais apelo sexual para que sintamos mais na pele a situação do protagonista. O que não acontece.

O CIÚME (La Jalousie)

Para quem, como eu, viu de Philippe Garrel apenas AMANTES CONSTANTES (2005), é até um susto ver este O CIÚME (foto, 2013), um trabalho tão mais econômico e modesto. Garrel faz parceria novamente com o filho, Louis Garrel, que interpreta um jovem ator divorciado e em início de carreira no teatro que namora uma mulher mais velha (Anna Mouglalis), também atriz, mas sem trabalho. Ela aguarda um papel à altura. Apesar das dificuldades, os dois estão bem, embora não faltem momentos em que o relacionamento parece mesmo fadado a ruir. O filme reserva uma surpresa para o espectador, embora não seja nada assim tão impactante, pois não é da natureza da obra, que opta pela delicadeza. O uso da bela fotografia em preto e branco é outro elemento que conta pontos a seu favor.

O MELHOR DE MIM (The Best of Me)

Já existem tantos filmes baseados nos best-sellers de Nicholas Sparks que já daqui a pouco perderemos a conta. O MELHOR DE MIM (2014) sofre dos problemas da maioria dos filmes baseados nos romances desse escritor. No caso, até temos um bom diretor – Michael Hoffman, de SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO (1999) e A ÚLTIMA ESTAÇÃO (2009) –, mas infelizmente ele não mudou os diálogos fracos e nem arranjou uma dupla de jovens atores bons. O que salva são os momentos dos personagens já maduros, vividos por James Marsden e Michelle Monaghan. Mas mesmo eles não conseguem sustentar a trama que envolve um relacionamento que acabou graças a uma desgraça ocorrida no passado. Vale ver pela Michelle Monaghan, que continua linda.

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