sábado, fevereiro 04, 2006

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (Brokeback Mountain)



Algumas das melhores histórias de amor são aquelas que mostram um casal sofrendo pela impossibilidade de estarem juntos. Além dos casos clássicos, tipo Romeu e Julieta, temos no cinema um exemplo bastante curioso, que é o de O FEITIÇO DE ÁQUILA, filme que mostrava duas pessoas que se amam, mas que nunca podiam estar juntas. Pelo menos, não da maneira que gostariam. Em O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (2005), os amantes ao menos podiam se ver algumas vezes no ano. É pouco pra quem se ama, que quer estar junto todos os dias e até que a morte os separe, mas já é alguma coisa. Mesmo assim, eu ficava me perguntando o tempo todo: por que diabos eles não vão morar em San Francisco? Afinal, a história se passa nos anos 1960-70 e já havia algumas cidades americanas que aceitavam melhor os homossexuais. Mas as coisas não são tão fáceis assim. O que ajuda a diminuir um pouco o clima de sofrimento talvez seja a bela paisagem das montanhas do oeste americano. Quase dá pra respirar aquele ar puro. Destaque para a cena do amanhecer, depois da noite de amor dos dois rapazes na barraca.

Não foi a primeira vez que Ang Lee dirigiu um filme abordando o problema dos homossexuais na sociedade. Ele já havia realizado BANQUETE DE CASAMENTO (1993), que mostrava um rapaz gay que arranjava um casamento de conveniência apenas para agradar/enganar sua família. Em BANQUETE DE CASAMENTO, Lee preferiu fazer uma comédia. Em O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN, o tom agora é outro: o filme é um melodrama. Mas não um melodrama carregado nas tintas, como os mais convencionais. Os sentimentos dos personagens são, obviamente, arrebatadores, mas Ang Lee faz um cinema mais sutil. Não é um filme para se ir com um pacote de lenços no bolso, embora eu ache a cena final bastante tocante. Ainda por cima, auxiliada pela belíssima música do argentino Gustavo Santaolalla, de 21 GRAMAS. Curiosamente, o diretor de fotografia do filme, o mexicano Rodrigo Prieto, também foi o responsável pela fotografia de 21 GRAMAS.

Heath Ledger e Jake Gyllenhaal estão, muito provavelmente, no melhor papel de suas vidas. Principalmente Ledger, que não havia feito nenhum papel tão importante antes. O mesmo pode-se dizer de Michelle Williams, jovem que despontou na série DAWSON'S CREEK, e que, na vida real, é noiva de Ledger. Os dois têm, juntos, uma filha.

O que é motivo de comemoração é que nesse ano o Oscar está mais adulto, mais político e discutindo temas polêmicos. Os cinco candidatos ao prêmio principal têm essa característica. O espectador só tem a ganhar com isso. E O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN é mais um passo rumo ao fim do preconceito contra os homossexuais. E o mais curioso é que isso esteja acontecendo em plena era Bush.

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