terça-feira, junho 02, 2009

LEGIÃO URBANA E PARALAMAS JUNTOS



Só pra esclarecer: eu não estou ganhando um centavo da Rede Globo. Infelizmente. Escrevendo dois posts seguidos sobre musicais produzidos pela emissora, alguém de repente podia achar que eu estou ganhando uns trocados com propaganda. Mas na verdade, estou fazendo indiretamente uma pequena homenagem a dois grandes cantores e compositores brasileiros, ambos nascidos sob o signo de Áries. Tanto Roberto Carlos quanto Renato Russo sempre foram guiados pelo fogo da paixão, mas o fato de pertencerem a gerações distintas torna-os bem diferentes um do outro na atitude. E onde é que entra o Paralamas nessa história? Eles entram "de gaiato no navio" no post. Apesar de eu respeitar a banda de Herbert Vianna, não sou fã. Até já gostei mais dos Paralamas nos anos 80, na minha infância e adolescência. Depois, fui querendo que as canções falassem pra mim e definitivamente não era o caso dos Paralamas, que sempre foram bons músicos e adeptos de pesquisa musical para elaboração de uma música híbrida, rica em diversidade. O que eles faziam nos anos 80 foi tendência dos anos 90: unir o rock a outros ritmos. Comparando com as duas mais importantes bandas punk do cenário inglês, os Paralamas estavam para o Clash como a Legião estava para os Sex Pistols.

O especial LEGIÃO URBANA E PARALAMAS JUNTOS era uma raridade que a Rede Globo estava deixando estragar em seus arquivos. Não sei porque demorou tanto tempo para ser lançado. Talvez tenha algo a ver com problemas de direitos autorais ou algo do tipo. O lançamento, em conjunto com a EMI, é importante como registro histórico e como documento comportamental e estético de uma década. Os efeitos visuais do show ficaram envelhecidos e até meio bregas para os olhos de hoje. O show em si é apenas ok. As canções dos Paralamas em geral me cansam um pouco, embora goste, por exemplo, de "O Beco", que tem um naipe de metais de primeira. Da Legião Urbana, o grande destaque é a apresentação de Renato Russo nos vocais e Herbert Vianna na guitarra tocando "Nada por Mim", do Kid Abelha. Embora eu ainda prefira a canção na voz de Paulinha Toller, o registro flagra um momento onde o Renato Russo intérprete ensaiava o que se tornaria nos anos 90, quando pudemos vê-lo interpretar músicas de outros artistas com uma beleza ímpar.

O especial foi exibido uma única vez em 1988 e conta com pequenos depoimentos de algumas figuras globais, como se houvesse uma necessidade de dar um aval para o grande público da importância daquelas novas bandas. A Rede Globo sempre foi meio careta em se tratando de rock. Assim, vemos personalidades como Tony Ramos, Cláudia Abreu, Bussunda e Fernando Gabeira falando um pouco sobre as bandas. Malu Mader aparece no meio do público, dançando. E Herbert Vianna e Renato Russo também têm espaço para falarem um pouco sobre música e relacionamentos.

No quesito performance das bandas, ainda que ambas esbanjem energia, fica claro que os Paralamas eram melhores músicos e eram mais apresentáveis na televisão. Dado Villa-Lobos não consegue esconder que não tinha intimidade com a guitarra e o Renato Rocha fica fazendo pose para a câmera. Os videoclipes dos Paralamas também foram sempre bem produzidos enquanto a Legião Urbana tinha uns clipes que eram tão ruins que eles até escondiam, ou não faziam questão de mostrar, como o clipe de "Que país é esse?", que aparece como um dos extras do DVD, tirado de uma exibição no Fantástico. Os outros extras do DVD são apresentações das duas bandas no programa Globo de Ouro, que eu lembro de gostar muito na época e hoje vejo que eles faziam apresentações com playback. Acho, inclusive, que a Globo deve ter substituído o áudio original, já que a qualidade do som nessas apresentações do Globo de Ouro está bem melhor que o da apresentação ao vivo.

A expectativa de ver as duas bandas juntas é meio frustrada, já que juntas mesmo, elas só aparecem no final, tocando "Ainda é cedo". Nota-se que já naquela época, Renato Russo gostava de incluir trechos de outras canções nessa faixa. Ele inclui um trechinho de "Jumpin' Jack Flash", dos Rolling Stones, que se tornaria comum nas apresentações ao vivo da banda. Gostei de poder vê-los apresentando ao vivo "Tédio (com um T bem grande pra você)", uma das melhores da fase punk da banda. E também gostei de como eles se mostraram bem mais apresentáveis na performance de "Soldados" para o Globo de Ouro, com Renato Russo figindo tocar teclado. A força até então enigmática da canção dava um tom de sofisticação. Era a primeira canção da banda a falar de homossexualidade, ainda que de maneira velada. O DVD vem junto com um CD com as treze faixas da apresentação.

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