segunda-feira, junho 08, 2009

O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO (Terminator Salvation)



Apesar de a cinessérie criada por James Cameron apresentar uma curva descendente à medida que suas continuações são produzidas, trata-se de uma das franquias cinematográficas que mais mantêm certa regularidade. Aparentemente O EXTERMINADOR DO FUTURO 3 (2003), a produção anterior, dirigida por Jonathan Mostow, não é vista com bons olhos pelos fãs da série nem por boa parte da crítica. Vejo o filme de Mostow como muito bom: apresenta uma exterminadora linda e poderosa, é um dos últimos filmes de vergonha de Schwarzenegger, conta com ótimas sequências de ação e com um final pessimista dos mais interessantes. Nunca vi, mas ao que parece, a série de televisão TERMINATOR: THE SARAH CONNOR CHRONICLES (2008-2009) ignora os eventos desse terceiro filme, que acabou ganhando a fama de filho bastardo da mitologia. Mas nada mais natural quando se trabalha com um tipo de história que lida com viagens no tempo. Ainda por cima quando várias roteiristas e produtores mexem no caldo. A possibilidade de desandar é grande. Em O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO (2009), temos a chance de ver o tão mencionado futuro apresentado nos três filmes anteriores. Se os três filmes mostram pessoas e andróides que visitam o presente a fim de salvar ou destruir, no quarto filme, a cargo de McG, a missão básica é salvar o pai de John Connor, o líder rebelde que organizou a guerra contra as máquinas. O pai de Connor é o sujeito que fez a viagem no tempo no primeiro filme (1984) e lá deixou a semente do que seria Connor.

Por mais que seja importante para os fãs da série as medidas tomadas pelos roteiristas para dar continuidade à trama apocalíptica, o filme deve, acima de tudo, manter os altos níveis de ação e adrenalina, sem perder a elegância dos trabalhos de Cameron e Mostow. E isso, pode-se dizer que McG faz eficientemente. Se antes as pessoas ficavam desconfiadas da capacidade do cineasta para dirigir uma obra do tipo, por achar que ele só era capaz de produzir "diversão escapista" como AS PANTERAS (2000) e AS PANTERAS DETONANDO (2003), o diretor provou em SOMOS MARSHALL (2006) que sabe desacelerar e trabalhar aspectos dramáticos. E é da habilidade de McG na direção que sequências como a do ataque aéreo são tão belas de se admirar, em especial, o plano-sequência de Connor (Christian Bale) subindo e descendo de um helicóptero e visualizando uma gigantesca explosão.

O visual adotado é o de um futuro sujo, com as máquinas T-600 ainda sendo as armas de destruição mais populares da Skynet. O aspecto sujo da produção, com a fotografia em cores esmaecidas que lembra O RESGATE DO SOLDADO RYAN, entre outros filmes de guerra recentes, aliado ao fato de que boa parte da trama se passa em desertos empoeirados, contribui para a criação de um futuro interessante e sombrio. Um dos personagens-chave da trama é Marcus Wright (Sam Worthington), um sujeito condenado à morte que doou seu corpo para uma experiência em 2003 e acorda em 2018 sem saber onde está, o que diabos está acontecendo e de onde vem sua força. Depois, ficamos sabendo que ele é um modelo bem sucedido de um ciborgue. Seus ossos foram substituídos por metal, mas seu coração e seu cérebro são orgânicos. Ele é um ser que a princípio não tem rumo. Ao ser capturado pelo grupo de John Connor é que ele decide contra o que deve lutar.

Apesar de ser um mundo basicamente de homens e de máquinas, uma bela mulher se destaca: a estreante Blair Williams, pertencente ao grupo de elite da resistência. Bem mais do que Bryce Dallas Howard, que faz o papel da esposa de John Connor, mas que não tem nenhum momento realmente especial. É do relacionamento da personagem de Blair Williams com Marcus Wright que se desenvolve um dos momentos mais interessantes do filme. Pena que McG não é tão bom assim na condução do drama e o momento de sacrifício do personagem acaba enfraquecido. Mas isso não chega a ser um grande problema. Afinal, os outros três filmes da série também não deram tanta importância assim ao drama. São filmes onde a testosterona é mais importante. Além do mais, O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO apresenta algumas boas homenagens ao segundo filme da série (1991) que devem agradar aos fãs, como a inclusão de "You could be mine", do Guns N'Roses, numa cena, e o rosto jovem de Schwarzenneger no terceiro ato. A questão que pode ser levantada e que pode depor um pouco contra o filme é: trata-se de uma obra que continua com o espectador depois que ele sai da sala de cinema ou se é esquecido, como grande parte do blockbusters da última safra? Nesse sentido, creio que o entusiasmo provocado pelos dois divertidos filmes das Panteras ainda são exemplos mais felizes do que McG é capaz de produzir.

P.S.: Fica a dica do texto de Marcelo Miranda resgatando o injustiçado filme de Mostow.

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