quarta-feira, novembro 30, 2005

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (L'Uccello dalle Piume di Cristallo / Bird with the Glass Feathers / Das Geheimnis der Schwarzen Handschuhe / The Bird with the Crystal Plumage)



O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL (1970), um dos maiores representantes dos gialli, finalmente ganha uma edição nacional que respeita o formato original em scope da obra de Dario Argento. Com esse filme, lançado pela Aurora, são três agora o número de filmes de Argento disponíveis em DVD no Brasil - os outros são SUSPIRIA (1977) e SLEEPLESS (2001). Torçamos para que outros títulos do mestre apareçam por essas bandas.

Ver filmes do Argento é sempre um prazer. Até lembro daquela citação de Hitchcock, dizendo que seus filmes eram comparáveis a bombons. O mesmo talvez se possa dizer das obras de Argento, que, aliás, é constantemente associado a Hithcock.

O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL é um autêntico giallo. Possui todas as características que definiram o filão: uma testemunha ocular de um crime, um assassino de luvas pretas, tentativa de se atingir um olho com um objeto afiado, gatos, personagens estrangeiros, mulheres indefesas.

Na trama, turista americano (Tony Musante) presencia uma tentativa de assassinato através dos vidros de uma galeria de arte. Ele tentar salvar a moça, que é esfaqueada, e fica preso entre duas paredes de vidro, enquanto o homem foge. Depois ele fica sabendo que o assassino é um serial killer que está na cidade matando vítimas. Por ser a única testemunha ocular, ele é obrigado a permanecer na Itália com sua namorada (a bela Suzy Kendall) até que o caso seja solucionado. Como ele não tem o que fazer, acaba ficando interessado em investigar a série de assassinatos.

É impressionante como já na sua estréia na direção Argento já se mostrava um virtuoso. Belíssimo aquele travelling que se dá quando ele vai à procura de sua namorada desaparecida, lá pelo final do filme. A câmera sobe os telhados e vai dar numa casa lá do outro lado da rua. A fotografia ficou a cargo do hoje premiado Vittorio Storaro.

Só o final do filme que pode deixar um pouco a desejar, tanto pela solução pouco satisfatória do caso, quanto pela rapidez com que o filme se fecha. Mas acabam sendo um charme a mais as imperfeições do filme, que envelheceu muito bem. Interessante que, como em PSICOSE, do Hitch, no final aparece um psicanalista que tenta explicar o comportamento do assassino através de psicologia, o que acaba sendo até engraçado.

Agradecimentos a Camila Vieira, que fez a gentileza de me emprestar o DVD.

P.S.: Está no ar, no CCR, a minha mais recente coluna. Dessa vez, falando sobre remakes, Hitchcock e Hawks.

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