quinta-feira, julho 03, 2014

O ESPELHO (Oculus)























Espelhos são objetos bastante presentes em filmes de horror. Sejam os sobrenaturais, sejam os de assassinos seriais. No cinema brasileiro, até temos um excelente exemplar de um filme que trata de um espelho com poderes maléficos, ESPELHO DE CARNE, de Antonio Carlos da Fontoura, que utiliza também elementos do erotismo e do humor, mas que termina numa chave bastante assustadora. Pode ser facilmente considerado um dos melhores títulos do cinema de horror no Brasil.

O ESPELHO (2013), de Mike Flanagan, é uma bela surpresa estreando em nosso circuito. Levando em consideração que as escolhas das distribuidoras dos filmes de horror não têm sido muito felizes, é um alívio encontrar uma obra tão inventiva e bem realizada em nossos cinemas. Normalmente, os melhores filmes de horror acabam sendo vistos em casa, muitas vezes sem nem mesmo um lançamento nas locadoras.

Flanagan, que também acumula as funções de montador e roteirista, cria uma intrincada narrativa de idas e vindas no tempo que vai se tornando mais complexa à medida que o filme se aproxima de seu desfecho. Porém, isso não prejudica em nada o seu andamento. Ao contrário, só prova o domínio do diretor em contar a sua história de assassinatos, traumas e fantasmas.

O espelho seria o objeto que desencadeia todo o mal e a explanação de Kaylie (Karen Gillan, em sua fase adulta) do histórico daquele espelho na vida de outras pessoas que o possuíram desde séculos atrás é também um modo de avisar para o espectador que aquele filme não é um trabalho apenas de sustos; há toda uma construção racional também.

Na trama, o jovem Tim (Brenton Thwaites, na fase adulta) sai da prisão depois de ter matado o próprio pai quando ainda era criança numa noite de matanças perturbadora. A mãe também morreu nessa mesma noite sob circunstâncias que só serão esclarecidas à medida que o filme for trilhando suas viagens para o tempo, dez anos atrás.

Um dos méritos de O ESPELHO é manter o interesse do espectador em ambos os momentos. Seja no passado, quando o pai fica alterado por causa do espelho, que afeta negativamente a casa como um todo, seja no presente, quando Kaylie quer provar para seu irmão que ele e o seu pai são inocentes do que ocorreu há dez anos, através de câmeras de vídeo e outros objetos. Sua intenção é "matar" o espelho, que além de tudo tem o poder de não deixar ninguém quebrá-lo, além de deixar provas para outras pessoas da inocência do irmão e do pai.

Alguns momentos são especialmente assustadores, como os primeiros indícios (no presente) de que o espelho está modificando aquele ambiente e a mente dos personagens, e a assustadora noite de terror intenso na casa, que culminaria no massacre. Vale destacar também o bom desempenho das duas crianças que interpretam Kaylie e Tim, bem como dos atores que fazem o papel de seus pais.

O ESPELHO é baseado em um curta de 2006 do diretor chamado OCULUS: CHAPTER 3 – THE MAN WITH THE PLAN, em que um homem procura provar que um antigo espelho é assombrado. Pelo visto, valeu a pena ter apostado em seu antigo projeto.

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