terça-feira, janeiro 13, 2009

O DIA EM QUE A TERRA PAROU (The Day the Earth Stood Still)



"O cinema está condenado a fazer remakes, pois fazem-se filmes demais e há muito poucas situações dramáticas disponíveis. Portanto, toda a história do cinema é constelada de remakes, e, contanto que as novas versões sejam melhores que as originais, não há o menor problema nisso."
(François Truffaut, em entrevista dada em 1979 para a Sight et Sound)


Interessante Truffaut ter falado isso num momento em que nem haviam tantas refilmagens como há hoje em dia. Ele já previa o que aconteceria no futuro: primeiro, uma sucessão de continuações de filmes de sucesso de bilheteria, nas décadas de 80 e 90, e agora uma avalanche de refilmagens, seja de produções estrangeiras, seja de clássicos americanos. Só para este ano estão confirmados remakes/"reinvenções" de SEXTA-FEIRA 13, STAR TREK, O LOBISOMEM, O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO, THE LAST HOUSE ON THE LEFT, THE LODGER, EASY VIRTUE e, falando em Hitchcock, para 2011, já está agendada a refilmagem de OS PÁSSAROS. Nada mais é sagrado.

Não tenho muitas lembranças do original de Robert Wise, mas O DIA EM QUE A TERRA PAROU (2008), de Scott Derrickson - diretor cujo melhor momento de sua curta carreira foi O EXORCISMO DE EMILY ROSE (2005) -, independente de comparações, é por si só ridículo e enfadonho. Ridículo no discurso ecológico mal construído e enfadonho no desenvolvimento da ação. A expressão robótica de Keanu Reeves contribui para esse aspecto aborrecido do filme, embora o seu fracasso não se deva apenas a ele. O problema está principalmente no roteiro ruim e na direção preguiçosa de Derrickson. Quanto ao discurso ecológico, até podem comparar o filme com FIM DOS TEMPOS, de M. Night Shyamalan, mas a comparação não vai muito longe quando se leva em conta a profundidade e a elegância do trabalho do indiano.

Se há algo de interessante na abordagem do novo filme é o modo como o alienígena chega à terra: dentro de uma película orgânica semelhante a uma placenta. O robô gigante é mantido e tem o mesmo visual da produção dos anos 50. Mas as cenas envolvendo, por exemplo, Kathy Bates são constrangedoras no modo como ela é mostrada: uma figura autoritária que acha que por morar nos Estados Unidos é dona do mundo. De certa forma, essa cutucada que Hollywood de vez em quando dá nos políticos é uma prova de inteligência e consciência, mas, no caso do roteiro desse filme em particular, não dá pra esperar algo além disso. Até mesmo Jennifer Connelly, interpretando a moça que ajuda o alienígena a ver que os seres humanos têm sensibilidade suficiente para ajudar o planeta a sobreviver, não dá o melhor de si. A verdade é que nenhum ator, por melhor que seja, conseguiria levar esse filme nas costas. E o final, então... O final parecesse destinado a crianças sem nenhum discernimento, de tão bobo que é. E o filme termina abruptamente, como se todos os envolvidos quisessem sair de cena o mais rápido possível, para evitar a vergonha. Pois é. 2009 mal começou e já temos um sério candidado a pior filme do ano.

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