terça-feira, novembro 10, 2009

TITÃS - A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA



Minha história com os Titãs foi um pouco tardia, já que na década de 80, que foi o período mais criativo da história da banda, não me dediquei muito a ouvir rock, embora eu tenha ficado bastante impressionado com a performance da banda, quando os vi num especial na Rede Globo. Os anos 80 foram um período em que os meus interesses estavam mais nos estudos, nos quadrinhos e na Bíblia. Inclusive, por causa de minhas raízes protestantes, ao ouvir "Igreja", do álbum CABEÇA DINOSSAURO (1986), eu fiquei bem incomodado. Não só por ter gostado muito da faixa, mas porque a melodia das guitarras ficou dias em minha cabeça, o que me deixava com umas neuras, achando que estava sendo atacado por forças diabólicas ou algo do tipo.

No fim da década de 80, quando tinha entrado como estagiário do Banco do Nordeste, uma colega do banco ia para todos os shows que aconteciam no Ginásio Paulo Sarasate, me convidava e eu dizia sempre não. O rock brasileiro estava bombando e, naquela época, se eu fosse um pouquinho mais esperto não teria desperdiçado a chance de ver ao vivo a Legião Urbana, o Raul Seixas e o Ultrage a Rigor. Infelizmente isso não aconteceu. Só na época que eu entrei na faculdade, já nos anos 90, foi quando comecei a ir para shows de rock. O primeiro show dos Titãs foi inesquecível. Foi no dia do meu aniversário do ano de 1996. Eles estavam na turnê do álbum DOMINGO (1995), o retorno da banda a uma veia mais pop, depois de ter flertado com o rock mais pesado nos álbuns anteriores. Mas o show foi bem porrada. E muito, muito bom. E essa foi a primeira das diversas vezes que ainda veria a banda nas outras visitas que eles fariam à cidade, principalmente depois do sucesso massivo do disco ACÚSTICO MTV (1997) e uma cada vez maior aproximação com o público. O que teve os seus prós e contras.

O documentário TITÃS - A VIDA ATÉ PARECE UMA FESTA (2009) tem um sabor especial para quem gosta da banda. E talvez não interesse e nem funcione para quem não a conhece. Trata-se de uma colagem de imagens de arquivo de filmagens feitas por Branco Mello, mostrando a intimidade da banda, misturada com reportagens e participações em diversos programas de televisão. Destaque para o momento em que eles foram para o programa do Silvio Santos e o público feminino do programa pediu para eles tocarem "Bichos Escrotos". Fico imaginando o impacto que aquilo deve ter sido dentro de um programa tão careta e num período de recente abertura política. O próprio Silvio Santos se negou a pronunciar o título da música. Deve ter ficado arrepiado com o "vão se foder" da letra.

O filme opta por não seguir um registro tradicional. Não há depoimentos feitos para o próprio filme, nem narrações didáticas explicando a história da banda. Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, os diretores, preferiram apostar na fama dos Titãs. A força das imagens e a montagem valem por si só. Quem é fã ou acompanhou o que aconteceu durante todos esses anos vai gostar e muitas vezes se emocionar. Algumas imagens são preciosas, como a cena da escolha das músicas para o disco A MELHOR BANDA DE TODOS OS TEMPOS DA ÚLTIMA SEMANA (2001), quando vemos a cara de descontentamento de Nando Reis, quando a maioria de suas composições foi indeferida pelo grupo, através de votação. Naquela época, já se sentia que ele estava mesmo pronto para tomar outros rumos. E depois da morte de Marcelo Fromer, a saída de Nando acabou por transformar a banda num quinteto.

O legal do documentário é poder ver os oito juntos nos momentos de auge. Os oito aparecem nos créditos iniciais, ao som de "Diversão". E, apesar das diferenças que tenham ocorrido ao longo do tempo, nota-se que havia ali um senso de companheirismo e respeito muito bonito. De certa maneira, eles talvez fossem a melhor banda do Brasil, não só pelo número de integrantes, mas pela quantidade de pessoas talentosas no grupo. E nesses tempos de decadência criativa da banda, um documentário como este ajuda a nos lembrar da grandeza dos Titãs. E de como a força do rock é capaz de trazer de volta aqueles momentos empolgantes.

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