quarta-feira, novembro 04, 2009

AVERE VENT'ANNI



"O desfecho chocante de AVERE VENT´ANNI cai como uma luva em cima do tal episódio da garota de mini-saia. Reprime-se a alegria de viver e a ousadia do prazer com porrada e crueldade. A caretice grassou no país com a peste do politicamente correto, da geração saúde e do poder que anda investindo oportunisticamente na profilaxia. É o fascismo revisitado com a chancela de Democrata."
Carlos Reichenbach


As palavras de Carlão, acima, que tomei emprestadas da caixa de comentários de seu blog, me sensibilizaram e provocaram uma reflexão sobre o recente incidente da garota da Uniban. A natureza bestial do homem continua surpreendendo. E provavelmente é a mesma da época da realização de AVERE VENT'ANNI (1978), filme que para mim foi uma das mais gratas descobertas do ano.

Na trama, duas lindas garotas se conhecem numa praia e botam o pé na estrada sem nenhum dinheiro no bolso e muita vontade de viver. De preferência, encontrando prazer na vida. Elas vão parar numa espécie de comuna, onde supostamente encontrariam pessoas que estariam vivendo longe do capitalismo e no esquema hippie de paz e amor. O filme de Fernando Di Leo capta o espírito da época, do fim das utopias e do total desencanto. Mas não sem antes vermos nossas heroínas em busca de amor e sexo. E isso é muito gostoso de ver. Principalmente porque a dupla de protagonistas é um colírio para os olhos, tanto a loira (Gloria Guida) quanto a morena (Lili Carati). As duas são apaixonantes, mas eu me amarrei mesmo foi em Gloria Guida, com sua doçura sem igual.

Sua parceira é mais ativa, ninfomaníaca até. Ela já chega na comuna procurando algum homem do seu agrado para fazer sexo. E um dos momentos mais belos é quando elas, não saciadas com o sexo rápido conseguido com dois homens, resolvem se satisfazer entre si. Uma visão do paraíso ver essas duas deusas se beijando. Tanto Gloria Guida quanto Lili Carati fizeram bastante sucesso nos anos 70 e 80. Estão entre as musas do cinema italiano da época. Muito justo. Eu, pelo menos, depois de ter visto esse filme com Gloria Guida, já quero ver outro. Quanto a Lili Carati, ela é conhecida de quem já viu L'ALCOVA, de Joe D'Amato, que, aliás, já está na minha lista de filmes a conseguir.

AVERE VENT'ANNI é também um libelo à juventude, começando com uma bela frase de Paul Nizan, que afirma que não há mais bela fase da vida do que quando se tem vinte anos. Essa afirmação não é nenhuma unanimidade - muitos que já passaram para a casa dos trinta dizem se sentir muito mais tranquilos, melhores e mais confiantes -, mas eu confesso que sinto saudade dessa época. Acho que desde os dezesseis anos que a rápida passagem do tempo me angustia, embora hoje bem menos. E não sei se isso é um bom sinal.

Agradecimentos a Carlão Reichenbach por ter me apresentado a essa pérola. Ultimamente ele tem feito um serviço de utilidade pública, disponibilizando links de pérolas raras em seu blog.

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