quinta-feira, novembro 26, 2009

THE RULES OF FILM NOIR



Bom documentário da BBC que lida com um dos momentos mais empolgantes do cinema mundial, o ciclo do "film noir", termo cunhado pelos franceses para os filmes americanos produzidos nos anos 40 e 50 que se caracterizavam pelo uso de sombras e por uma atmosfera de mistério e perigo. Como Matthew Sweet, o apresentador do documentário, diz, não é preciso ver muitos filmes dessa leva para perceber suas principais marcas. E vendo o doc foi que eu percebi o quanto eu estou em débito com esse cinema que tanto me atrai e me fascina. Uma enormidade de pérolas produzidas nessa época ainda estão inéditas para mim. Dentre os filmes citados em THE RULES OF FILM NOIR (2009) que eu ainda não vi estão: FUGA DO PASSADO (1947), de Jacques Tourneur; PACTO DE SANGUE (1944), de Billy Wilder; O DESTINO BATE À SUA PORTA (1946), de Tay Garnett; ATÉ A VISTA, QUERIDA (1944), de Edward Dmytryck; OS ASSASSINOS (1946), de Robert Siodmak; CINZAS QUE QUEIMAM (1952), de Nicholas Ray; MORTALMENTE PERIGOSA (1950) e O IMPÉRIO DO CRIME (1955), ambos de Joseph H. Lewis; O HOMEM DOS OLHOS ESBUGALHADOS (1940), de Boris Ingster; e MOEDA FALSA (1947), de Anthony Mann.

Uma relação e tanto de ausências para quem se autointitula "cinéfilo". Alguns títulos, como o de Ingster, por exemplo, confesso nunca ter ouvido falar antes. E acho que esse é mesmo um dos menos lembrados. Foi incluído no doc mais pela associação fácil com o expressionismo alemão. Vários deles, já tenho cópias à minha disposição, esperando o momento certo para assistir. E espero que seja logo, já que este documentário reacendeu em mim o interesse pelo gênero. Dentre os que vi, o filme destaca: À BEIRA DO ABISMO (1946), de Howard Hawks; O FALCÃO MALTÊS (1941), de John Huston; A EMBRIAGUEZ DO SUCESSO (1957), de Alexander Mackendrick; OS CORRUPTOS (1953), de Fritz Lang; QUANDO FALA O CORAÇÃO (1945), de Alfred Hitchcock; NO SILÊNCIO DA NOITE (1950), de Nicholas Ray; CREPÚSCULO DOS DEUSES (1950), de Billy Wilder; A DAMA DE SHANGAI (1947) e A MARCA DA MALDADE (1958), ambos de Orson Welles; FORÇA DO MAL (1948), de Abraham Polonsky; GILDA (1946), de Charles Vidor; e o meu favorito de todos A MORTE NUM BEIJO (1955), de Robert Aldrich. Doze vistos, dez não vistos dentre os citados no programa.

O documentário trata de buscar as raízes do surgimento do film noir. A resposta está principalmente em dois eventos importantes: o primeiro deles, a Segunda Guerra Mundial, que mudou o pensamento da humanidade em relação à vida; e o segundo, que tem relação estreita com o primeiro, que é a ida de vários cineastas, atores e técnicos europeus para Hollywood. Como o documentário destaca, até o músico mais importante do período, Miklós Rózsa, veio da Europa. As tramas se passavam nos Estados Unidos, mas o espírito era europeu, derivado principalmente do jogo de sombras do expressionismo alemão.

Uma das coisas mais interessantes do documentário, além do prazer de ver ou rever cenas de filmes queridos, é a brincadeira em torno das chamadas regras do film noir, tratadas com bom humor. Alguns exemplos: "Use no fiction but pulp fiction" ou "Make it any colour as long as it's black". O documentário também relembra momentos fortes de alguns filmes, como a cruel sequência do café quente em OS CORRUPTOS; a sequência de abertura de A MORTE NUM BEIJO; ou a grande caracterização de Humphrey Bogart em NO SILÊNCIO DA NOITE. Aliás, não existe outro ator que tenha combinado tão bem com o gênero quanto Bogart. Enquanto temos uma excelente galeria de femme fatales que se rivalizariam entre si, sem haver um grande destaque unânime, Bogart é o rei dos noirs. No entanto, nos filmes, as mulheres, fatais, em geral loiras, são as catalizadoras dos problemas, as que levam os protagonistas a um destino trágico. É um mundo amargo e pessimista, mas é também um mundo atraente e sofisticado.

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