quarta-feira, janeiro 07, 2009

ELEPHANT



Na falta de tempo, eu acabo optando por filmes curtos. Assim, aproveitei o momento para conferir o curta ELEPHANT (1989), de Alan Clarke. Com cerca de 40 minutos de duração, o filme de Clarke foi inspirador da obra-prima homônima de Gus Van Sant. Enquanto Van San foca seu trabalho no absurdo massacre em Columbine, Clarke faz uma reflexão sobre os contínuos assassinatos ocorridos com freqüência na Irlanda do Norte.

O uso da steadycam, também utilizado por Van Sant, nos coloca, na maior parte das vezes, próximo dos assassinos, acompanhando-os em sua busca pela vítima, que, depois de morta, é mostrada com alguns segundos a mais pela câmera de Clarke, que nessa hora se mostra estática, como se estivéssemos contemplando uma fotografia do morto. Sem uma linha narrativa e sem personagens, diálogos ou nomes, o filme de Clarke é bem incômodo. Não há espaço para se divertir com as mortes, como pode acontecer em filmes de terror de psicopatas. Aqui, a utilização de um estilo semi-documental aumenta a sensação de verdade e, conseqüentemente, do mau estar provocado.

A repetição das frias seqüências de morte durante os 18 sketches chega a passar uma sensação de impotência para o espectador. Como se por maior que fosse o nosso esforço para mudar essa realidade, não tivesse mais jeito. Clarke optou por não explicar nada, apliando os assassinatos para além dos conflitos separatistas da Irlanda do Norte. O diretor nos força a sermos cúmplices das mortes e ainda ter que encarar o resultado. Não é um trabalho para se assistir com prazer e satisfação, mas uma obra de impacto, que cresce bastante na memória. O filme foi produzido pelo futuro diretor Danny Boyle.

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