quarta-feira, março 25, 2009

HISTORIA SEXUAL DE O (The Sexual Story of O)



Apesar de ter outros dois filmes muito mais elogiados de Jesus Franco no ponto, esperando o momento certo para vê-los - refiro-me a LOVE LETTERS OF A PORTUGUESE NUN (1977) e MACUMBA SEXUAL (1983) -, senti-me atraído a ver primeiro este HISTORIA SEXUAL DE O (1984), talvez por ter atração pelo universo do Marquês de Sade. Pena que precisamos esperar muito para entrarmos efetivamente no mundo de Sade. Por vezes, a impressão que fica é que Jess Franco está o tempo todo nos enrolando. Ainda assim, os minutos finais de HISTORIA SEXUAL DE O e a beleza da protagonista, Odile, interpretada pela bela Alicia Príncipe, fazem valer a pena a apreciação da obra. Alicia Príncipe é um caso à parte. Além de belíssima, ela passa uma inocência angelical perfeita para a personagem. A imagem dela nua, na praia, agindo com naturalidade ao encontrar-se com o homem que a levou para a ilha é de uma beleza ímpar.

HISTORIA SEXUAL DE O é apenas a minha segunda incursão no cinema de Jesus Franco. Minha única experiência com o cinema do diretor havia sido com o clássico VAMPIROS LESBOS (1971). Devo dizer que comecei com o pé direito em sua obra e até hoje guardo boas lembranças da beleza espetacular de Soledad Miranda. Se HISTORIA SEXUAL DE O não tem o mesmo potencial erótico, imagético e jazzístico de VAMPIROS LESBOS talvez seja por falta de empenho do diretor. Ou talvez porque o filme seja um corpo estranho no cinema dos anos 80. O que mais me incomodou no filme foi a demora para a trama sádica começar de fato. O filme tem apenas 90 minutos e é preciso esperar 80 para ver a violência e a crueldade surgir na tela com força. O erotismo soft causa mais impaciência e vontade de ver algo mais forte, como um viciado que está acostumado com uma droga forte e experimenta uma fraquinha. Enquanto isso, há uma tensão em torno da expectativa e há, claro, as cenas de sexo, que são prolongadas e na maioria das vezes frustrantes. Os melhores momentos das tais cenas são as que envolvem sexo entre mulheres. As cenas de sexo (simulado) com os homens, além de não convencerem, carecem de beleza. A especialidade de Franco é mesmo a exploração do corpo feminino, o que é completamente compreensível.

Aliás, são as mulheres as grandes personagens do filme. Os homens são uns fracos. Tanto o suposto conde quanto o homem da ilha são covardes e chorões. Ou talvez sejam mais humanos do que as mulheres, muito mais perversas. A "condessa", por exemplo, na cena da tortura de Odille, se masturba com prazer diante da situação. Não deixa de ser uma imagem forte e que fica na mente, assim como os rostos feios e diabólicos do casal de matadores. Os momentos finais de HISTORIA SEXUAL DE O compensam a irregularidade e a embromação de Franco. Mas não culpemos o diretor. Talvez, assim como os personagens homens da trama, ele tenha se sentido tentado a não dar cabo de sua bela O.

Jess Franco tem quase 200 títulos em sua filmografia e é uma tarefa quase impossível conseguir ver todos os seus títulos. A maioria deles, dizem, é feita de filmes muito ruins. Mas uma coisa não se pode dizer de Franco: que ele é preguiçoso. Além de escrever e dirigir seus filmes exploitation de baixo orçamento, Franco ainda compõe a música de vários de seus filmes sob o pseudônimo Pablo Villa. HISTORIA SEXUAL DE O tem trilha sonora composta por ele.

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