segunda-feira, março 30, 2009

ELE NÃO ESTÁ TÃO A FIM DE VOCÊ (He's just not that into You)



Sem dúvida, a grande atração de ELE NÃO ESTÁ TÃO A FIM DE VOCÊ (2009) é o elenco. Aliás, nem sei como conseguiram reunir tanta gente interessante numa produção modesta. Em qual outro filme podemos ver juntas Jennifer Connelly e Scarlett Johansson? E ainda tem Drew Barrymore, Jennifer Aniston e Ginnifer Goodwin. No elenco masculino, Justin Long, Bradley Cooper, Ben Affleck, Kevin Connolly e o veterano Kris Kristofferson. Tudo isso num filme dirigido por Ken Kwapis, o cara que fez uma das piores comédias dos últimos anos - LICENÇA PARA CASAR (2007). A favor de Kwapis, tem o fato de ele ter dirigido alguns dos melhores episódios de THE OFFICE, como "Gay Witch Hunt" e "Casino Night". Pena que com a migração para cinema nem sempre esses diretores de televisão conseguem gerar algo acima da média. Por isso, por mais que as expectativas para o filme sejam baixas, ainda assim, não deixa de ser decepcionante. E como se trata de um filme com várias tramas entrelaçadas, difícil não fugir da irregularidade. Algumas tramas são melhores (ou piores, melhor dizendo) que outras. A história de Jennifer Aniston e Ben Aflleck, por exemplo, é fraquíssima, bem como a personagem de Drew Barrymore.

Uma das primeiras cenas do filme é até animadora. Nela, vemos Bradley Cooper num supermercado com Scarlett Johansson. Ela ganha um brinde no supermercado e os dois começam a conversar. Rola uma química entre eles e, vendo pelo ponto de vista dele, fica difícil não ficar imediatamente interessado na Scarlett. O problema é que ele é casado e diz para ela que não pode, apesar de a moça ser tão tentadora. Dessas de destruir casamento mesmo. Quando vemos que a esposa dele é Jennifer Connelly, as coisas começam a fazer sentido. Mas o problema é que as mulheres do filme não conseguem ser tão interessantes – na maioria das vezes, na verdade, elas chegam a ser até irritantes. A própria protagonista (ou a que mais se aproxima do título), Ginnifer Goodwin (a esposa mais jovem de BIG LOVE), é tão desesperada para arranjar um namorado que chega a ser humilhante a situação. Já as mulheres que se sentem desprezadas pelo parceiro (Jennifer Aniston, Jennifer Connelly) acabam por também se diminuírem na tela. Mesmo a Scarlett Johansson não passa da gostosa que todo mundo quer pegar. Da ala masculina, também temos a cota de humilhações, representado principalmente pelo personagem de Kevin Connolly (o E, de ENTOURAGE), que é doido pela Scarlett, mas que fica sempre em segundo plano. Ben Affleck, como par romântico de Jennifer Aniston, também está bem apagado. Tudo leva a crer que os dias de galã do astro já se foram.

Se a tentativa do diretor e dos roteiristas é humanizar os personagens, tornando-os menos glamorizados, também não havia necessidade de deixá-los sem sua dignidade. Talvez a passagem do diretor por THE OFFICE, a série que leva o constrangimento às últimas consequências, tenha contribuído um pouco para o resultado final do filme. Mas mesmo quando os personagens encontram seu caminho, ainda que esse caminho seja a solidão, o filme se apega aos velhos clichês das comédias românticas e com o agravante de ser totalmente sem graça e emoção. Ainda assim, ELE NÃO ESTÁ TÃO A FIM DE VOCÊ reserva uma cena que não deve sair da mente do espectador por alguns dias: Bradley Cooper dando uns amassos na Scarlett Johnasson em seu escritório. Tem também a cena dela na piscina. No fim das contas, a razão de ser do filme é a presença sempre animadora de Scarlett, por mais rasa que seja sua personagem.

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