domingo, junho 12, 2005

SR. E SRA. SMITH (Mr. and Mrs. Smith)



E o Diário de um Cinéfilo, depois de uma semana inteira só falando do Cine Ceará, está de volta com a programação normal dos filmes em cartaz + filmes vistos em outras mídias. A saudade do festival ainda está presente, mas vamos pra frente, que o cinemão americano continua oferecendo momentos de prazer pra gente. Não só o cinemão americano, quero deixar claro, mas como ele corresponde a mais de 80% da fatia do mercado, logo...

SR. E SRA. SMITH (2005) é desses filmes que já conquistam um grande público só pelo cartaz, com dois dos maiores símbolos sexuais de Hollywood: Brad Pitt e Angelina Jolie. E vale dizer que os dois estão muito bem nesse filme. Brad Pitt continua um dos caras mais bonitos do cinema e Angelina está bela e sensual como nunca. Bom, mas e o filme? O filme depende muito deles, os melhores momentos são aqueles que mostram os dois discutindo a relação, e não as seqüências de ação, que são apenas ok, meio que padrão nos filmes de ação americanos.

Brad Pitt parece recém saído de DOZE HOMENS E OUTRO SEGREDO e vem se revelando um ótimo ator para comédias. Ele deveria fazer mais filmes do gênero. Em vez disso, ele está envolvido agora num filme de Alejandro González Iñárritu (BABEL), que só pode ser mais um drama pesado do diretor. Quanto a Vince Vaughn, ainda não descobri qual é a graça dele, e porque ele tem feito tantas comédias, mas há quem goste do rapaz.

Doug Liman entregou um filme irregular. Se tivesse cortado mais uns minutos, talvez o filme ficasse melhor, mais redondo. Assim, o filme se equilibra entre momentos muito bons e outros até um pouco chatos. Mas tem um momento que justifica a ida ao cinema imediatamente: a seqüência que mostra como os dois se conheceram, em Bogotá. A química entre os dois astros, a música que toca, Angelina dançando sensualmente, aquela exagero de boca, a ótima fotografia. Eu confesso que nessa hora meus olhos ficaram marejados de lágrimas e meus cabelos, arrepiados. A canção que rola nessa cena é "Mondo Bongo", tocada por Joe Strummer & The Mescaleros. Maravilhosa, eu diria. Já está entre as minhas favoritas pra eu pegar na internet.

Aliás, a trilha sonora merece um assunto à parte nesse filme. Nela, é possível ouvir coisas legais como uma versão de "Lay Lady Lay", de Bob Dylan, tocada por Magnet & Gemma Hayes, como também o clássico brega "Making Love Out of Nothing at All", do Air Supply - pelo menos a cena em que toca essa canção ficou engraçada. Procurando pelo nome das faixas da trilha no site da Amazon, vi que também tem uma versão ska de "Used to Love Her (But I Had to Kill Her)", uma das minhas favoritas do Guns n' Roses, mas não lembro de ter ouvido no filme.

A trama de SR. E SRA. SMITH já é bastante conhecida de quem freqüenta as salas de cinema e vê os trailers: dois assassinos profissionais vivem casados há cinco (ou seis) anos e não sabem de nada da vida profissional do outro. Há quem reclame dos absurdos do roteiro, da alta sofisticação das empresas que contratam os assassinos, mas aí entra-se no velho preconceito que se tem com os filmes inverossímeis. Hitchcock tratava essas pessoas que procuram ver o máximo de realismo nos filmes de "os verossímeis". Eu não vejo problema nenhum, já que a proposta do filme é exatamente essa: entreter, mostrar coisas absurdas e divertidas, afinal, estamos no mundo da fantasia, não? O filme pode ter muitos problemas, mas não por causa da inverossimilhança. Vale dizer que o roteirista do filme é o mesmo do delicioso AS PANTERAS DETONANDO. Logo, quem não gostou do filme das três meninas, pode não curtir esse também.

No fim das contas, pode-se dizer que SR. E SRA. SMITH é um filme sobre a necessidade de diálogo e de completa honestidade no casamento. Ou seria o casamento uma instituição já fadada ao tédio e à monotonia, e se não houver um pouco de aventura, a vaca vai pro brejo? Eu, como nunca fui casado nessa vida, não saberia dizer.

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