quinta-feira, junho 16, 2005

DARK WATER (Honogurai Mizu No Soko Kara)



Quando O CHAMADO 2 (2005) estreou nos cinemas, alguns amigos blogueiros disseram que Hideo Nakata tinha passado a perna em Walter Salles, ao fazer de sua estréia americana um filme mais parecido com o seu DARK WATER original (2002) do que propriamente com RINGU 2 (1999). Realmente, Nakata abandona a trama envolvendo a "fita maldita" logo no começo do filme, preferindo se concentrar na possessão da fantasminha Samara no filho da personagem de Naomi Watts. Há também outras similaridades, como a cena da banheira e a suspeita de que a mãe está maltratando o próprio filho.

DARK WATER, aparentemente, é até uma história convencional de fantasmas. Não há nada realmente diferente ou original. A trama da "fita maldita" da trilogia RINGU parece bem mais interessante e original, além de ser muito mais assustadora. Acontece que DARK WATER funciona muito bem a nível dramático. Se esquecermos um pouco os clichês dos sustos e nos concentrarmos no drama dos personagens, podemos perceber que DARK WATER foge do vulgar, inclusive com um final excelente, ainda que fique atrás de A TALE OF TWO SISTERS, filme coreano de terror que também valoriza o aspecto dramático e a construção dos personagens. Resta saber se Walter Salles também vai privilegiar o drama dos personagens, seus problemas familiares, em detrimento do horror.

Na história de DARK WATER, uma mulher atravessa um difícil processo de divórcio, correndo o risco de perder a filha na justiça para o pai, que é pintado no filme como uma figura execrável e cínica. Ela se muda para um apartamento que está com um problema de vazamento, formando uma crescente marca d'água no teto. Ao mesmo tempo, ela fica nervosa ao ver estranhas situações envolvendo uma garotinha desaparecida que morava naquele apartamento. Por exemplo, ela encontra a mesma bolsinha da menina em diferentes locais.

O filme pode incomodar a quem já está cansado de fantasmas de cabelos pretos e olhos puxados, mas durante o filme fiquei pensando se essa característica já não faz parte do próprio imaginário japonês ou se realmente isso foi criado recentemente, já no final dos anos 90, com as séries de sucesso RINGU e THE GRUDGE. Mesmo assim, o filme sofre com as várias tentativas de assustar, nem sempre com sucesso. Por isso o diretor tenha preferido deixar um pouco os sustos de lado, e se concentrar mais em criar uma atmosfera sinistra, quando dirigiu O CHAMADO 2.

Porém, há um momento em que realmente tomamos um grande susto, que é aquele em que a menina dá um pontapé na caixa d'água. Li num interessante texto no Cinedie Asia, site português dedicado ao cinema oriental, em que se compara a caixa d'água onde está presa a garotinha morta com um útero. A água jorrando do elevador e o choro da menina seriam também uma metáfora do nascimento da criança, a água como símbolo do nascimento da vida. Vendo dessa maneira, DARK WATER ganha contornos bem mais interessantes e pode até ser revisto com outros olhos por quem inicialmente não gostou tanto do filme.

DARK WATER, assim como RINGU, também foi adaptado de um livro de Suzuki Koji. O filme foi visto no player que toca divx da Gradiente do amigo Zezão (thanks, buddy!). Por falar no tal player, fui testar A TALE OF TWO SISTERS nele e o filme roda bonito, mas sem som. Será que os outros aparelhos que lêem divx - Philips, Samsung, Pioneer - resolvem melhor esse tipo de problema?

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