quarta-feira, março 18, 2009

RIO CONGELADO (Frozen River)



Que alívio chegar no Espaço Unibanco Dragão do Mar e perceber que a cópia que eles estão exibindo de RIO CONGELADO (2008) é a já surrada película que está circulando pelo país e não a cópia em digital do MovieMobz. Quero deixar claro que não estou reclamando da iniciativa do MovieMobz, mas sempre me dá um certo desânimo quando sei que o filme que vou ver será nesse novo sistema de projeção. Mas não é o momento de criticar as exibições digitais, até porque eu posso até queimar a minha língua e me deparar em breve com uma exibição satisfatória. Falemos um pouco, então, de RIO CONGELADO, o bem sucedido sucesso independente que foi premiado no Festival de Sundance do ano passado e rendeu uma indicação ao Oscar para Melissa Leo, numa interpretação realmente digna de nota na estreia na direção de Courtney Hunt.

E ao contrário do que eu esperava, Hunt não carrega nas tintas na condução do seu drama sobre as dificuldades de uma mulher e seus dois filhos de conseguirem dinheiro para quitar sua casa nova e sair do lugar onde moram, próximo da fronteira do Canadá. Na verdade, o filme não é apenas sobre uma mulher em dificuldade, mas sobre duas. A outra é uma índia mohawk (Misty Upham) que vive num trêiler e que costuma ganhar uns trocados com uma atividade proibida e perigosa: transportar imigrantes ilegais dentro de um porta-malas de um carro através de um rio congelado – quer dizer, há sempre o perigo de o gelo quebrar, de não suportar o peso do carro. A personagem de Melissa Leo, em busca do marido fugido, encontra o seu carro num bingo e isso faz com que a sua vida se cruze com a da jovem índia, que também tem os seus problemas, como o filho que lhe foi tirado.

O que há de mais interessante no filme não é a exploração da situação de miséria das personagens, mas o clima de tensão que se cria a partir de cada ato ilegal praticado pelas mulheres, atingindo o ápice na sequência da bolsa deixada no caminho. Mais do que o aspecto dramático, é pelo suspense gerado por esse elemento de ilegalidade e perigo que o filme ganha sua força. A escolha por um registro semi-documental, evitando com frequência a música de fundo, dá ao filme um clima sempre intrigante. Quanto ao fato de a diretora preferir um drama mais contido em vez de um melodrama pode ser um fator tanto positivo quanto negativo. Positivo, por demonstrar bom senso ao preferir dar ênfase à força dos personagens, ao invés de mostrá-los como coitadinhos; negativo, ao evitar à catarse, a emoção exacerbada, que é um caminho perigoso, mas que entraria em sintonia com a trajetória das personagens. RIO CONGELADO parece um filme que tem medo de errar, mas que não deixa de ser muito interessante.

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